Shivers [1975]

shivers_poster_01Cada vez que vejo um filme de Cronenberg fico surpreendido com a qualidade das suas obras, facilmente entra num “top” qualquer de melhores realizadores de terror sem precisar de esforçar muito, a forma como consegue reinventar os o género de terror é algo que me deixa sem dúvida impressionado.

Shivers é a sua primeira longa “oficial” depois de vários filmes para TV e um esquecido “Stereo” em 69. Escrito e realizado pelo próprio e com fortes influencias do mundo zombie de Romero, Shivers mistura tudo o que caracterizou mais tarde as suas obras, gore visceral, erotismo e terror de qualidade.

Os primeiros 10 minutos de Shivers mostra-nos logo que Cronenberg não deseja criar um ambiente clássico dos filmes de zombies, ele passa logo ao ataque para deixar o espectador logo surpreendido, a morte inicial de uma jovem seguida do suicido do assassino sem qualquer explicação inicial corta logo aquele momento de acomodação, em que ainda nos estamos habituar ao nosso lugar.

A partir daqui descobrimos que um cientista andava a criar parasitas para ajudar no transplante de órgãos ou pelo menos era o que se julgava ao inicio. Esses mesmo parasitas ao apoderam-se do seu “hospedeiro” neste caso de um ser humano, e as consequências são a libertação de um desejo sexual incontrolável, e é mesmo neste ponto que o filme consegue surpreender, pegar num mundo zombie e dar-lhe um toque diferente.

O gore visceral que Cronenberg nos habitou acaba por aparecer mais tarde, quando os parasitas em questão se começam a manifestar, não consegui deixar de me lembrar do “Alien” em vários momentos que acabaria por sair 4 anos mais tarde.

Se não basta-se tudo o que disse anteriormente ainda temos a belíssima Barbara Steele em cena, mesmo com pouco protagonismo é sempre uma lufada de ar fresco em qualquer filme.

Shivers surpreende mesmo sem grandes artifícios mostra mais uma vez, que com força de vontade e com alguma imaginação é possível fazer um bom filme de terror sem voltarmos a bater na mesma tecla vezes sem fim.

Lo squartatore di New York [1982]

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Conheci Lucio Fulci com o filme “…E tu vivrai nel terrore! L’aldilà”, terror acima da média, qualidade de efeitos especiais de fazer inveja para a época, e aquando o seu lançamento foi banido em alguns países.

Coincidência ou talvez não Lo squartatore di New York encontrou o mesmo destino, banido em vários países, com algum extremismo clássico da época, como por exemplo do Reino Unido em que as cópias foram aprendidas e “escoltadas” pela policia até ao aeroporto para serem “deportadas”.

Curiosidades deixadas de lado vamos ao filme em si. Lo squartatore di New York conta-nos a história de um assassino com “voz” de pato [talvez a parte que menos me entusiasma no filme,mesmo sendo justificada no final] que vai assassinado mulheres bonitas e com uma sensualidade(ou um libido altíssimo se assim o quiserem), após as primeiras vitimas um policia junta-se a um psicólogo para tentar descobrir o estripador de Nova Iorque.

Fulci leva-nos para um submundo de Nova Iorque a fazer lembrar vários filmes de essa altura, em que vamos seguindo pelo mundo da prostituição, perversão e sexo.

O gore que encontramos no filme, arruma num canto muito dos filmes actuais, pois as suas cenas deixam sequelas para os olhos mais sensíveis. Basta-me lembrar me do assassinato da prostituta favorita da nossa policia em que o nosso estripador corta um olho, entre outras coisas com uma lâmina de barbear.

Lo squartatore di New York não é um filme de fácil visualização, nem tem actores dignos de grandes prémios do cinema. É um filme que usa e abusa da sensualidade feminina e claro do gore característico de Fulci. Sem dúvida um must see!

Nota: 7/10

Gurotesuku [2009]

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Nos dias de hoje qualquer pessoa com uma câmara e um orçamento minúsculo pode fazer um filme. Acredito que toda a gente que gosta de ver cinema tem esse sonho, ou pelo menos fazer algo parecido.

