Reazione a catena [1971]

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“I make horror movies. My aim is to scare people yet I’m a fainthearted coward. Maybe that’s why my movies turn out to be so good at scaring people”

Mestre Mario Bava

Mais um filme de Bava que aterrou na minha caixa do correio no principio de este mês, quis o destino que só o consegui-se ver no final do mesmo, mas como na vida mais vale tarde que nunca e por Reazione a Catena valeu a espera e demora.

Antes de falar sobre o filme quero só deixar aqui uma palavra de apreço ao artwork que a Arrow Video apresenta neste Blu-Ray simplesmente genial, numa única imagem consegue inserir vários elementos no filme.

Reazione a catena é conhecido por ser provavelmente o pai do “slasher” e foi com essa ideia que comecei a ver o filme, mas nos primeiros cinco minutos parecia que se ia tornar num “giallo” mas Bava surpreende novamente e apresenta-nos logo o assassino para o matar de seguida.

Se nos slashers convencionais temos um assassino que mata e desbrava tudo que lhe aparece pelo caminho, Reazione a catena consegue sobressair-se de uma forma genial.

Para tal conta com um argumento maravilhoso Dardano Sacchetti que junta a ideia de várias personagens que por motivos diferentes desejam ser donos da “baía” que pertencia a condessa assassinada no inicio do filme e para chegarem a tal objectivo não se importam de matar quem lhes aparecer a frente.

Reazione a catena tem todos os elementos de um bom “slasher”, mortes em massa, são 13 em menos de 85 minutos uma delas ficou marcada por ter sido “copiada” para o filme Sexta Feira 13 II, jovens inocentes com o libido em alta para termos a rapariga que corre semi-nua a fugir de um dos nossos assassinos, até ao final mais surpreendente que tive oportunidade de ver recentemente em filmes de terror.

Neste filme como em todos que tive oportunidade, é possível  ver todo o talento que  Bava usava atrás das câmaras,os close ups, as cores algo que é explicado de uma forma muito interessante por Gianlorenzo Battaglia que também merece o seu destaque.

Em termos de curiosidades o Blu-Ray traz alguns extras interessantes, a entrevista com Gianlorenzo Battaglia algo que já referi em cima e também uma entrevista com Dardano Sacchetti argumentista que teve a oportunidade de trabalhar com os três grandes realizadores de terror italianos: Argento , Bava e Fulci deixando pequenas curiosidades sobre os mesmos.

Também fiquei a descobrir que Bava nunca se desejou “internacionalizar” ficando sempre por Itália, rejeitando sempre propostas tentadoras mesmo vindas por exemplo do produtor Dino De Laurentiis que por diversas vezes o quis levar para os Estados Unidos da América.

Bava Lives!

P.S. – Última nota para a banda sonora, Stelvio Cipriani fez um excelente trabalho deixo aqui um “pequena” amostra para se maravilharem, foi-me impossível não “cantar” a primeira música durante o dia todo..

Nota: 8/10

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Cani arrabbiati [1974]

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Mario Bava realizador italiano que não necessita de qualquer apresentação volta ao meu blogue, e como seria de esperar pela porta grande.

Cani Arrabbiati[Kidnapped] foi um filme que por momentos quase se perdeu.Realizado em 1974 esteve guardado na gaveta até 1998 devido a problemas financeiros, jurídicos e talvez algo mais.Infelizmente Bava não viu esta obra prima ver a luz do dia, mas segundo o seu filho Lamberto Bava ele mesmo o considerou-o o melhor filme da sua carreira.

Cani Arrabbiati conta-nos a história de 3 assaltantes que depois de verem o seu condutor de fuga ser morto são obrigados a usar o plano B. Perseguidos pela policia raptam Maria[Lea Lander] para fugir as autoridades, mais tarde apoderam-se do carro de Ricardo [Riccardo Cucciolla] onde se encontra uma criança. A partir daqui o filme desenrola-se quase sempre dentro do veiculo, onde os assaltantes vão usando e abusando das suas vitimas, e como não se podem movimentar muito dentro do carro ficamos sempre com aquela sensação de sufoco e claustrofobia.

Os 3 assaltantes tem personalidades diferentes o que traz outra luz ao filme, se todos fossem iguais talvez se torna-se demasiado fácil e chato.Sendo assim temos o Dottore [Maurice Poli] cabecilha do bando que tenta sempre manter a calma e organiza sempre as fugas e os planos, Bisturi [Don Backy] sádico não tem qualquer problema em assassinar uma refém para fugir a policia logo no inicio do filme talvez seja a personagem com maior transformação durante o filme, e claro Trentadue [George Eastman]  o mais inconsistente, sádico e psicopata do gang que não se faz rogado em atormentar as vitimas durante todo o filme.

Cani Arrabbiati nunca se chega a tornar monótono mesmo que se toda a acção seja quase toda passada dentro de um veiculo.O final também é sem dúvida uma bomba para todos os que conseguirem aguentar o terror psicológico que Trentadue imprime durante o filme.

Bava será imortal e certamente que voltará aqui ao pasquim, pois certamente que pérolas será algo que nunca faltará na sua filmo grafia.

