[VN#7] The Burning (1981)

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O sétimo video nastie deve talvez ser o mais conhecido do público em geral, pois é um slasher de 81, o primeiro lançamento da Miramax e ainda melhor com argumento e produção de Harvey Weinstein dono da Weinstein Company a companhia que está sempre ligada ao grande Quentin Tarantino.

Ora The Burning tem uma grande história na lista dos nasties, O lançamento no cinema britânico The Burning foi severamente cortado bem pela BBFC , recebeu um certificado- X em 23 de Setembro , 1981, com vários cortes onde envolvia sangue aos “molhos. Quando o filme foi acidentalmente lançado sem cortes em vídeo no Reino Unido por Thorn -EMI , a fita foi logo apreendida e adicionada a lista dos nasties . Mais tarde lançaram novamente outra versão desta vez aprovada BBFC aprovado. O lançamento original sem cortes da Thorn -EMI vale hoje uma fortuna. Em 1992 , foi relançado novamente no Reino Unido mas com cortes adicionais para o ataque jangada , além de cortes para a morte de Karen . Ele foi finalmente lançado totalmente sem cortes em 2002. Mas não surgiu nenhuma versão em Blu-Ray para a minha coleção, então para visualizar este filme tive acesso a um DVD da mítica VIPCO.

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Os campos de verão dos Estados Unidos por este altura devem ser proibidos, depois de tanto filmes baseados nesse ambiente, The Burning não fica atrás, aqui o nosso assassino é revelado logo nos primeiros cinco minutos do filme, para aos tempos de hoje isso seria impensável, mas assim perdemos menos tempo a pensar que será e apreciar mais a morte das vitimas irritantes que como se espera neste tipo de filmes elas são e muito.

Um grupo de jovens é escolhido para atravessar o rio e acampar longe do campo, obviamente que os nossos jovens querem é fumar/drogas e sexo, e como em qualquer bom slasher se tens sexo tens que morrer. E aqui temos mortes para todos os efeitos e feitios, adorei a segunda morte, e a parte da jangada pensei que estava maravilhosamente assustadora e sangrenta o suficiente.

O final consegue ter suspense suficiente mas tem um sabor um pouco agridoce. Slasher como mandam as regras, é o que o The Burning nos oferece, obviamente que hoje esta formula já esta mais que batida mas mesmo assim consegue ser melhor que muito filme que anda por ai nos dias de hoje.

Próximo Nastie “The Beast in the Heat”

 

 

[VN#6] Blood Feast (1963)

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Vamos então ao número 6! Blood Feast chegou-me as mãos pela distribuidora Something Weird Video  mais um negócio da china feito pelo ebay. Todo contente por ter visto no bluray.com que é o filme estava desbloqueado em região B meto o filme na minha playstation 3 e fico arder pois o filme não funciona na mesma. E aqui então entra a magia da Internet e encontro exatamente a minha versão para download. Puff solução encontrada e filme visto.

Blood Feast era o filme mais antigo na mítica lista dos nasties britânicos, mais precisamente 1963! Ainda hoje não consigo encontrar nenhuma informação do seu lançamento por alguma editora britânica, mas facilmente podemos encontra-lo no youtube, é o chamado sinais dos tempos.

Herschell Gordon Lewis é o responsável por este filme, e existem muitas pessoas que o consideram o pai dos filmes gore, ele foi talvez o primeiro a ter a coragem de usa sangue aos litros, e penso que se pode aplicar esse rótulo sem qualquer margem para dúvida pois todas as cenas em que existem mortes, Lewis não hesitou a usar litros de liquido vermelho.

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A história do filme é bem interessante, um psicopata aterroriza uma pequena cidade matando mulheres indefesas de forma bem violenta e retira-lhes sempre uma parte do corpo, a ideia dele? Praticar um ritual para ressuscitar a deusa Isthar.

O filme não tenta manter qualquer suspense pois da-nos a conhecer o assassino logo nos primeiros minutos, assim sendo ficamos só com um longa onde as mortes e a violência são o prato principal. Vamos acompanhado a investigação policial e raparigas em biquíni que acredito que fizeram furor nos drive ins da altura.

