Top 2015 – Alucard Version

Como nos anos anteriores aqui fica mais um top baseado nos filmes que vi e falei no blogue. Provavelmente o ano que mais preguiça tive para escrever sobre os mesmos, mas ao mesmo tempo talvez o ano que vi mais filmes do que estava a espera, mais precisamente a partir de Outubro em que finalmente encontrei alguém que partilha os meus gostos pelos filmes de terror, em trocas quase diárias de DVD/Blu Rays tenho descobrido obras que provavelmente nunca iria por os olhos.. mas chega de “encher chouriços”

28

Loading “”

1º Turbo Kid [2015]

Provavelmente nunca esteve em causa o seu lugar, Turbo Kid assim como o Kung Fu Fury são dois exemplos de geekismo e revivalismo máximo. Numa altura que exploro cada dia mais os filmes de essa época, Turbo Kid simplesmente juntou tudo o que havia de bom nessa altura e criou uma obra única. O Blu Ray brevemente estará na minha estante, já o filme em si fica com o lugar no pódio.

sww154.gif

2º Bronx Warrior Trilogy [1982/83]

Seria injusto deixar qualquer um de estes filmes de fora, mesmo que o segundo seja um bocadinho mais fraquinho na minha opinião. Bronx Warriors foi mais um daqueles filmes comprados as “escuras” numa altura em que o Mad Max arrasava nas bilheteiras, os Bronx Warriors arrasavam no meu DVD. É impossível esquecer Trash, Fred Williamson ou o mítico George Eastman. Recomendado!

Bronx Warriors Trilogy FR.jpg

3º Wyrmwood [2014]

O mundo do cinema está a ganhar novos realizadores que merecem ser seguidos com atenção, depois de uma época entregue aos found fottage talvez a maior praga do cinema, a seguir aos remakes de filmes clássicos que mereciam estatuto de culto e obscuridade, novos talentos começam a surgir. Kiah & Tristan RoacheTurner contaram na edição da revista Scream as dificuldades que tiveram em acabar o seu filme, mas toda a paixão e persistência levou-os a conseguir chegar ao final, e ainda bem. Zombies e Mad Max é uma dupla que merece destaque em qualquer altura. Wyrmwood já merece o seu lugar no estatuto do cult, esperemos agora que Kiah & Tristan não se encostem aos lucros e conseguiam continuar a surpreender-me com bons filmes.

wyrmwood.jpg

4º The Editor [2014]

Interessante enquanto vagueava pelo blogue para ver os filmes que falei este ano, apercebi-me que a maior parte deles foram filmes mais recentes, indo exatamente contra aquilo que eu me propus no inicio do mesmo. Mas por outro lado só mostra que o género de terror está a voltar a surpreender, e a mostrar novos talentos por isso não me posso queixar.

Se Wrymwood foi uma surpresa, The Editor foi a confirmação de como o estúdio Astron 6 está de boa saúde, depois de Manborg e de um talvez a merecer uma segunda visualiza~ção para mudar a minha opinião Father’s Day. The Editor é finalmente o filme tributo que os slashers/giallos italianos mereciam. Mesmo com uma irritante Paz de La Huerta(longe de mim queixar-me da sua presença no filme, mas se não tivesse falas e mostra-se só o seu talento natural teria sido bem melhor para o filme). The Editor é uma lição de como fazer um tributo sem cair no ridículo.

maxresdefault.jpg

5º The Plague of the Zombies [1966]

Ainda tenho 3 volumes da Box da Hammer para ver, por vezes quem tudo quer tudo perde. Como em muitas outras situações comprei mais filmes este ano que em toda a minha vida, desde os saldos, até as black fridays a quantidade de filmes que entraram diretamente para minha estante são mais do que posso contar, mas isso não impediu de ficar fascinado pelo mundo da Hammer quando tive acesso aquela Box, não é certamente por falta de qualidade que não vi os outros filmes, é simplesmente por falta de tempo ou por acabar ser por dar prioridade a outros filmes.