Kôji Shiraishi realizou esse sonho e consegui-o transformar num pesadelo. Grotesque é um filme de tortura e gore sem fim. A história do filme não existe, mas se existisse ou se fosse preciso explicar seria algo como: “Dois jovens são raptados por uma maníaco[que parece um Takeshi Kitano mais novo] que se diverte a torturar as suas vitimas da pior forma possível e imaginaria, usando um argumento que se eles o satisfazerem sexualmente ele os solta.”

Grotesque é mau em todos os sentidos, não é por ter gore em demasia pois isso aguento sem problemas, não é por ter um das piores torturas que vi até hoje pois isso também consigo aguentar, é simplesmente mau porque não tem qualquer história é mesmo só sangue, tortura e um sádico com um chapéu de médico que parece mais um cozinheiro. Mas consegue acompanhar todos os clichés de este tipo de filmes não faltando a música clássica enquanto o nosso maníaco tortura a suas vitimas.

A única parte que salva o filme é o final épico,e não é porque finalmente acaba a tortura de ter perdido 1h10 a vê-lo, é porque é mesmo simplesmente fantástico.

Provavelmente daqui a uns anos é considerado um filme de culto pois foi censurado em vários países.

Nota: 4/10

The ABCs of Death [2012]

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Pseudo-Review: Decidi fazer uma pausa na maratona Hellraiser para não afectar os próximos filmes, pois ultimamente tudo me parece mau. Decidi então ver este filme que estava na minha lista para ver desde que ouvi falar no seu projecto. Foram convidados 26 directores do mundo do terror e não só, cada um escolheu uma letra e criou uma história de morte a partir da letra escolhida. Óbvio que não vou falar das 26 short stories deixo só aqui uma nota para os meus favoritos e um ou outro apontamento para os que me desiludiram,

Marcel Sarmiento (segment “D Is for Dogfight”) – Marcel Sarmiento oferece uma história que não tem diálogos só música, e com uma ideia completamente bizarra uma luta entre um humano e um cão e numa short storie de 5 minutos que ainda consegue dar um twist final muito interessante, só com música de fundo tem um resultado surpreendente.

Noboru Iguchi (segment “F is for Fart”) – Iguchi é conhecido pelos seu filmes ridículos, de mistura de comédia com gore, este tem comédia e não precisa de gore, inclui-se facilmente naquela rubrica “está tão mau que acaba por ser bom”.

Yudai Yamaguchi (segment “J is for Jidai-geki”) – Yamaguchi segue os mesmos passos que o seu companheiro Iguchi, usa uma história de Harakiri para a tornar completamente ridícula, e com um pouco de sangue. Realizador que tem no seu currículo Versus e Battlefield Baseball.

Timo Tjahjanto (segment “L is for Libido”) – Tjahjanto tem para mim a história mais macabra e a melhor short storie do filme todo, não vou contar nem um pouco da história pois assim é que irá surpreender, um segmento que tive que confirmar que não era realizador por Spasojevic [que realizou o Serbian Movie].

Adam Wingard (segment “Q Is for Quack”) – Wingard simplesmente brinca durante 5 minutos com a escolha da sua letra e acaba por criar mais uma história de terror/comédia. Agradável o suficiente para entrar no meu top.

Lee Hardcastle (segment “T Is for Toilet”) – Mais uma dos meus favoritos, tudo feito em plasticina uma história simples mas eficaz, e gore em plasticina é sempre outra coisa, espero que Hardcastle nos volte a surpreender muito brevemente pois fiquei com imensa curiosidade para ver mais trabalhos do mesmo.

Jon Schnepp (segment “W is for WTF?”) – Este senhor tem no seu currículo a série Metalocalypse mas não nos apresenta nenhum filme de animação, mas sim uma viagem totalmente psicadélica.

Para outros destaques temos o”X is for  XXL ” de Xavier Gens e Jake West com “S is for Speed”

Em relação aos que me desiludiram destaco  Ti West com “M Is for Miscarriage” , Jason Eisener com “Y Is for Youngbuck” para a mente do “Hobo with a Shotgun” esperava muito mais, e a dupla que esteve por trás de Amer trás uma continuação não oficial do mesmo com “O is for Orgasm”.