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O filme teve direito a uma sequela em 2002 esse sei que foi lançado pela Arrow. Violento e um pouco misógino, Lewis acaba por levar o filme a bom porto, e foi inteligente em não arrastar o mesmo.

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A banda portuguesa Dementia 13 lançou em 2013 um EP baseado em filmes de terror de culto, entre eles contava uma música baseada neste filme [Feasting on Your Blood ]

Próximo VN: The Burning

I Frati Rossi [1988]

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Recentemente encontrei uma pessoa que também tem um grande apreço pelo horror, mais precisamente pelo horror italiano de culto, Argento/Fulci, Bava e etc. Numa conversa sobre as nossas coleções ele afirmou que tinha uma cópia em DVD do filme I Frati Rossi [aka The Red Monks] do Fulci. Bem eu na minha memória quase que me lembrava de todos os filmes do padrinho do gore, mas nunca tinha ouvido falar de tal filme, claro que lhe pedi emprestado e hoje posso afirmar que o filme não tem qualquer influência ou mesmo qualquer relacionamento com o Fulci, a única parte em que o Fulci esteve envolvido no filme foi na capa onde aparece o seu nome. Graças ao livro “Splintered Visions” do Troy Howard consegui tirar essa dúvida a pratos limpos.

Para quem tem curiosidade o que se passou foi, em 1988 Antonio Lucidi e Luigi Nanneirini contrataram Fulci para realizar alguns filmes e ao mesmo tempo colocar o seu nome em outros tantos. Bem depois de se envolver em dois filmes decidiu que aquilo não era para ele, infelizmente o contrato já estava assinado logo o seu nome ficou sempre associado a pelo menos 5 filmes incluído este The Red Monks. Fulci chegou a ser associado como produtor executivo e responsável pelos efeitos especiais, bem não é preciso ser fanático pelo padrinho do gore para perceber que isso nunca aconteceu.

Mas deixando a história de bastidores de lado e falando sobre o filme em si. A história do filme é básica e demasiado batida, é uma tentativa de voltar aos filmes góticos dos anos 60. Ora um milionário apaixona-se por uma rapariga que por acaso estava a trespassar a sua propriedade, e decide-se casar com ela. Na primeira noite de núpcias e nas seguintes ele rejeita-a sexualmente pois fez um acordo com um culto para a sacrifica-la, e eles necessitavam de sangue virgem.

Existem muitos filmes maus que conseguem ser bons, outros tornam-se de culto mesmo fazendo pouco sentido, bem Red Monks nunca se vai tornar isso tudo. Os primeiros 5minutos de filme da-nos uma amostra para o que nos espera, a fotografia do filme é limpa e mais parece uma produção de televisão, temos um aranha que persiste aparecer no filme mas até na loja do chinês compra-se hoje qualquer coisa mais real. Os Red Monks parecem-se um pouco com o KKK.

O director a meio do filme não parece saber o que fazer para continuar alongar o mesmo, decide meter de meia em meia hora umas mamas de fora para tentar cativar a atenção do espectador mas já é tarde, essa já saiu pela porta fora há muito tempo.

Red Monks vai sempre ter o nome de Fulci ligado a sua história, mas com os tempos de hoje facilmente sabemos que isso nunca aconteceu, ou seja a menos que encontrem o filme a £1 e não tenha melhor que fazer percam tempo com isto, se não procurem um filme do mestre e vejam, pelo menos sabem que o tempo é bem passado.

 

Zombi III

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Zombi 3, Zombie Flesh Eaters 2 podem-lhe chamar o que vocês quiserem, eu pessoalmente prefiro o Zombi 3 .

Zombi 3 mostra facilmente porque é que o cinema italiano entrou em declínio,é um exemplo perfeito daqueles filmes feitos para tentarem ganhar mais uns trocos antes da bolha explodir. Quer isto dizer que Zombi 3 é um mau filme? Isso já depende do gosto de cada um, para mim o filme é satisfatório só peca pela sua longevidade, mas isso é facilmente explicado nos extras do Blu Ray e ainda melhor no livro que se vê na fotografia.