Mas adiante Th Plague of The Zombies consegue ser um filme de “zombies” sem ser chato, sem sem repetitivo, sem ser aborrecido. É uma mistura de cultos, rituais e originalidade. Hoje em dia qualquer filme de zombies ou série que encontramos são simplesmente aborrecidos mas em 66 ainda havia muito por onde se criar e a Hammer não quis perder o comboio nesse aspecto e ainda bem, por aqui ficamos com este fantástico exemplar.

tumblr_mmqyi4fab51s01qkyo1_500

Zombi III

WP_20151212_16_07_54_Pro

Zombi 3, Zombie Flesh Eaters 2 podem-lhe chamar o que vocês quiserem, eu pessoalmente prefiro o Zombi 3 .

Zombi 3 mostra facilmente porque é que o cinema italiano entrou em declínio,é um exemplo perfeito daqueles filmes feitos para tentarem ganhar mais uns trocos antes da bolha explodir. Quer isto dizer que Zombi 3 é um mau filme? Isso já depende do gosto de cada um, para mim o filme é satisfatório só peca pela sua longevidade, mas isso é facilmente explicado nos extras do Blu Ray e ainda melhor no livro que se vê na fotografia.

Fulci quando aceitou fazer este filme já se encontrava demasiado doente, tendo várias vezes “desaparecido” durante as filmagens. Para o seu lugar o produtor Franco Gaudenzi escolheu a dedo Bruno Mattei e o escritor do filme Claudio Fragasso (que ficou com os louros, as na realidade foi a sua esposa que veio com o argumento). E a diferença de filmagem é facilmente detectada para o fã mais acérrimo mas também para o olho comum.

Mas antes de entrar em pormenores vamos a história! Um grupo de cientistas está a criar uma nova arma biológica que tem como objectivo a ressurreição dos mortos, a experiência como é de esperar não corre como previsto e transforma um simples cadáver em uma máquina esfomeada por carne humana. A experiência fica sem efeito, mas antes de poder ser destruída um dos recipientes é roubado,depois de um tiroteio muito fraquinho o vilão dos primeiros 15minutos acaba por se contaminar a ele próprio.

Obviamente mais tarde é apanhado e cremado, e aqui é que os problemas começam, com um vírus que se propaga pelo ar, acaba por contaminar a ilha toda devido ao espalhar das cinzas, esta mensagem que mistura ambiente com poluição é um cópia descarada do The Living Dead at Manchester Morgue mas são estes pormenores que fazem estes filmes ganharem estatutos de culto.

Este filme é facilmente divido em duas partes, as partes más realizadas por Mattei com pássaros zombies, ou as lutas com os zombies que parecem mais uns ninjas que aparecem de todo o lado. E as partes que se aproveitam são aquelas que sem dúvida tem o toque do mestre, a cena do hotel, uma cena mítica que envolve uma piscina e provavelmente a cabeça voadora só podia sair da cabeça de Fulci.

Os zombies filipinos também tem que ter uma palavra de apreço e alguns zombies estão muito bem caracterizados como sempre, é algo que me surpreende sempre nestes filmes Italianos, tudo o resto pode parecer amador, mas as caraterização é sempre excelente.

O filme vai-se arrastando um pouco até ao seu final, mas acaba com uma das frases que representa todo os filmes dos anos 80.

Were going to go back and fight …….But this time were going to win!

Simplesmente poético, Fulci nunca se assumiu fã de este filme mas até hoje nunca se percebeu porque deixou ficar o seu nome como principal director.

Em jeito de curiosidade umas das personagens principais hoje é um director famoso em séries de televisão tendo do seu curriculo episodios de House e CSI Miami.

Fulci Lives!

Curtas & Quentes – 2015

curtas

Com o outono a chegar, chega as “castanhas quenteeeesss e booassss”. Aqui no Alucard’s Corner como não há castanhas e tempo para muito mais que isto ficam aqui as minhas mais recentes visualizações.
Musarañas: Filme espanhol que esteve no Motelx de este ano, mostra-nos que fazer filmes influenciados mesmo que não directamente em grandes escritores como Stephen King e mais precisamente no livro Misery, não precisa de ser um coisa má. Pode-se fazer a mesma coisa muitas vezes desde que se saiba usar outros elementos, Musarañas passa esse teste sem qualquer dificuldade. Recomendado!

