[VN #3] Eaten Alive – 1977

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Amigos e amiguinhas aqui voltamos nós para mais um video nastie. Este foi particularmente perseguido por Mary Whitehouse uma das grandes vozes por trás de esse movimento que foi os “Video Nasties”.

Eaten Alive ou Death Trap é o nome pelo que este filme é mais conhecido, mas numa pré-visualização ao público foram sugeridos os seguintes nomes, Hotel Psycho, Croc, Jaws of Death ou para mim o melhor de sempre “Bored to Death”.

Hooper não é o meu realizador favorito, aliás penso que já deixei várias vezes aqui vincado que tenho um ódio de estimação por este realizador, não sei de onde vem esta implicância mas sei que pode por vezes toldar-me o julgamento sempre que vejo um filme dele. Mas penso que este Eaten Alive nem mesmo o fã mais acérrimo de Hooper é capaz de dizer que isto é um bom filme sem se penitenciar três vezes.

A história(?) gira a volta de um de um sem ninguém que tem um hotel no Texas e como animal de estimação tem um crocodilo, ao longo do filme ele vai matando pessoas e atira-as ao crocodilo, e acabou! Podia-se resumir a isto este filme de tão pouco conteúdo que tem. Tenho tanta pena de ter visto este filme que demorei quase um mês só para escrever algo sobre ele.

Mas desenvolvendo um pouco mais, temos Buck representado por Robert Englund o eterno Freddy Kruguer com a frase mais emblemática do filme “Name’s Buck… and I’m rarin’ to fuck.” Temos um ou outra atriz que não se inibem de mostrar os seus dotes mais artísticos, e temos uma banda sonora estranha mais que funciona de alguma forma.

O filme no final torna-se um pouco mais violento mas já é tarde para salva-lo, mais uma vez imagino que este filme tenha sido banido pela sua violência final e talvez por ser um pouco misógino.

Em termos de algo diferente e para encher texto os extras do bluray da arrow são sempre agradáveis incluindo então um documentário, entrevistas com o Hooper onde ele tenta justificar a porcaria que fez, entre outros.

Próximo Nastie: La casa speduta nel parco

[VN #2] L’ultimo treno della notte – 1975

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História: Margaret e Lisa, são duas amigos da escola , ele decidem ir te comboio para Itália para passar o natal em casa da família da Lisa. Durante a viagem acabam por conhecer e provocar dois jovens delinquentes, após uma pequena coincidência eles todos acabam por partilhar uma cabine no último comboio para Itália..

Foram vocês que pediram mais um Video Nastie? Ora bem aqui está ele, o filme foi rejeitado pela primeira vez no Reino Unido em 76 quanto tentava chegar ao cinema, após toda a polémica há volta dos “video nasties” acabou por ser banido em 83, mas acabou logo por ser retirado no ano seguinte, só viu finalmente a luz do dia no Reino Unido em 2008 lançado em DVD pela grande Shameless Screen Entertainment, a minha versão é um blu ray da 88.

Night Train Murders é sempre comparado ao “The Last House in the Left” realizado por Wes Craven, mas para quem gosta de ser tão preciso, também se pode dizer que Craven foi beber inspiração ao The Virgin Spring de Bergman logo vamos ignorar qualquer ideia de ser uma cópia barata, claro que tem as suas parecenças é inegável rejeitar tal comparação mas na minha opinião acaba por ser melhor que o The Last House in the Left.

O filme passado na época de natal abre logo com uma cena de violência protagonizada pelos nossos vilões, ao fugirem da policia acabam por entrar no comboio onde irão encontrar as suas vitimas. Os primeiros 30 minutos de filme podem ser lentos, mas servem perfeitamente para construir suficiente suspense para o que está para vir.

Aldo Lado sabe construir bem o ambiente principalmente na segunda parte do filme quando as nossas personagens estão todas juntas, o suspense há volta do que pode vir acontecer é claustrofóbico e sufocante, o filme tem a sua violência física mas nunca mostra nada em excesso, a grande ideia será mesmo provocar uma violência psicológica. A forma como os nossos vilões são manipulados pela excelente “Lady in the Train” [Macha Méril] é simplesmente genial.

Night Murder Trains consegue facilmente o seu lugar da lista dos “nasties” e fico admirado que tenha saído da lista de uma forma tão abrupta, pois ainda hoje consegue causar calafrios, apesar de vivermos numa época em que matar uma pessoa parece cada dia ser algo comum e sem qualquer consequência para o seu infrator.