Fulci quando aceitou fazer este filme já se encontrava demasiado doente, tendo várias vezes “desaparecido” durante as filmagens. Para o seu lugar o produtor Franco Gaudenzi escolheu a dedo Bruno Mattei e o escritor do filme Claudio Fragasso (que ficou com os louros, as na realidade foi a sua esposa que veio com o argumento). E a diferença de filmagem é facilmente detectada para o fã mais acérrimo mas também para o olho comum.

Mas antes de entrar em pormenores vamos a história! Um grupo de cientistas está a criar uma nova arma biológica que tem como objectivo a ressurreição dos mortos, a experiência como é de esperar não corre como previsto e transforma um simples cadáver em uma máquina esfomeada por carne humana. A experiência fica sem efeito, mas antes de poder ser destruída um dos recipientes é roubado,depois de um tiroteio muito fraquinho o vilão dos primeiros 15minutos acaba por se contaminar a ele próprio.

Obviamente mais tarde é apanhado e cremado, e aqui é que os problemas começam, com um vírus que se propaga pelo ar, acaba por contaminar a ilha toda devido ao espalhar das cinzas, esta mensagem que mistura ambiente com poluição é um cópia descarada do The Living Dead at Manchester Morgue mas são estes pormenores que fazem estes filmes ganharem estatutos de culto.

Este filme é facilmente divido em duas partes, as partes más realizadas por Mattei com pássaros zombies, ou as lutas com os zombies que parecem mais uns ninjas que aparecem de todo o lado. E as partes que se aproveitam são aquelas que sem dúvida tem o toque do mestre, a cena do hotel, uma cena mítica que envolve uma piscina e provavelmente a cabeça voadora só podia sair da cabeça de Fulci.

Os zombies filipinos também tem que ter uma palavra de apreço e alguns zombies estão muito bem caracterizados como sempre, é algo que me surpreende sempre nestes filmes Italianos, tudo o resto pode parecer amador, mas as caraterização é sempre excelente.

O filme vai-se arrastando um pouco até ao seu final, mas acaba com uma das frases que representa todo os filmes dos anos 80.

Were going to go back and fight …….But this time were going to win!

Simplesmente poético, Fulci nunca se assumiu fã de este filme mas até hoje nunca se percebeu porque deixou ficar o seu nome como principal director.

Em jeito de curiosidade umas das personagens principais hoje é um director famoso em séries de televisão tendo do seu curriculo episodios de House e CSI Miami.

Fulci Lives!

[Especial Motelx 2015] 5º Turbo Kid [2015]

motelx_turbo_kidNas ruínas de um futuro pós-apocalíptico imaginado de 1997, um adolescente órfão chamado “the kid” dedica o seu tempo à procura de relíquias nos escombros. Um dia encontra uma rapariga misteriosa. Mas enquanto se conhecem, ela é raptada pelo tirano Zeus, também responsável pela morte dos pais de “The Kid”. Destruir Zeus para vingar a morte dos seus pais e salvar a rapariga dos seus sonhos torna-se a sua missão.

Produzido por Jason Eisener («Hobo with a Shotgun») e Ant Timpson, «Turbo Kid» – baseado num segmento concorrente a «ABCs of Death», produzido por Timpson –, estreou este ano em Sundance e a sua sensibilidade romântica gore fê-lo ganhar o prémio do público no SXSW Film Festival.

Sessão 1 – Quarta-feira, 9 Setembro 2015 às 16h30 Sala Manoel de Oliveira

Sessão 2 – Sexta-feira, 11 Setembro 2015 às 00h15  Sala Manoel de Oliveira

Estão dois filmes na programação do Motelx de este ano que me deixam com um entusiasmo fora do normal, um deles é o The Green Room do Jeremy Saulnier que fez o fantástico “Blue Ruin” , e o outro era o Turbo Kid. Para grande felicidade minha este estava disponível para aluguer no site oficial, por uma mínima quantia de £3.50 pode-se ver esta fantástica obra prima de gore, ficção cientifica e claro homenagem descarada a todas as grandes obras dos anos 80.

