Bronx Warriors

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Enquanto toda a gente se anda a babar com o novo Mad Max [eu espero ter essa sorte também brevemente] eu decidi finalmente comprar esta box da Shameless e fazer uma maratona com estas pérolas do cinema italiano.

Se existe algo que os diretores italianos são surpreendentes é na sua versatilidade, acompanham os tempos e adaptam as suas histórias[ou cópias se assim o preferirem], para o momento da moda. Neste caso em concreto os futuros apocalípticos após a destruição nuclear, Enzo G. Castellari soube apresentar 3 filmes com as suas “influencias” (vamos ser simpáticos e chamar-lhe influencias) com uma qualidade que hoje é difícil de encontrar, a qualidade de entreter.

Ora começando pelo Bronx Warriors a história é uma mistura de Escape from New York de Carpenter com os The Warriors de Walter Hill, eu mesmo conhecendo estes dois filmes e gostado de ambos consegui “ultrapassar” a cópia fácil e adorar este filme.

1990 Bronx é uma cidade sem lei e esquecida pelo governo americano, governada por diferentes gangues, desde os Zombies ou os Riders esta paz podre acaba por mudar quando Ann filha de um político poderoso e futuro líder da famosa multinacional “Manhattan Corporation”, foge de casa sem uma razão aparente e quase que acaba por ser raptada pelos Zombies, mas o nosso herói Trash com o seu estilo de metaleiro dos anos 80 com calças até a testa salva o dia.

Com personagens icónicas como o já referido Trash, Hot Dog! ou o The Ogre  representado pelo sempre grande actor Fred Williamson o filme vai desde lutas contras palhaços (outro gangue) a momentos de insanidade mental, até chegar a anarquia final, claro que a personagem que ganha o Óscar para melhor actor dentro do Bronx Warriors será Vic Morrow e a sua personagem “Hammer” que entre outras grandes pérolas de situações, a minha favorita será sempre este monologo: “I work for nobody. I don’t care about the Manhattan Corporation! I don’t care about the girl, I don’t care about politics, I don’t care about anything! I believe in nothing. I’m Hammer – The Exterminator! ” pura magia.

Não havia melhor maneira de abrir esta saga, pena que o filme a seguir Escape from the Bronx acabe por cortar um pouco a qualidade que restava do filme anterior, repetindo um pouca a formula acrescentado só um pouco mais de fogo (literalmente..) vejam os filmes vão perceber esta referencia, nesta segunda aventura de Trash pelo Bronx acaba por ser um pouco mais fraquinha, parece que tentaram fazer uma história mais complexa, mas acabaram por lhe tirar um pouco daquela mística do primeiro filme, claro que Trash continua no seu melhor, o seu estilo pouco muda do filme anterior acrescentado só agora um momento dramático de fazer ir as lágrimas de tanto rir, ou chorar para os mais sensíveis.

Mas a saga termina com o meu filme favorito, aqui sim temos uma cópia do Mad Max, o orçamento minúsculo com que Castellari teve que trabalhar podia meter pena, mas acaba por ser uma vitória. Este realizador italiano que tantas vezes é referenciado por Tarantino como a sua maior inspiração mostra como se faz bom com pouco, ao contrário do que se vê atualmente que grandes orçamentos não significam grande filmes.

Mas vamos ao filme.. I Nuovi Barbari (The New Barbarians) passa-se em 2019 um guerra nuclear arrasou o planeta, os poucos que sobreviveram tentam-se esconder do gangue “Templars” que tem como único objetivo acabar com qualquer ser vivo na Terra e pelo meio ter relações homossexuais (mas isso é outra história..) que o seu melhor momento será novamente a grande frase do seu líder “One” : “The world is dead. It raped itself. But I’ll purify it with blood! No one is innocent! But only we, the Templars, are the ministers of revenge!”.

Num de esses ataques os Templars acabam por se envolver numa rixa com Scorpion um ex-membro ou nunca aceite membro, fica a vossa escolha. Ele acaba por salvar Alma(a mais que belíssima Anna Kanakis que foi Miss Itália em 77),

Não vale a pena falar muito sobre este filmes sem estragarmos o produto final, mas entre os pormenores mais deliciosos para mim serão os carros cobertos de esferovite, os efeitos sonoros disparados pelas armas são de outra dimensão, já para não falar do pequeno actor Giovanni Frezza aqui trabalha como mecânico mas, mais tarde acabou por fazer filmes com Fulci e do Lamberto Bava.