Next: Eaten Alive aka Death Trap

[Video Nasties #1] – Don’t Go Into the Woods.. Alone (1981)

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Quando era ainda um miúdo ouvia diversas vezes a malta a falar sobre filmes que tinha sido banidos em vários países, principalmente quando se falava do Cannibal Holocaust. Eu na minha inocência de criança sempre pensei que fosse mentira, que não ia haver ninguém que anda-se a ver filmes e bani-los do público em geral. Nunca haveria nenhum filme que seria tão brutal que fosse necessário bani-lo!

Mais tarde descobri a verdade, sim existem filmes banidos em vários países, alguns deles nunca verão a luz do dia, pois todas as suas cópias foram destruídas. Felizmente para os fãs de terror como eu muito deles estão hoje a ser re-lançados em versão melhoradas e cheias de extras para agrada-o de todos nós.

Decidi então fazer uma pequena pesquisa para saber quais foram os filmes que estiveram ou ainda estão banidos nos dias de hoje na Inglaterra. Ora o total de filmes banidos durante esta época de caça as bruxas foram de 72 filmes banidos, ficando mais conhecida a lista final dos 39 “malditos vídeos”, ora bem eu adoro uma boa polémica logo decidi meter a procura de todos os filmes banidos, podia-me ter ficado pelos 39, mas decidi aplicar-me aos 72! Hoje já consegui apanhar pelo menos uns 10 mas estou decidido a este ano dedicar a aumentar a minha coleção.

Sendo assim decidi partilhar aqui no blogue os que consegui apanhar, o primeiro que apresento aqui é o Don’t Go Into the Woods… Alone! a razão para este filme ter ser banido até 2007 só pode ter sido porque os censores tem bom gosto e queriam evitar que alguém gasta-se dinheiro numa coisa como estas, ora ele é mau, infelizmente é mesmo muito mau.

James Bryan é o homem por trás da câmara, o argumento foi escrito por Garth Eliassen que para grande surpresa minha só tem dois filmes associados a si no IMDB um talento raro como este devia ter espalhado a sua magia pelo mundo do terror/comédia/drama tudo o que quisesse.

O filme para começar não tem história nenhuma, mas a ideia geral seria, quatro amigos decidem ir acampar para a floresta, que deve ser maior que a Amazónia ou talvez mais pequena que o pinhal da Parede, mas isso fica ao gosto de cada um e acabam por ser perseguidos por um assassino. Ora personagens aleátorias vão aparecendo só para morrer, o nosso maníaco parece uma mistura de um homem do ferro velho com um selvagem saído do grande “The Hills Have Eyes”.

A montagem do filme é hilariante, ora está de dia ora está de noite no mesmo take. As personagens que vão aparecendo para morrer são qualquer coisa especial, a minha favorita será sempre a pintora de óculos de sol! Muita gente adorou o homem de cadeira de rodas. O filme consegue arrastar-se durante 1h20! Sem qualquer lógica ou razão para tanta morte aleatória, o culminar de um filme que não se percebe como viu a luz do dia acaba numa banda sonora simplesmente agonizante, estive por momentos prestes a tirar o som pois os meus ouvidos não aguentavam mais. O filme é simplesmente mau demais, mas quando estava a fazer o “rewind” na minha cabeça deu-me uma imensa vontade de rir.

Mas o melhor ainda estava para vir, nos extras do blu ray da 88films temos um documentário feito pelo próprio diretor sobre o seu filme.De inicio parecer querer cortar a responsabilidade de ter feito tal coisa que começa por agradecer ao “Peter Turner” por ter ajudado a lançar este filme. Ora fiquei com a ideia que ele estava mais a corta-se a si mesmo do filme.

O documentário de quase 50m é novamente um momento de diversão involuntária, entre as entrevistas com os actores que admitem que não sabem representar, ao momento que o compositor da banda sonora mais horrorosa que ouvi na minha vida disser que trabalhou para grandes empresas de videojogos onde emprestou o seu talento para fazer bandas sonoras, terminamos com o realizador a gabar-se que o seu filme esteve nos cinema com o E.T..

O melhor como sempre fica guardado para o fim, o director admite que o filme é mau mas a sua ideia sempre foi essa.

Admito que não aconselho este filme a ninguém mas se alguém tiver a coragem de o fazer, não se esqueçam a televisão tem a opção de tirar o som e melhor se optarem pelo blu ray da 88Films o documentário vale pelo filme todo.