A nostalgia dos anos 80 está cada vez mais presente dos filmes de hoje, alguns não escondem as suas tendências e simplesmente imitam algo que já foi feito, outros tentam dar-lhe um pouco de originalidade mesmo mantendo aquele tom de clássico oitocentistas.

Turbo Kid faz exatamente isso, não inventa a roda em termos de argumento mas dá-lhe um toque mágico, começando na personagem principal, passando pelos dois vilões Zeus e Skeletron, são razões mais que suficientes para não ficar ficar indiferente a este filme, claro que para mim o grande destaque vai Skeletron com as suas serras fatais que nos proporcionam momentos de gore exagerado como um bom fã de terror gosta. Aquela mascara de Sexta Feira 13 meets Mad Max 2 é simplesmente genial.

Turbo Kid respira e inspira nostalgia e provavelmente muita gente vai torcer o nariz as cenas exageradas de violência, mas se conseguirem ultrapassar esse pequeno pormenor será uma diversão sem limites. Para mim não mudaria um minuto do filme.

Se não tiverem a oportunidade de ir ao Motelx passem por aqui e apoiem este projecto pois ele merece : http://turbo-kid.com/

Zombi 2 [1979]

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“The boat can leave now. Tell the crew. “

Dr. Menard

Respira fundo, prepara-te bem e vais conseguir. Tu serás capaz de falar sobre o Zombi 2 já viste o filme há mais de um mês, chegou a altura de dar a conhecer ao mundo aquilo que toda a gente já deve conhecer.

Zombie Flesh Eaters, Zombie 2, Zombie, Woodoo, L’Enfer des Zombies são os vários títulos que existem para o filme de maior sucesso de Lucio Fulci.

Zombi 2 é um filme cheio de polémica, qualquer fã de terror provavelmente está mais que ciente da mesma mas nunca é demais recordar.

Em Setembro de 1978 chega a Itália o filme Dawn of the Dead de George Romero, Dario Argento que tinha ajudado a financiar o filme de Romero com a condição de ficar com os direitos de distribuição fora dos Estados Unidos onde podia cortar e editar o filme a sua maneira, Romero concordou que ele o fizesse somente em países onde inglês não era a língua oficial. Assim sendo Argento cortou o filme deixando agora só com 119 minutos e alterou a sua banda sonora colocando a sua banda fetiche Goblin, o nome do filme em Itália ficou  Zombi: L’alba dei Morti Viventi e como seria de esperar teve um sucesso estrondoso.

Em  Julho de 1978 Sachetti o homem que está por trás da maior parte dos filmes italianos de essa altura, tinha escrito um argumento chamado “Nightmare Island”, esboço que serviu mais tarde para o Zombi 2. Como um dia já referi aqui os Italianos faziam mais de 360 filmes por ano, muitas vezes simplesmente copiavam as ideias dos filmes americanos e dava-lhe uma roupagem totalmente amadora, dentro de este panorama Fabrizio de Angelis viu aqui uma oportunidade de fazer dinheiro e aproveitou o argumento de Sachetti.

Sendo assim em Dezembro de 1978 De Angelis compra o argumento de Sachetti e no inicio escolhe Castellari para realizar o filme, mas o mesmo não mostra qualquer interesse em fazê-lo. Procura-se um alternativa que chega em Fevereiro de 1979 onde Lucio Fulci fica com o “papel” de director.  O filme é filmado em Roma, Republica Dominicana e em Nova Iorque e vê finalmente a luz do dia em Agosto de 1979. Óbvio que o nome então é mudado para Zombi 2 para dar a ideia que seria uma sequela ao filme de Romero, a ideia de mudar o nome do filme foi de Ugo Tucci outro dos produtores do filme.