Como não podia deixar de ser Fred Williamson também entra no filme desta vez é um arqueiro impressionante, o filme tem novamente entre explosões e perseguições e uma banda sonora de fazer inveja a muitos filmes, Castellari fecha a sua saga com chave de ouro. Do meu lado só me falta fechar a caixa e colocar na prateleira, sei que brevemente voltarei a rever estás pérolas, e aqui está a diferença dos filmes que nos marcam.. e os filmes que facilmente esquecemos.

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Hammer!!

Fotografia0143Aqui está ela! A minha linda box da Hammer, quase duas semanas de espera, devido aos correios ela chega finalmente! Com grandes filmes e outros talvez nem tanto, não vejo a hora de mergulhar no mundo da Hammer, que felizmente para qualquer fã de terror voltou timidamente ao cinema, mas com resultados para já prometedores.

“A collection of 20 classic horror films from the Hammer film studios: ‘Blood From the Mummy’s Tomb’ (1971), ‘Demons of the Mind’ (1972), ‘The Devil Rides Out’ (1968), ‘Viking Queen’ (1967), ‘Dracula, Prince of Darkness’ (1966), ‘Fear in the Night’ (1972), ‘Frankenstein Created Woman’ (1967), ‘The Horror of Frankenstein’ (1970), ‘The Nanny’ (1965), ‘One Million Years BC’ (1966), ‘Plague of the Zombies’ (1966), ‘Quatermass and the Pit (1967), ‘Rasputin, the Mad Monk’ (1966), ‘The Reptile’ (1966), ‘The Scars of Dracula’ (1970), ‘She’ (1965), ‘Slave Girls’ (1967), ‘To the Devil a Daughter’ (1967), ‘The Vengeance of She’ (1968) and ‘The Witches’ (1966).  “

Bulshinjiok [2009]

kinopoisk.ru

Será que o cinema asiático também se torna repetitivo? Será que também tem crises de ideias? Será que os espíritos pelo continente Asiático andam sempre atormentar a malta? Parece que a resposta é “Sim” e este filme vem só acrescentar mais um espírito ao já saturado mercado de terror asiático.

Bem a história é do mais cliché já visto, uma rapariga desaparece e a irmã volta a casa onde vive a sua mãe ultra religiosa para tentar perceber porque ela desapareceu, começam acontecer uns suicidos estranhos.. e pronto o resto já se sabe onde vai dar.

Bulshinjiok ou também conhecido por Possessed até tenta acrescentar uns elementos novos que se fossem melhor explorados podia ter tornado o filme mais interessante, usando o tema da religião e da fé e até onde nos pode levar a crença.

Mas se não fossem os últimos 10 minutos que finalmente foram originais o filme tinha passado para a fantástica secção “Eu já vi isto em algum lado”,

Assim junta-se a mais um filme a mini maratona não oficial de filmes de terror asiáticos, e só acrescento mais um filme a lista de filmes que já vi e depois nunca mais me vou lembrar do mesmo.

Nota: 5/10

8. I Vampiri [1956]

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I Vampiri tem logo como particularidade ser realizado por 2 directores distintos, primeiro o trabalho foi entregue a Ricardo Freda que também escreveu o argumento, mas após 12 dias de filmagens ainda só tinha metade do filme feito os produtores não contentes com essa situação deram a cadeira de realizador ao mestre Mario Bava para terminar o filme.

I Vampiri é mais um terror gótico que volta a estar de passagem aqui pelo blog. A história passa-se em Paris e jovens começam a desaparecer misteriosamente aparecendo mais tarde os seus corpos sem um pingo de sangue.

Este filme sofre de um síndrome que pode atacar qualquer filme que passe por aqui, não é uma história totalmente original, mas também não desilude pois estava bem construída. Sendo filmado a preto e branco dá sempre outro ar a qualquer filme. O terror gótico funciona melhor assim. Mas por ser assim tão óbvio acaba por se tornar só mais um filme que passa para os vistos e é facilmente esquecido. Se não tivesse um “dedo” de Mario Bava o filme passava completamente ao lado, assim fica a curiosidade para quem for fã do director.

Nota: 6.2/10

Próximo filme: Nude… si muore