The Editor: Argento.. Fulci.. Giallos.. Filmes italianos maus.. The Editor tem isto tudo e muito mais, se os americanos todos os anos lançam “spoof movies”, Astron 6 o estúdio responsável pelo Father’s Day, não quis ficar atrás mas mostra-nos que é possível fazer um filme de comédia sem precisar de recorrer as mesmas piadas de sempre. Se forem fãs dos grandes diretores italianos dos anos 70/80 este filme é para vocês!

Knock Knock: Eu sempre achei o Eli Roth um realizador sobrevalorizado, até hoje não vi nenhum filme dele que me enche-se as medidas.. Este Knock Knock foi a gota de água, começando pelo Keanu Reeves que coitado não sabe representar..não há volta a dar. Em relação as “jovens” do filme são sempre bem vindas quando aparecem em trajes menores, mas se quisesse ver um filme erótico barato, voltava aos tempos da TVI nos anos 90 que davam aqueles filmes interessantes as tantas da noite..

The Final Girls: Gosto de filmes de terror/comédia, acho sempre piada a um filme assim se for bem desenvolvido, este tem com pano de fundo o Sexta Feira 13 e com toques do Último grande herói , nos primeiros 5 minutos de filme fartei-me de rir depois começa-se a caminhar para um drama meio lamechas mas mantêm qualidade até ao final. Um filme que tem sem dúvida um público alvo mais adolescente, mas também aquela malta fã dos slashers.

[Especial Motelx 2015] 5º Turbo Kid [2015]

motelx_turbo_kidNas ruínas de um futuro pós-apocalíptico imaginado de 1997, um adolescente órfão chamado “the kid” dedica o seu tempo à procura de relíquias nos escombros. Um dia encontra uma rapariga misteriosa. Mas enquanto se conhecem, ela é raptada pelo tirano Zeus, também responsável pela morte dos pais de “The Kid”. Destruir Zeus para vingar a morte dos seus pais e salvar a rapariga dos seus sonhos torna-se a sua missão.

Produzido por Jason Eisener («Hobo with a Shotgun») e Ant Timpson, «Turbo Kid» – baseado num segmento concorrente a «ABCs of Death», produzido por Timpson –, estreou este ano em Sundance e a sua sensibilidade romântica gore fê-lo ganhar o prémio do público no SXSW Film Festival.

Sessão 1 – Quarta-feira, 9 Setembro 2015 às 16h30 Sala Manoel de Oliveira

Sessão 2 – Sexta-feira, 11 Setembro 2015 às 00h15  Sala Manoel de Oliveira

Estão dois filmes na programação do Motelx de este ano que me deixam com um entusiasmo fora do normal, um deles é o The Green Room do Jeremy Saulnier que fez o fantástico “Blue Ruin” , e o outro era o Turbo Kid. Para grande felicidade minha este estava disponível para aluguer no site oficial, por uma mínima quantia de £3.50 pode-se ver esta fantástica obra prima de gore, ficção cientifica e claro homenagem descarada a todas as grandes obras dos anos 80.

A nostalgia dos anos 80 está cada vez mais presente dos filmes de hoje, alguns não escondem as suas tendências e simplesmente imitam algo que já foi feito, outros tentam dar-lhe um pouco de originalidade mesmo mantendo aquele tom de clássico oitocentistas.

Turbo Kid faz exatamente isso, não inventa a roda em termos de argumento mas dá-lhe um toque mágico, começando na personagem principal, passando pelos dois vilões Zeus e Skeletron, são razões mais que suficientes para não ficar ficar indiferente a este filme, claro que para mim o grande destaque vai Skeletron com as suas serras fatais que nos proporcionam momentos de gore exagerado como um bom fã de terror gosta. Aquela mascara de Sexta Feira 13 meets Mad Max 2 é simplesmente genial.

Turbo Kid respira e inspira nostalgia e provavelmente muita gente vai torcer o nariz as cenas exageradas de violência, mas se conseguirem ultrapassar esse pequeno pormenor será uma diversão sem limites. Para mim não mudaria um minuto do filme.

