[VN #5] Don’t Go in the House (1979)

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Amiguinhos e amiguinhas chegou a hora de mais um nastie! Desta vez trago-vos um filme de 79. A versão que eu tenho é um DVD da Arrow mas a preguiça de tirar foto venceu-me mas também é melhor para nós todos pois este poster é bem melhor que a edição da Arrow Drome.

Ora então este filme chegou a Inglaterra em 80, já tinha sofrido cortes de 3 minutos, mas por obra do acaso em 82 a editora Arcade Label consegui-o lançar o filme em VHS sem qualquer corte, o que obviamente levou a ser adicionado em três tempos a lista dos video nasties. Em 87 voltou a ser novamente lançado com os 3 minutos de corte, só ficou finalmente disponível em todo o seu esplendor em 2011. Em jeito de curiosidade consegui arranjar este filme na ebay por £2! E pensar que em tempos houve pessoas que chegaram a ser presas por vender/alugar estes filmes..

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Mas vamos ao que interessa, o filme foi realizado por Joseph Ellison, que também escreveu o argumento juntamente com Ellen Hammill e Joe Masefield. Sim foram precisos 3 argumentistas para chegar a esta obra prima.

O filme tem um argumento que ao inicio recorre aos clichés básicos, Donny foi abusado enquanto criança pela sua mãe, fisicamente e psicologicamente tornado-se simplesmente uma pessoa anti social, e com graves problemas mentais. Quando a mãe do mesmo morre ele finalmente conhece o sentimento de liberdade, então o que é que Donny decide fazer? Sair a noite? Ir para um bar e apanhar um “cadela”? Não ele decide construir uma espécie de sala de tortura onde vai levar as suas vitimas para as queimar vivas e limpa-las dos seus pecados.

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Admito que com uma história assim toda a gente fique com um pé atrás, mas o filme parece ter algumas mensagens escondidas, como o abuso a crianças, a critica igreja católica ou mesmo o constante julgamento ao ser humano “diferente”.

Fico curioso como seria o casting para estes filme, mais precisamente para a nossa primeira vitima “Então diga-me lá.. você gostava de morrer queimada viva?”, a primeira morte do filme é minimamente chocante e violenta mesmos para os parâmetros de hoje e acredito que essa seja a principal razão para o filme ter sido banido.

A banda sonora do filme também merece destaque pois está totalmente deslocada do resto do filme.

Recomendo pelo menos a visualização de este filme uma vez, admito que a ideia de o rever não me passa pela cabeça, mas também não será certamente o pior nastie que por aqui passará.

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Jigoku de naze warui [2013]

MV5BNTQ0Njc3ODkyMl5BMl5BanBnXkFtZTgwODQxOTE4MjE@._V1_SY317_CR0,0,214,317_AL_Quando acabei de ver Jigoku de naze warui  a minha primeira reacção foi “Shion Sono é um mestre”, ele que já me tinha surpreendido com o Cold Fish filme que falei aqui no blogue há uns tempos atrás, e mais recentemente com o Tokyo Tribe uma mistura de The Warriors com hip hop.

Mas Jigoku de naze warui é talvez um dos seus melhores filmes, pelo menos daqueles que já vi dele, que diga-se de passagem não são assim muitos..

Jigoku de naze warui começa logo com uma abertura violenta, uma criança chega a casa, onde se encontra com um assassino, há volta de uma poça de sangue enorme, mas ela na sua inocência de criança não consegue compreender o que se passa, então lida com a situação de uma forma hilariante, aqui está dado o pontapé de saída para duas horas de pura magia.

Mas se ainda tivessem dúvida que estão perante um filme que vos vai ficar na memória para sempre, esperem até aparecer os Fuck Bombers! um grupo de adolescentes que tem como sonho fazer o melhor filme do mundo! Viciados em cinema e sempre com as câmaras na mão a procurar de situações para filmar, acabam por levar o filme para outro nível.

Quando 10 anos mais tarde finalmente tem a oportunidade de o fazer por um momento do acaso (não me vou alongar muito para não estragar nenhuma surpresa) tudo o que sonharam simplesmente acontece, aqueles 20 minutos finais são de uma anarquia deliciosa, o único defeito que aponto-o ao filme será mesmo o uso de sangue em CGI, mas um filme que com duas horas não tem um momento morto merece um estatuto de culto. Obrigado Mr. Sono encontraremos-nos outra vez.

Ddongpari [2008]

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O cinema permite-nos viajar rapidamente entre países sem sairmos do nosso sofá, se ainda a uns dias me maravilhava com Bava ou mesmo com Scola, ou mesmo com outro filme polaco, hoje posso visualizar um filme coreano realizado,escrito e interpretado por Ik-Joon Yang.

Ddongpari[Breathless] conta-nos a história de Sang-Hoon um homem que trabalha como “colector” de dívidas de uma forma pouco convencional, em bom português “Pagas ou parto-te todo”.

Sang-Hoon é um homem atormentado pela violência, desde pequeno que se habitou a conviver com ela, e absorveu todos os demónios que advêm dela, até que um dia conhece Yeon-Hue uma estudante que não mostra medo ou qualquer receio de Sang-Hoon. Juntam-se assim duas almas melancólicas com uma vida que nada de bom tem para oferecer.