Nota: 7/10

8. I Vampiri [1956]

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I Vampiri tem logo como particularidade ser realizado por 2 directores distintos, primeiro o trabalho foi entregue a Ricardo Freda que também escreveu o argumento, mas após 12 dias de filmagens ainda só tinha metade do filme feito os produtores não contentes com essa situação deram a cadeira de realizador ao mestre Mario Bava para terminar o filme.

I Vampiri é mais um terror gótico que volta a estar de passagem aqui pelo blog. A história passa-se em Paris e jovens começam a desaparecer misteriosamente aparecendo mais tarde os seus corpos sem um pingo de sangue.

Este filme sofre de um síndrome que pode atacar qualquer filme que passe por aqui, não é uma história totalmente original, mas também não desilude pois estava bem construída. Sendo filmado a preto e branco dá sempre outro ar a qualquer filme. O terror gótico funciona melhor assim. Mas por ser assim tão óbvio acaba por se tornar só mais um filme que passa para os vistos e é facilmente esquecido. Se não tivesse um “dedo” de Mario Bava o filme passava completamente ao lado, assim fica a curiosidade para quem for fã do director.

Nota: 6.2/10

Próximo filme: Nude… si muore

4.La maschera del demonio [1960]

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Ao quarto filme volto a encontra-me com Mario Bava e para felicidade com Barbara Steele esta senhora deixou-me impressionado com o filme “The Pit and the Pendelum”, e desde então nunca mais a tinha encontrado por nenhum filme.

Mario Bava usa novamente uma “short story” do escritor russo Nikolai Gogol para fazer um filme. La Maschera del Demonio começa de uma  forma forte, assistimos a morte de um bruxa[interpretada por Barbara Steele] e do seu amante. Após 200 anos e através de uma coincidência a bruxa Katia Vadja volta aos vivos e vai fazer tudo para voltar a viver. O seu plano passa por possuir o corpo da princesa Asa Vadja[Barbara Steele] mas vai ter que enfrentar o irmão e um médico apaixonado pela princesa para tal conseguir.

La Maschera del Demonio é um filme de terror gótico em todas as suas formas, desde o ambiente medieval, as personagens que participam na trama, os enormes castelos. Mesmo filmado a preto e branco o filme consegue ter algumas cenas de terror mais marcantes que muitos filmes de terror actuais.

Ainda irei ver mais um filme de Mario Bava durante esta maratona, mas já me convenceu só com dois filmes que é um excelente realizador.

Nota: 7/10

Próximo filme: Lo strano vizio della Signora Wardh

3.I tre volti della paura [1963]

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O cinema é como uma caixa de chocolates nunca se sabe o que vamos encontrar quando decidimos ver um filme[sim acabei de plagiar o Forrest Gump].

Recentemente Dario Argento esteve na edição do MotelX de 2012, admito que era um nome que conhecia já algum tempo mas nunca tinha tido oportunidade de ver um filme dele, ora após visualização de obras como Suspiria e Profondo Rosso a questão que coloquei a mim próprio foi “Será que existem mais directores italianos que estejam ligados aos melhores filmes de terror de sempre?” perseguindo essa curiosidade, encontrei Fulci e agora mais recentemente Mario Bava.

O primeiro contacto com um novo realizador é sempre um dilema para mim pois nunca sei se devo começar pelo inicio, ou pelo meio ou mesmo pelo final da carreira. Quis o destino que Bava se encontra-se no pack de cinema italiano que encontrei na net, e assim facilitou-me a decisão. Comecei por I tre volti della paura muito porque o titulo inglês/americano é Black Sabbath [óbvio que para mim uma referência pois é o nome de uma das melhores bandas de metal de sempre]. Mas quis também o destino que esse filme fossem 3 histórias distintas, penso que já referi algumas vezes que não gosto de filmes com “short stories” simplesmente porque se houver alguma história que seja mais fraca, acaba por influenciar-me na opinião do filme. Bem I tre volti della paura acaba por mesmo assim juntar duas convincentes, e uma que fica-se pelo mediano.

Na primeira história [The Telephone] acompanha-mos uma mulher que ao chegar a casa começa a receber chamadas estranhas, um antigo amor escapou da prisão e voltou para a atormentar. O ambiente é de total suspense e segura a história mesmo até ao final.

Na segunda história [The Wurdalak] temos como principal atractivo Boris Karloff um actor mítico para qualquer fã de terror, mas por coincidência acaba por ser o capitulo mais fraco, uma história de vampiros contada de uma forma diferente.

O melhor fica para o fim a terceira e derradeira história [The Drop of Water] é baseada num conto de Checkov e conta a história de uma enfermeira que após roubar um anel a uma mulher que tinha falecido recentemente começa a ser perseguida por espíritos/fantasmas. E talvez nesta finalmente se veja aquilo que vi nos últimos filmes de terror italiano, movimentos de câmara geniais, cores e suspense de cortar a faca.

Comecei da melhor forma a conhecer Mario Bava, para o próximo filme as expectativas dobram, pois mesmo que aqui provavelmente não tenha tido oportunidade de mostrar todo o seu valor, tenho a certeza que não ira desiludir.

Nota: 7/10

Próximo filme: La maschera del demonio