Se não tiverem a oportunidade de ir ao Motelx passem por aqui e apoiem este projecto pois ele merece : http://turbo-kid.com/

[Especial Motelx 15] 2º Extinction [2015]

extinction-poster656

Nove anos depois de uma infecção transformar a maior parte da humanidade em criaturas selvagens e inteligentes, Patrick, Jack e a filha Lu sobrevivem sozinhos na localidade de Harmony, um pequeno refúgio coberto de neves perenes. Alguma coisa terrível aconteceu entre Patrick e Jack que os fez odiarem-se profundamente. Mas quando os infectados reaparecem é necessário deixar o rancor para trás para conseguirem sobreviver e proteger o mais importante: a pequena Lu. Miguel ÁngelVivas, realizador da curta portuguesa «I’ll See You in my Dreams» e de «Kidnapped» (MOTELx 2011), regressa aos zombies num filme que descreve como “um melodrama de Douglas Sirk com bichos”, com Matthew Fox da série “Lost” a liderar o elenco.

Sessão 1 Sábado, 12 Setembro 2015 às 18h45, Cinema São Jorge, Sala Manoel de Oliveira

Vamos começar este “artigo” com as boas noticias, a programação do Motelx para 2015 já estava disponível, as más noticias é que está lá este filme.

Ainda se fazem filmes sobre epidemias que exterminam a humanidade, ainda se tentam fazer dramas baseados no mesmo, ainda se tentam fazer filmes de terror sobre este assunto. Todos os anos saem pelo menos uns 10 filmes onde o mundo acabou, onde os monstros “andam ai”, onde existe sempre aquele paraíso em que os protagonistas tem que tentar lá chegar, todos os anos a fórmula fica mais gasta.

Miguel Ángel Vivas não tentou inventar a roda e segui-o a o caminho mais simples, os primeiros 30 minutos são de drama, os seguintes 30 voltam-se para a tentativa de desenvolvimento emocional das personagens, e a hora final volta-se para o terror/suspense acaba por ser muito pouco para um filme que se dá ao luxo de ter quase 2 horas! Se não existe material para mais simplesmente acabem o filme mais cedo,

O leque de actores também não é perfeito, se o Jeffrey Donovan acaba por ter uma representação medíocre, Matthew Fox acaba por ser simplesmente Matthew Fox ou seja a roçar o terrível e o mau.

Nem tudo é mau em Extinction aquela meia hora de suspense/terror acabam por ser interessantes mas o que mais venderá o filme a quem o queira ver será mesmo os “zombies/monstros” que parecem por vezes saídos da cabeça de um “desconhecido” chamado Guillermo del Toro.

Digging up the Marrow [2014]

IGrbJ

Não vou começar o post com mais desculpas de falta de tempo e etc, porque já chega. Acho que já todos perceberam que não actualizo o blogue com a frequência desejada, mas tal como eu ainda está vivo e de boa saúde, logo sempre que tiver tempo para escrever aqui qualquer coisa ou quem sabe meter umas fotografias do material que tenho comprado ele vai sendo actualizado.

Adam West é um realizador que tenho algum apreço, o trabalho dele inclui a saga Hatchet e o Frozen filme que cheguei a falar sobre ele aqui no blogue, mas ainda lhe falta aquele filme que vai lhe dar o empurrão necessário para ser mais reconhecido,

Infelizmente esse empurrão ainda não chegou com este Digging up the Marrow, acho que este filme até o enfia num buraco que ele próprio não se esperava colocar,

Fazer um filme na ideia de um documentário falso é sempre perigoso, ou pode correr muito bem ou pode ser uma hora e meia de encher chouriços como foi este filme,

A história é básica Green recebe uma carta de um fã que o convida a vir conhecer o submundo dos monstros, ele que tem andado a investigar este fenómeno a pelo menos 30 anos, após isso andarmos um hora e meia a espera que alguém saia de um buraco e a levamos com uma orgia de publicidade aos trabalhos anteriores do realizador, não é precisamente a ideia de um bom filme, tem algumas boas ideias como a complexidade dos monstros que aparecem no ecrã por alguns momentos mas não passa de isso, e aquele final está talvez perto do mais horrível possível,

Li pelos fóruns especializados que isto seria uma imitação barata do Nightbreed do Clive Barker, bem como nunca tive a oportunidade de o ver ainda lhe um desconto, mas se um dia tiver essa sorte este filme provavelmente então entra num buraco e nunca mais o tiro de lá, com alguma pena minha pois penso que Green tem talento falta talvez mais confiança para fazer algo mais ambicioso.