 

Curtas e Quentes II

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Como qualquer bom filme de sucesso a sequela está sempre a espreita, depois de a primeira edição das Curtas e Quente, chega directamente de várias partes do mundo, o Curtas e Quentes II.

The Town That Dreaded Sundown: Os slashers nasceram com Halloween? Os anos 80’s conseguiram aperfeiçoar os mesmos, mas então o que podemos dizer de este filme que já tinha essa génese dentro de si? Um rascunho do que se viria a tornar o cinema e terror dos anos 80, mas aqui não temos um slasher tradicional, temos sim um filme quase em forma de documentário para contar uma história real. O filme tem suspense momentos de comédia para aliviar a tensão, The Town That Dreaded Sundwon cumpre tudo o que prometeu. Não deslumbra mas também não se compromete a dar um final satisfatório ao espetador. Mesmo com pouca visualização ou conhecimento não escapou ao clássico remake, logo a sua marca foi deixada.

La Polizia Chiede Aiuto aka What Have They Done to Your Daughters?: Shameless Screen Entertainment pode até andar mais morta que viva, não lança um filme já há algum tempo, mesmo que algumas noticias apontem para algumas novidades para o novo ano, até agora não surgiu nada de concreto.Mas até que se decidam a fazer algo, é sempre bom vasculhar pelo catalogo extenso que nos oferecem, este filme em concreto foi-me oferecido devido a uma duplicação. Logo fui totalmente as escuras sem saber com o que contar.

Os primeiros 5 minutos são um pouco amadores, a cena inicial onde temos um manequim enforcado a fazer-se passar por uma rapariga prometia um filme B daqueles há moda antiga, mas aos poucos o filme foi ganhado mais história, misturando com sucesso dois estilos muito italianos o giallo com o policial.

Curioso uma das personagens ser um motoqueiro algo que já tinha aparecido do meu mais recente “post” Nightmare Beach, o filme aguenta bem a sua história até ao final, deixo destaque para a cena do parque de estacionamento, alguns momentos do filme são bem amadores, mas numa altura que se faziam filmes em Itália como pão quente é de louvar que este tenha conseguido sobreviver ao tempo, se forem fãs de Massimo Dallamano, que tinha já deixado uma boa impressão com ‘What Have They Done To Solange?, corram para este filme, se encontrem a versão da Shameless a um bom preço comprem, mas pré aviso que a cópia em si deixa muito a desejar chegando ao cúmulo de misturar dobragem em inglês com legendas.

The Cat o’ Nine Tails: Tinha comprado o blu-ray da arrow já a meia dúzia de meses, mas como sempre outros filmes foram subindo na escada, recentemente decidi finalmente dar um oportunidade a segunda longa metragem de Argento, infelizmente por muito que queira não me consegui-o fascinar, tem alguns momentos agradáveis, mas ao mesmo tempo tem também muito “encher chouriços”, já para não falar na cena de sexo mais ridícula na história do cinema. O filme salva-se pelo grande papel que Karl Malden faz mas isso nunca será suficiente.

Fascination: Li recentemente que qualquer fã de terror, acaba mais tarde ou mais cedo a bater na porta de Jean Rollin. Eu nunca procurei nada sobre o mesmo, mas numa conversa de café com um amigo ele falou em no Fascination e a sua forma de arte pouco convencional para os dias de hoje. Pedi-lhe o DVD emprestado e abri a mente ao mundo de Rollin, abri as minhas portas aos filmes eróticos com toques artísticos.

Rollin parecia ter uma ideia definida para o seu filme os primeiros minutos mostram o seu plano, mas talvez com medo de perder os seus espetadores com longos planos “made in europa”, mostra-nos os primeiros seios logo 10 minutos depois da abertura do filme e partir dai a nudez feminina entra sem aviso em qualquer cena. Longe de mim me chatear com isso, mas provavelmente um bocadinho mais de história ou mesmo se tivesses persistido mais na ideia que tinha nos primeiros minutos o filme foi-se mais satisfatório, de qualquer das formas Brigitte Lahaie rouba o filme em todo o momento que aparece no ecrã, e mostra-se bem a vontade para andar a mostra-se nua sem qualquer complexo, claro que o destaque vai para a parte da “morte”. Rollin pode não ser tão artístico como o querem pintar, mas também não é um caso perdido.Álias já ando a procura do seu outro clássico “Grapes of the Death”.