Em termos gerais são 2horas de filme que passam muito rapidamente e acabam por ser um boa forma de fazer terror de forma diferente.

Nota: 7.5/10

 

Lik Wong [1991]

História: Um jovem com força sobre-humana está preso numa prisão dirigida por funcionários corruptos ele vai usar as suas artes marciais para limpar o sistema prisional.

 

Pseudo-Review:  Lik Wong vai de encontro aquilo que se procura num filme de artes marciais, aquele estilo que por vezes me recorda sempre os jogos que eu adorava na minha antiga mega drive, em que o herói(Siu-Wong Fan) luta contra tudo e contra todos e no final termina sempre com uma mítica luta entre o herói e o boss final. Lik Wong tem cenas de gore quanto baste, tem uma das cenas mais míticas numa luta em que o adversário de Lik Wong utiliza a técnica do Harakiri para retirar o intestino delgado para sufocar o nosso protagonista e além nisso ainda tem sangue aos litros. Na minha modesta opinião a grande falha é mesma a escolha do actor principal pois tem uma cara demasiado limpa e bonita para ser uma autentica maquina destruidora.

Para quem gosta de gore dos anos 90 em que era tudo feito a “mão” e não a computador este é o vosso filme.

Nota: 6.5/10

Diário de Bordo – Motelx 2012

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Bem finalmente tive algum tempo para escrever algum sobre o último Motelx, só me foi possível ir lá no último dia onde tive uma injecção de quatro filmes, não irei escrever quase nada sobre os mesmos pois já passou alguns dias, a minha memória não é a melhor e ia ser injusto com os filmes para o bem e para o mal.

Antes de mais um funny fact pessoal, o Motelx é quase a realização de um sonho de quando era adolescente. Quando começaram a sair os primeiros dvd’s e a net ainda era a 56k por telefone logo o acesso a filmes era bem limitado, eu e mais 2/3 colegas de escola fãs do cinema de terror tivemos a ideia de fazer o FantasLx(que basicamente era trazer o mítico Fantasporto para nossa casa). Como iríamos fazer? Na altura a ideia era  alugar todos os Pesadelos em Elm Street e os Sexta Feira 13’s para uma retrospectiva em casa. Infelizmente essa ideia nunca saiu do papel nem das nossas cabeças, logo foi com prazer que tive contacto com o Motelx ainda em 2009 quando trouxeram o John Landis. Nesse ano não pude me dirigir ao festival já nem me recordo bem porque, mas desde 2010 sou “hospede” habitual.

Bem sobre o dia 16 de Setembro, os filmes que escolhi para ver foi o Inbred, The Pact,Babycall e American Mary.

Sobre [1391]Inbred foi a melhor maneira de começar a tarde, um filme de comédia com momentos de gore completamente hilariantes e com história, não é aquele filmes que infelizmente se vê por ai agora com o clássico “vamos meter aqui litros de sangue para chocar as pessoas”, nao vou dizer que o filme não grandes quantidades, também tem sim mas na parte certa, e para o tornar ainda melhor tem humor britânico uma história daquelas que podia ser real com um toque de exagero da minha parte claro. No final da sessão enquanto fazia tempo para a próxima sessão deu para ainda falar com o realizador que ficou contente por tantos elogios da parte dos espectadores. 8/10

As 17h começou o [1392]The Pact, este ano ao contrário dos anos anteriores que me desloquei a festival, escolhi os filmes sem ler nada, sem ver trailers, sem ver notas no imdb.com fui totalmente as escuras. O representante do festival disse que seria o filme que talvez mais assustador em todo o dia, infelizmente enganou-me a mim e a mais alguns. Não considero um filme de terror mas sim um thriller sobrenatural bem construído, a história de uma rapariga que volta a casa da mãe para procurar a irmã que desaparece misteriosamente, passado algum tempo descobre que dentro da casa existe um espírito que lhe quer passar uma mensagem, o filme avança a um ritmo muito lento começando acelerar só na parte final o que o acaba também por o prejudicar, fez-me lembrar o Stir of Echoes em certas partes. 6/10