Hammer Volume 1

IMG_20150309_154032

O tempo que demorei acabar de ver o volume 1 da minha box da Hammer, foi quase o mesmo tempo que a produtora demorou a voltar a ribalta.

Antes de falar individualmente de todos os filmes que entram neste volume quero deixar aqui um link para o blogue do JC, ele que na criação do seu blogue aprofundou-me o conhecimento pela mítica produtora inglesa e deixou sem dúvida marca na bloguesfera : https://ajanelaencantada.wordpress.com/category/o-gotico-da-hammer/

Admito que comprei esta box totalmente as escuras, não sabia que filmes trazia e ainda hoje estou a tentar evitar a curiosidade de ler qualquer informação sobre a mesma incluído ler a capa de trás de cada volume.

Primeiro filme da box é o She [1965] para grande surpresa minha não era um filme de terror, mas sim com uma aventura a fazer lembrar o grande Indiana Jones mas sem metade do carisma que se espera nestes filmes de aventura,

Christopher Lee actor mais conhecido para mim dos estúdios Hammer tem um papel demasiado apagado e banal, enquanto a história segue o mesmo caminho de tantos filmes de aventura actuais e antigos em que perdemos 30m com os protagonistas a procura de uma “terra”, e passamos o resto do filme a espera que eles fujam da mesma, o único destaque vai para a Ursula Andress “actriz” que consegui-o o milagre de realizar 48 filmes [segundo dados do imdb] sem saber fazer uma representação minimamente convincente. Mas também não era para isso que ela lá estava certamente..

she

Após a primeira desilusão o segundo DVD traz The Nanny [1965] aqui temos apresentação de um thriller acima da média, ainda filmado a preto branco Bette Davis faz um papel fantástico com uma babysitter que trabalha com a mesma família durante anos, num tom clássico do nada é o que parece, The Nanny tem momentos que me fez lembrar o Misery do Stephen King certamente que existe alguma influencia do escritor neste filme. Momentos mais altos de esta obra para além da representação acima da média de Bette Davis, é a ver um criança a fumar “como gente grande”, e o final que vem no momento certo e não falha, pois o filme também está totalmente construído para essa conclusão.

The Nanny (1965) Directed by Seth Holt Shown: Bette Davis

Ao terceiro DVD as minhas mãos tremem antes de colocar o respectivo do leitor, vou finalmente ter o meu primeiro contacto com o monstro sagrado Christopher Lee a fazer de Conde Drácula. Primeiros minutos começam logo com a infelicidade ao descobrir que Dracula: Prince Of Darkness [1966] é uma continuação do primeiro filme, após o choque inicial vamos ao que interessa. O filme começa lento, acompanhamos dois casais a viajarem pela Europa fora até que por “obra” do acaso acabam por ir parar ao castelo do Conde Drácula mesmo quando foram avisados anteriormente para evitarem tais caminhos, após isso temos mais uns momentos para encher filme e construir o ambiente. Christopher Lee finalmente aparece em todo o seu esplendor, o que mais impressiona é que durante todo o filme o actor não diz uma palavra, mais tarde ao ver os extras Lee explica que se rejeitou a ler falas como “Eu sou o Apocalipse” entre outras, porque achava um crime os argumentistas não usarem excertos do livro original, Dracula Prince of Darkness pode ser um sequela mas faz um excelente trabalho e deixa-me curioso por saber se irei encontrar mais filmes do mesmo.