Agora perdoem-me a heresia mas para mim Zombi 2 dá uma goleada a Dawn of the Dead em termos de todos os aspectos, mas já lá vamos. A história do filme começa com um barco a deriva em Nova Iorque, a policia intercepta o barco, ao investigar o mesmo acaba por sair de lá o nosso primeiro zombie. Mais tarde vimos a descobrir que o barco pertencia ao pai de Anne Bowles[Tisa Farrow] que ao tentar descobrir mais sobre o paradeiro do seu pai, acaba por ir ao encontro de Peter West [Ian McCullough] que também está a investigar o caso. Juntam então esforços para irem procurar o pai de Anne, assim sendo precisam de um barco para chegar a ilha aqui acabam por fazer amizade com Brian e Susan um casal que está de férias por aquelas partes, aqui a “equipa” fica completa podemos então zarpar para a ilha.

No caminho da ilha temos então a parte que provavelmente toda a gente conhece, a luta entre o Zombie e o tubarão branco, nos extras de este blu ray, um dos entrevistados finalmente dá-nos a conhecer a verdadeira razão por trás de este momento emblemático, Tucci tinha comprado 20minutos de vídeo com um tubarão no México, sendo assim “obrigou” Fulci a integrar o tubarão do filme, e em boa hora o fez pois sem dúvida que é uma cena mítica, acrescentado a excelente banda sonora de Fabio Tezzi ficamos com um marco do cinema de terror.

Chegando a ilha o festival gore que Fulci sabe nos oferecer chega finalmente, mas não é só sobre violência que este filme vive, o próprio argumento por muito que não seja digno de Óscar[se bem que actualmente qualquer coisa vale] consegue levar o filme a um bom porto e ser consistente até ao seu final.

O filme está cheio de parte míticas como a cena do tubarão, gostaria só de realçar a parte em que a belíssima Olga Karlatos [Mrs. Menard] é morta por Zombies, ou mesmo a parte do cemitério espanhol que para mim será um dos melhores momentos de zombies que vi até hoje. Óbvio que isto não era possível sem a mestria de Gianneto de Rossi que novamente apresenta uns efeitos especiais simplesmente geniais. São partes como estas que fazem a diferença entre o filme do Romero e o de Fulci, ambos são bons a sua maneira mas a minha escolha acaba por ser o filme de Fulci,

Zombi 2 além de toda a polémica que ficou envolvido acabou por ser um sucesso estrondoso acabando por ter diversas sequelas, Fulci começou a trabalhar no Zombi 3 mas acabou por deixar o filme a meio.

Devido a forte carga de violência que o filme apresenta obviamente que foi censurado,cortado e colocado nos video nasties no Reino Unido,entre outros países aconteceu o mesmo, penso eu que talvez estas sejam as principais razões para que Fulci nunca tenha tidoo reconhecimento mundial que merecia, hoje ainda existe censura em alguns filmes, e ainda fazem alguns cortes, a minha questão é para que? Tudo acaba por ser acessível mais tarde ou mais cedo.

Hoje termino com Fulci e por enquanto deixo aqui por curiosidade o meu top 5 por enquanto serão estes pois espero brevemente adquirir um box que a Shameless lançou onde inclui os filmes que ele lançou após a trilogia do “Gates of Hell” e pode ser que o mesmo acabe por mudar.

TOP 5:

  1. The Beyond

  2. Zombie Flesh Eaters

  3. The House of the Cemitery

  4. Don’t Torture a Duckling

  5. City of the Living Death

 

Quella villa accanto al cimitero [1981]

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“No one will ever know whether children are monsters or monsters are children.”

by Henry James

Sentimentos mistos quando finalmente chego ao último filme da saga não oficial “Gates of Hell”. Por um lado contente por chegar ao fim de mais uma “maratona” não oficial, porque quando vi o ” …E tu vivrai nel terrore! L’aldilà” já faz hoje quase um ano não fazia a mínima ideia pertencia a saga “Gates of Hell”. Por outro fico triste pois daqui para a frente sei que a qualidade de Fulci vai diminuir.