O último filme antes da hora de jantar foi o [1393]Babycall talvez o pior dos quatro que tive a oportunidade de ver. Uma tentativa de Sexto Sentido alemão/norueguês/sueco. Começa com um ritmo bom uma mulher que era vitima de violência doméstica muda de casa com o filho. Naomi Rapace representa uma verdadeira “mãe galinha” , que protege o filho até as ultimas consequências. Chegando ao extremo de comprar um babycall para ouvir o que se passa no quarto onde ele dorme, um dia começa a receber interferências no seu babycall e consegue ouvir o que se passa noutra casa, por momentos deu-me a ideia que ia estar perante outro “Corridor”(que esteve em exibição em 2010), mas infelizmente no fim o filme perde-se um pouco e até acaba por ficar completamente sem nexo. 5/10

Para sessão de encerramento a organização decidiu escolher American Mary, antes anunciaram a curta vencedora “A bruxa de arroios” que sinceramente achei banal, e ainda deu para bater os palmas ao Maestro Dario Argento que recebeu o prémio do “Culto dos mestres vivos”.

Sobre [1394]American Mary é um filme que me deixou com um sabor agridoce, por um lado um potencial de história muito bom, Mary é uma aluna de cirurgia que fica sem dinheiro para pagar os estudos, um dia quando estava a ir para uma entrevista de emprego num bar de strip tem a oportunidade de ganhar 5 mil dólares se fizer uma cirurgia.

Depois de um pequeno problema com o professor da universidade Mary decide envergar pela cirurgia de modificação no “mercado negro” e aqui é que entra o ponto que me deixou mais desiludido. Nas partes em que o se podia ter usado e abusado das vantagens de Mary ser uma cirurgia a câmara desvia sempre na altura das operações nas partes que podiam tornar o filme mais violento,e sentir-mos mais as modificações do corpo humano, talvez as realizadoras Jen Soska & Sylvia Soska decidiram envergar por esse caminho para o filme estar aberto a um publico mais sensível, e tentar dar mais ênfase a história. Uma das coisas que mais me agradou foi a música que usaram. Já não existem músicas assustadoras agora escolhe-se música clássica.

American Mary vai fazer a delicia ao publico masculino e talvez feminino pois a actriz Katharine Isabelle  passa mais tempo em trajes menores que vestida, e também ao restante público que gosta de filmes de terror mas não suporta o muito “sangue” que se usa e abusa em certos filmes. 7/10

E assim para mim terminou mais um Motelx, parece-me que este ano os filmes de verdadeiro terror ficaram a porta, ou simplesmente já não existem filmes que metam medo. Espero para o ano um cartaz mais forte, mas mesmo que seja mais fraco eu estarei com todo o prazer novamente como hospede residente.

Uma pequena palavra para a organização do Motelx, Wes Craven para o ano? Pode ser? Obrigado.

P.S. Os clones fizeram 3 curtas de qualidade acima da média em que eu sou fã acérrimo, o aviso para não ligar o telemóvel feito por eles também estava genial.A pergunta que fica no ar é, quanto tempo irá o publico aguentar com esse tipo de terror/humor?

Wai dor lei ah yut ho(aka Dream Home) 2010


Finalmente depois de algum tempo sem poder ver um único filme, devido a pertencer a classe operaria escrava que trabalha para manter o capitalismo a funcionar tive tempo de ver qualquer coisita.
Dream Home é realizado por Ho-Cheung Pang e tem uma particularidade interessante, pega num assunto actual “bolha imobiliária” e da-lhe uns toques de terror/gore. Tem uma critica social forte, e dá uns ares meios políticos o que também acaba por prejudicar o filme, pelo menos para mim que ia a procurar de algo simples/violento.

Outro problema de este filme é que tenta entrar no “choque visual” muito cedo, e para quem está mais habituado a terror não vai ficar muito surpreendido,quem tem o estômago mais fraco é capaz de não aguentar até ao fim.

Quero só destacar uma cena fantástica em que a nossa personagem principal mata duas pessoas durante o acto sexual, sem duvida uma das melhores cenas que tive oportunidade de ver nos últimos tempos.
Nota – 6.8/10

http://www.imdb.com/title/tt1407972/