Dracula-PoD

No quarto DVD está o meu filme favorito de este volume, PLAGUE OF THE ZOMBIES [1966 a vitalidade e a popularidade que a Hammer estava atravessar nos anos 60 em que se dava ao luxo de lançar filmes em simultâneo nos cinemas como foi o caso do filme anterior com este que vou falar. Já referi diversas vezes que os zombies são talvez a “criatura” do terror que mais me irrita, talvez porque poucos realizadores souberam usar o seu verdadeiro potencial. Plague of the Zombies usa os rituais “voodoo” para a criação dos mesmos o que acaba por ser uma lufada de ar fresco em comparação aos milhares de vírus que se soltam por ano para contaminar pessoas e filmes.. Os primeiros minutos do Plague parecia que íamos entrar no mundo dos rituais satânicos, que deu também azo a muitos filmes mais tarde pelo mesmo estúdio, mas o cenário muda de figura e vimos a descobrir que numa aldeia inglesa pessoas estão a morrer mais rápido que o normal, o Dr. Peter Tompson escreve uma carta ao seu professor de universidade Sir James Forbes para o vir ajudar a esclarecer o que está acontecer. Sir James Forbes aparece em boa hora, pois se o filme fosse levado pelo actor que interpreta Peter Tompson estaríamos em maus lençóis pois a sua técnica de representação é muito fraquinho. Quando o primeiro Zombie aparece é simplesmente arrepiante, e mesmo que não esteja com uma maquilhagem perfeita ou tão assustadora como nos dias de hoje consegue cumprir e agradar.

PlagueOfTheZombies_still2

Para o final ficou Rasputin:The Mad Monk [1966] lançado também no mesmo ano que os dois filmes anteriores parece que foi realizado simplesmente para Lee mostrar quão versátil era ele, com uma história medíocre e com o único destaque para o habitual Christopher Lee, Rasputin não passa de mais um filme que simplesmente se esquece após a sua visualização ficando só na memória a mítica dança cigana de Lee novamente a mostrar que é um homem cheio de recursos.

Hoje foi dia de …… SUSPIRIA

  suspiria poster2  Source: http://www.darkcitygallery.com/Dario_Argento_Film_Posters_s/1858.htm – Infelizmente Sold Out..

suspiria poster

Source: Não me lembro.. LOL

suspiria5-1024x576

Interessante vermos um filme uma segunda vez, em versão blu-ray e ficarmos ainda mais maravilhados que a primeira vez..

suspiria1

Como será a terceira? O Pai Natal foi generoso para mim e trouxe-me a versão blu-ray para a minha pequena colecção de terror, logo a revisão será mais rápida certamente..

suspiria11

Que o Sandman chegue rápido, pois aquele Dracula 3D ou lá como se chamava aquilo foi demasiado… Estranho?

Top 2014

Estive para terminar o ano a falar-vos do novo filme de Kenshin, mas como o filme está dividido em duas partes e como não sei quanto vou ter acesso a segunda, decidi passar já para o top 2014 de este ano. Como nos anos anteriores vou só colocar filmes que tiver a oportunidade de ver e falar no blogue, talvez antes do fim do ano ainda fale de um filme de natal, depende do meu espirito natalicio…

TOP 2014 – Alucard’s Corner:

1. Zombi 2 / Zombie Flesh Eaters – Isolado no primeiro lugar, violento, sanguinário, brilhante, lutas de tubarões com zombies mas acima de tudo Fulci. Obrigatório sempre, para fãs de terror ou de qualquer outro estilo, Fulci criou um filme que pode ser apreciado por qualquer pessoa. Magnifico!

zombie-flesh-eaters-600x240

2. Cani Arrabbiati – Facilmente cheguei ao primeiro lugar no meu top, admito que o segundo e o terceiro foram lutas renhidas, pensamentos e lembranças dos filmes a lutar entre si por um lugar neste top de tanto prestigio. Cani Arrabbiati acabou por vencer a luta, este filme é sufocante desde o primeiro minuto até ao seu final, a acção quase passada toda dentro de um carro deixa-nos num ambiente claustrofóbico como não sinto a muito tempo, os “vilões” são simplesmente “feios, porcos e maus” sem escrúpulos e bondade. Se Fulci foi o Mestre do Gore, Argento o Maestro do “Giallo”, Bava foi um génio.