Antes de começar a divagar quero falar sobre o Quella villa accanto al cimitero o filme que fecha a trilogia. O ambiente de este filme é totalmente diferente dos filmes anteriormente mencionados aqui no “tasco”, além da abertura que transpira por todo o lado ao “City of the Living Death”, o primeiros minutos onde a câmara vai passado pelo cemitério que está a frente da casa onde vai passar a maior parte da acção, faz lembrar a cena de abertura do filme anterior.

Mais uma vez o argumento é escrito por Fulci em conjunto Dardano Sacchetti e mais um ou outro nome conhecido do circuito italiano. A história novamente não será o melhor convite para o filme, mas como nos filmes anteriores é eficaz e chega para fazer um filme interessante .

Em Nova York, o Dr. Norman Boyle assume a investigação sobre o Dr. Freudstein do seu colega Dr. Petersen, que cometeu suicídio depois de matar sua amante. Norman vai para Boston com sua esposa Lucy Boyle e seu filho Bob para viver em uma casa isolada na floresta que pertenciam ao Dr. PetersenBob faz amizade com a garota Mae que só ele pode ver e ela avisa-o para sair daquela casa.

Este foi até agora o filme com mais ambiente de terror que vi de Fulci, toda a atmosfera durante o filme é pesada e por momentos faz-me lembrar o “Pet Sematary” provavelmente Mary Lambert foi “beber” influências a esta obra, mas aqui sou eu novamente a divagar.

Interessante também ver a versatilidade de Catriona MacColl que aqui apresenta-se como uma dona de casa desesperada que por vezes chega a ser um pouco irritante, por falar em personagens irritantes o que dizer de Bob o nosso protagonista? Como uma cara inocente ficamos a torcer para que morra o mais depressa possível, eu vi a versão italiana mas li que a dobragem para inglês foi tão mal feita que muitas pessoas desejavam também lhe desejavam o mesmo destino.

Ao contrário dos seus antecessores Quella villa accanto al cimitero demora na construção da sua história, claro que o “gore” característico de Fulci não fica esquecido e temos imagens chocantes que cheguem para envergonhar muitos filmes actuais.

Quella villa accanto al cimitero também tem os seus defeitos, ao contrário dos outros filmes que mesmo com os defeitos se tornam virtudes, este infelizmente não posso deixar passar ao lado. A mítica cena do morcego é um pouco ridícula, numa das entrevistas que acompanha o blur-ray Catriona MacColl admite que tem mesmo pavor a morcegos na vida real logo não lhe foi difícil “interpretar” essa cena em particular, mas se essa ainda podemos ver sangue aos litros, a parte em que Ann a belíssima Ania Pieroni está a limpar uma poça de sangue enorme do chão e é interrompida por Lucy é de bradar ao céus.

Nos extras do Blu-ray novamente é destacada a personalidade difícil de Fulci, e após desejar a morte a Bob [Giovanni Frezza] durante o filme todo fiquei maravilhado com a simplicidade do actor actualmente, deixou de fazer cinema aos 14 anos pois não via qualquer futuro no mesmo, saiu cedo talvez porque estivesse a prever que o descalabro estive-se a chegar.

Fulci vai continuar vivo por este lado, pois no mesmo pacote de este filme veio o “Zombi 2”, e brevemente espero ter tempo para o ver.

Paura nella città dei morti viventi [1980]

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Violence is a Italian Art – Lucio Fulci

Luigi Cozzi disse na entrevista que acompanha este blu-ray “Itália fazia cerca de 300 filmes por ano..”. Agora imaginem para um fã de cinema de terror italiano entre outras seleccionar aqueles que conseguem ser os melhores e os piores, é sem dúvida uma missão quase impossivel, para não dizer suicida.

Paura nella città dei morti viventi [City of The Living Death] tresandava a “…E tu vivrai nel terrore! L’aldilà” por todos os poros, ao fazer uma pequena pesquisa descobri que estes dois filmes fazem para da trilogia não oficial “Gates of Hell”, admito que ainda sou ainda um leigo em termos de filmes de terror italianos logo não fazia a mínima ideia que Fulci tinha feito 3 filmes com o mesmo ambiente no mesmo ano.