Ik-Joon Yang leva o tema da violência domestica mais além, não nos oferece uma visão bonita da mesma, a sua forma fotografia de ar mais “urbano” assim como a sua violência sem artificialismos só tem um objectivo deixar o espectador desconfortável e consegue logo passado os primeiros 25 minutos de filme onde já estava seriamente a pensar parar o filme e respirar 10 minutos antes de voltar aquele mundo onde a esperança morreu logo a nascença.

Obviamente que também posso acusar o filme de por vezes tentar impingir demasiada carga dramática e algum exagero para obrigar o espectador a puxar da lágrima mas a vida infelizmente não é perfeita como nos livros ou os filmes, é isso que Ik-Joon Yang nos oferece uma vida sem artificialidades, uma realidade pura e dura.

P.s. – A partir de hoje deixo de atribuir notas aos filmes, penso que alguns filmes acabam por ser “prejudicados” pelas mesmas, por vezes numa segunda visualização aquele filme que tanto odiamos pode nos mostrar uma versão completamente nova e isso obrigava-me a ir aos arquivos andar a “retocar” os artigos todos logo prefiro deixar de dar notas aos filmes e deixar cada um decidir por si.

[Extra] Encarnação do Demónio [2008]

Fotografia0035Demorou o seu tempo mas chegou o “extra” prometido, nada mais nada menos que o filme Encarnação do Demónio  a conclusão da trilogia do Zé do Caixão  que chegou aos cinemas quase 40 anos depois e  finalmente aterrou em 2008.

Tal como o Maestro Argento demorou a concluir a trilogia das “Três Mães” também o nosso coveiro favorito demorou cerca de 40 anos para finalizar a sua obra. Entre problemas técnicos e entre 5/6 vezes tentativas frustradas finalmente temos o produto final.

A pergunta que se coloca logo ao colocar o Blu-Ray no leitor é “Será que Mojica ainda está em boa forma para fazer um bom filme de terror?”, após os primeiros 10 minutos todas as dúvidas se dissipam.

Mojica com a sua habilidade e claro com ajuda externa apresenta-nos um trabalho competente, consegue até promover os seus filmes mais antigos sem precisar de grandes artifícios.

A história do filme é a seguinte, passado 40 anos Zé do Caixão é finalmente solto do seu cativeiro, a sua espera está Bruno o seu fiel “empregado” que nos foi apresentado no “Esta Noite Encarnarei no seu Cadáver”. Ao chegar a sua residência Zé do Caixão não esquece o sonho de ter um filho que lhe conceda a imortalidade através do seu sangue.

Mojica adapta-se bem a nova onda do cinema de terror . Se os seus filmes mais antigos tínhamos Zé em grandes diálogos filosóficos a roubar todas a cenas do filme, aqui Zé do Caixão divide os seus diálogos sobre a vida e a morte,  com sangue e violência gratuita. Algumas torturas para agradar os novos fãs de terror,agora com mais liberdade sem problemas com a censura militar por isso podem esperar violência de fazer inveja alguns filmes americanos mas também usa e abusa de mulheres nuas, Mas para mim o mais importante é que mantém a sua matriz e não se esquece dos seus fãs mais antigos ao ponto de fazer pequenas homenagens aos seus filmes sem parecer pretensioso.

Mais interessante é o pequeno making off (o único extra que o blu-ray traz) onde vemos um Mojica a tentar adaptar-se as novas tecnologias como por exemplo a obrigação de filmar com som, algo que ele não estava habituado e ficamos também a saber que a maldição dos actores que morrem ao participar nos filmes do Zé do Caixão ainda são verdadeiras.

O Coveiro em 2008 arrumou a sua capa e cartola, mas tenho a certeza que não será por muito tempo. Pois o público merece mais Zé, e tenho a certeza que Mojica também assim o deseja.

Obrigado Zé! Até logo.

Nota: 7/10

 

[Especial Wes Craven] The Last House on the Left [1972]

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História: Um par de garotas adolescentes estão a ir para um concerto de rock. Enquanto tentam arranjar marijuana na cidade, as raparigas são raptadas por uma grupo de condenados violentos.

Review: O filme de estreia de Wes Craven foi The Last House on the Left, um filme violento quanto baste mas que nunca consegue atingir o seu clímax devido a escolhas infelizes.

Durante o filme ele consegue alternar entre cenas de violência extrema, para cenas em que aparecem os pais de Mari [a nossa personagem principal] a preparar a festa de aniversário da mesma, logo o drama e o horror nunca consegue manter um ritmo, o que acaba por prejudicar seriamente o filme.

Novamente Wes no final torna o filme numa vingança pessoal dos pais, pelos assassinos da filha, a preparação para o final parece uma cena tirada do filme “Sozinho em Casa”.

A banda sonora também é outro ponto negativo no filme, pois vai sempre alternado entre ritmos country e momentos de música de terror.

Infelizmente também existem filmes que não conseguem sobreviver ao tempo, e este é um caso flagrante pois o filme tem cenas violentas sem dúvida mas nos dias de hoje e a sermos bombardeamos constantemente por imagens violentas, tudo acaba por ser banal.

Deixo só um destaque para a representação de David Hess[Krug Stillo no filme] que rouba totalmente o protagonismo ao restante elenco.

Nota: 6/10

Próximo filme: Shocker