Cani-Arrabbiati-il-cult-thriller-di-Mario-Bava

3. À Meia noite levarei a sua Alma – Admito que estive para dar o terceiro lugar a Bay of Blood, mas quando me lembro da minha segunda visualização da obra prima de Marins decidi fechar o pódio com Zé do Caixão.

Zé do Caixão pode não ter sido bem sucedido nos filmes que se seguiram como cheguei a falar durante a minha maratona, mas o primeiro filme da sua personagem tem um toque mágico, toda a ideia do anti-Cristo e da crença no homem é mais que suficientemente tresloucada para fazer um filme de respeito.

Marins pode quase ter assassinado Zé do Caixão com alguns dos seus filmes, mas À Meia noite levarei a sua Alma estará sempre entre nós para o salvar.

a-meia-noite-levarei-sua-alma-1964-2

4. The Devils – Então não era o Bay of Blood em quarto lugar está vocês a questionar-se ? Era para ser sim, até percorrer o meu blogue e ver “The Devils” e as imagens das freiras, os crucifixos, terços, profanações e a Vanessa Redgrave vieram novamente a cabeça, aquele filme que nos choca e nos persegue, aquele filme que não tenta se esconder em rótulos, aquele filme que nos deixa indispostos mas ao mesmo tempo com vontade de rever, a obra prima de Russell merece este ano, o próximo e daqui a 30 anos um lugar no meu top.

the-devils-aslot

5. Bay of Blood (Reazione a Catena) Pronto aqui está ele, Slasher a moda antiga como nós gostamos, pilhas de cadáveres sem razões aparentes, plágio ou homenagens no Sexta Feira 13, e um final pouco ortodoxo, Bava mostra a sua versatilidade e a razão porque é um génio. Obrigado Bava Lives!

bay-of-blood-5

6. Cold Fish / Tsumetai nettaigyo – Já aconteceu a todos, vemos aquele filme que adoramos e queremos mostrar a toda a nossa família, amigos, inimigos, cão e gato e quando acabamos de ver pensamos “que bela porcaria de filme afinal..” é o perigo da segunda visualização muitos deles não vão ao encontro daquele impacto inicial. Cold Fish funciona exactamente ao contrário, vemos uma primeira vez e ele fica no “limbo”, aquela sensação em que o filme fica “entalado” entre a obra prima e o lixo, damos uma segunda oportunidade e levamos um murro no estômago que nos ajuda a engoli-lo. Cold Fish define-se assim engolimos e fica-nos na pele, ou simplesmente vamos vomita-lo porque não aguentamos a sua brutalidade. Sono não é um director convencional..

Cold_Fish_1

7. Shivers – Cronenberg entra sempre directamente para o meu top,  aprendi a gostar de David com o eXistenZ , passei a venera-lo com o “The Fly”, duvidei dele quando vi o “Crash” no Estoril Film Festival onde tive o privilégio de estar no Q&A onde ele nos presenteou com a sua simpatia e humildade, e recordei-o este ano com Shivers. Cronenberg é um caso de estudo, é um realizador que se soltou das amarras do terror para se dedicar a algo diferente, mesmo que não concorde com a sua decisão pois penso que ainda tinha muito para dar, acabo sempre por o perdoar, e quando estou quase a esquecer-me que ele já não se dedica ao terror, vou buscar o Rabid ou Shivers e tudo volta ao normal.

efb06620c4e755dc52172df97c474521

8. Ddongpari – O cinema está cheio de “anti-heróis”, aquelas personagens que são maus por natureza mas como uma bondade escondida, ultimamente o cinema coreano tem nos oferecido anti heróis aos pontapés, em 10 filmes que saem pelo menos um deles certamente que vai ter uma nessas personagens. Mas Ddongpari é outro nível, eu lembro-me de quando vi este filme pensei que ele abusava do drama, ele puxa-nos ao extremos, ele leva-nos com ele para o mundo de Sang-Hoon e quando saímos de lá trazemos cicatrizes profundas. Ddongpari já faz parte da minha colecção de DVD/Blu Ray e hoje tem um lugar no meu top.