City of the living death é um filme de zombies, com argumento de quatro paginas criado por Dardano Sacchetti, que deve ser o maior argumentista de filmes de terror italianos e que teve o privilégio de trabalhar com os maiores e melhores realizadores de essa fase tão prolifera do cinema italiano.

O filme novamente pega no tema dos “portões” do inferno abrirem-se e os mortos vivos andarem na terra, para tudo isto começar temos o suicido do padre Williams que sem qualquer explicação enforcar-se no inicio do filme.

Mary Woodhouse [Catriona MacColl actriz que trabalhou com Fulci nos três filmes da trilogia] está a fazer uma sessão de espiritismo para tentar descobrir onde está acontecer o suicido do padre para assim impedir que os mortos vivos “levem a melhor”.

Após uma suposta morte da nossa actriz principal ela junta-se a um jornalista para tentarem descobrir a cidade onde o Apocalipse vai começar e juntos vão tentar salvar a humanidade.

Sobre a história em si estamos conversados, com um argumento com 4 páginas não se pode esperar um grande desenvolvimento emocional das personagens, e aqui a mestria de Fulci e com uma equipa de excelentes maquilhadores se faz uma história, um grande louvor a Franco Rufini  que consegue transformar o meu ódio de estimação: “Zombies” em mortos vivos realmente assustadores.

Fulci aceitou fazer o City of the living death pois tinha tido um sucesso estrondoso com Zombi 2 [espero brevemente adquirir o blu-ray e falarei certamente dele aqui], mas aqui em vez de se deixar influenciar somente pelos Zombies de Romero, deixa-se também influenciar pelas histórias de Lovecraft e pelas histórias macabras da América sulista, dois ingredientes explosivos que adicionados a paixão que Lucio tinha pela violência humana, entrega-nos aquilo que ele sabe fazer de melhor sangue e tripas.

Cenas como Bob [Giovanni Lombardo Radice actor de culto que participou talvez em todos os grandes filmes de terror do cinema italiano como Canibal Ferox entre outros] a ser perfurado por uma broca ou uma rapariga a vomitar as suas próprias entranhas são imagens que nos marcam.

Mas felizmente Fulci não vivia só de violência gráfica, o ambiente sinistro que ele consegue criar dentro do cemitério na parte final do filme é algo que não se consegue ver nos dias de hoje.

A Arrow Filmes volta novamente a presentar-me com um blu-ray de qualidade com mais de 4 horas de extras onde posso destacar as entrevistas a Catriona MacColl que admite que não queria fazer os filmes com Fulci pois não lhes via nenhuma complexidade, só os fez porque o seu agente convenceu-a a fazer os filmes para ganhar dinheiro e viajar até Itália, e no pensamento dela os filmes nunca iriam ter sucesso e ia ser esquecidos facilmente, fica hoje ainda perplexa com o culto que os filmes de Fulci hoje tem.

Giovanni Lombardo tem exactamente o mesmo pensamento que Catriona, não consegue perceber o sucesso mas por outro lado pensa que os filmes de antigamente se pareciam mais humanos,

Giovanni e Catriona se um dia lerem o meu blogue eu posso-vos responder a vossa perguntar, os filmes de terror actuais são uma comédia, ou temos espíritos, ou temos “found-footages”, somos bombardeados todos os dias com terror de qualidade duvidosa. Fulci entre outros sabiam oferecer aquilo que se procura num filme de terror, ambiente, violência e mesmo por vezes comédia mesmo que seja involutária, com um orçamento minúsculo. Deixavam os efeitos especiais mais humanos e menos “espalhafatosos”, mas sem dúvida que é uma pergunta pertinente. Eu deixo a mesmo pergunta a quem me segue, ou perde tempo a ler as barbaridades que aqui escrevo. “Por que o amor pelo cinema de terror italiano?”

Em jeito de conclusão os extras tem entrevistas e entre mini documentários sobre o filme e não só. Vale cada “pence” ou “cêntimo”.