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[Extra] Encarnação do Demónio [2008]

Fotografia0035Demorou o seu tempo mas chegou o “extra” prometido, nada mais nada menos que o filme Encarnação do Demónio  a conclusão da trilogia do Zé do Caixão  que chegou aos cinemas quase 40 anos depois e  finalmente aterrou em 2008.

Tal como o Maestro Argento demorou a concluir a trilogia das “Três Mães” também o nosso coveiro favorito demorou cerca de 40 anos para finalizar a sua obra. Entre problemas técnicos e entre 5/6 vezes tentativas frustradas finalmente temos o produto final.

A pergunta que se coloca logo ao colocar o Blu-Ray no leitor é “Será que Mojica ainda está em boa forma para fazer um bom filme de terror?”, após os primeiros 10 minutos todas as dúvidas se dissipam.

Mojica com a sua habilidade e claro com ajuda externa apresenta-nos um trabalho competente, consegue até promover os seus filmes mais antigos sem precisar de grandes artifícios.

A história do filme é a seguinte, passado 40 anos Zé do Caixão é finalmente solto do seu cativeiro, a sua espera está Bruno o seu fiel “empregado” que nos foi apresentado no “Esta Noite Encarnarei no seu Cadáver”. Ao chegar a sua residência Zé do Caixão não esquece o sonho de ter um filho que lhe conceda a imortalidade através do seu sangue.

Mojica adapta-se bem a nova onda do cinema de terror . Se os seus filmes mais antigos tínhamos Zé em grandes diálogos filosóficos a roubar todas a cenas do filme, aqui Zé do Caixão divide os seus diálogos sobre a vida e a morte,  com sangue e violência gratuita. Algumas torturas para agradar os novos fãs de terror,agora com mais liberdade sem problemas com a censura militar por isso podem esperar violência de fazer inveja alguns filmes americanos mas também usa e abusa de mulheres nuas, Mas para mim o mais importante é que mantém a sua matriz e não se esquece dos seus fãs mais antigos ao ponto de fazer pequenas homenagens aos seus filmes sem parecer pretensioso.

Mais interessante é o pequeno making off (o único extra que o blu-ray traz) onde vemos um Mojica a tentar adaptar-se as novas tecnologias como por exemplo a obrigação de filmar com som, algo que ele não estava habituado e ficamos também a saber que a maldição dos actores que morrem ao participar nos filmes do Zé do Caixão ainda são verdadeiras.

O Coveiro em 2008 arrumou a sua capa e cartola, mas tenho a certeza que não será por muito tempo. Pois o público merece mais Zé, e tenho a certeza que Mojica também assim o deseja.

Obrigado Zé! Até logo.

Nota: 7/10

 

Maldito – O Estranho Mundo de José Mojica Marins [2001]

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Para finalizar a minha maratona do Zé do Caixão a Anchor Bay empresa responsavel por esta box apresenta-nos um documentário de 2001 realizado por André Barcinski e Ivan Finotti.

Um documentário que não tem mais de 1 hora que tenta de um forma bem leve e resumida passar em revista toda a carreira cinematográfica de Marins, focando vários filmes do mesmo mas claro com um maior ênfase a personagem Zé do Caixão.

Ao fim da curta duração do documentário ficamos a conhecer um lado mais humano de Marins, os seus gostos pessoais, a sua paixão pelo cinema, a “fonte” para muitas ideias dos seus filmes, a dificuldade de aprovação dos seus filmes pela censura brasileira e a obrigação de “cair” para o mundo porno para sobreviver.

Interessante ver Marins num lado mais intimo depois de uma maratona de filmes e finalmente perceber a origem da personagem Zé do Caixão. Ficamos também a conhecer a razão pela qual a sua personagem encontra-se tão desligada da igreja católica.

As histórias de bastidores dos filmes de Marins são sem dúvida a parte mais interessante de todo o documentário, quero só deixar novamente como ponto negativo a duração do documentário mas acima de tudo penso que faltou falar mais sobre a  influência que Marins teve no cinema de terror brasileiro, assim ficamos só com uma ideia muito superficial do seu trabalho e da sua marca.

Nota:7/10

P.s. – Como esta box não traz qualquer extra eu próprio decidi arranjar um “extra” para finalizar esta maratona. Brevemente aqui no blogue.

A Meia Noite Levarei a sua ALMA!