Breathless_Ddongpari_6

9. Pintu terlarang – A lista está quase no fim, admito que este ano a minha tarefa foi mais fácil que os anos anteriores, não pela fraca qualidade de filmes mas sim porque o blogue esteve a meio gás, mesmo com a chegada dos filmes da Arrow o tempo não se estendeu, e por vezes a preguiça esse pecado mortal também ganha pontos.

Na nona posição está este filme da Indonésia, se na altura disse que o filme era estranho e surreal, hoje a minha opinião não muda, ele continua a ser surreal e com um final surpreendente, vale a pena a sua visualização nem que seja pela curiosidade.

pintu-terlarang

10. You’re Next – Admito que na minha lista final tinha doze filme para dez lugares, se até ao sexto lugar as coisas estavam mais ou menos definidas daí para baixo as coisas azedaram, tive que fazer prós e contras, tive que puxar pela cabeça para me lembrar das cenas mais marcantes de alguns deles, mas no final You’re Next ganhou o lugar final. Porque? Não por ser original, não por ter uma história digna da Óscar, não porque tem um realizador que adoro. Simplesmente porque é um filme eficaz e vai directo ao assunto, não inventa espíritos, não temos fantasmas, não temos exorcismos, temos assassinos, temos sangue e temos violência. Querem um slasher ? You’re Next é o vosso filme.

youre-next-terrified

Obrigado a todos pela visitas, comentários, sugestões e criticas. Se alguém que acompanha o meu blogue quiser deixar nos comentários o seu top de este ano é mais que bem vindo!

P.S. – Um grande obrigado ao meu grande amigo K. que me fez umas barras novas para o meu blogue! És o Maior!!

Até 2015 ou talvez mais cedo!

 

 

 

[Especial Motelx 2014] Honeymoon [2014]

honeymoon_ver2

Sinopse: “Os recém-casados Paul e Bea viajam até um lago remoto, para aí passarem a sua lua-de-mel. Uma noite, pouco depois de chegarem, Paul encontra Bea a vaguear desorientada no meio da floresta. À medida que ela se torna mais distante, com um comportamento cada vez mais errático e estranho, Paul começa a suspeitar que há algo de sinistro no local e que o que se passou não foi um mero episódio de sonambulismo. O manto do terror cobre lentamente sobre o romance.
 
Tendo estrado no SXSW Film Festival, a primeira longa-metragem da realizadora Leigh Janiak traz-nos uma íntima visão do terror no feminino, inspirada nas obras de Roman Polanski onde o terror nasce no interior dos protagonistas.

Honeymoon não é um filme de terror convencional, é uma viagem lenta de 1h30 mas ao mesmo tempo absorvente que não nos deixa tirar os olhos do filme por nenhum segundo.

Falar sobre este filme sem desvendar bocados da história é impossível, Honeymoon entra no lote restrito do “vejam sem medo”, pois quando menos souberem do filme mais surpreendente vai ser.

Cheguei a temer o pior quando vi o casal a isolar-se numa cabana e a meio do filme alguém disse  “vão-se embora, não fiquem aqui” o cliché mais usado em todos os filmes de terror,

Mas Honeymoon vive dos seus actores Paul [Harry Treadaway] e Bea [Rose Arbuthnot-Leslie] estão com uma química tão intensa que por momentos parece que estamos a confundir a realidade com a ficção, seja nos momentos mais íntimos ou nos momentos finais,

O filme desenvolve-se lentamente mas todos os segundos são preciosos para o final que para muitos pode ser pouco satisfatório, para mim foi suficiente, a fazer lembrar o tempo em que os filmes deixavam os finais a nossa imaginação, e não a piscar os olhos as 1000 sequelas.

Honeymoon como quase todos os filmes de terror actuais vai beber um pouco as influencias dos anos 70/80’s.  Por momentos a mim chegou-me a lembrar uns primórdios de Cronenberg mas sem metade do talento do canadiano obviamente.

Um boa surpresa quando estava já a ficar desesperado por encontrar um bom filme da programação do Motelx de este ano.