Shivers [1975]

shivers_poster_01Cada vez que vejo um filme de Cronenberg fico surpreendido com a qualidade das suas obras, facilmente entra num “top” qualquer de melhores realizadores de terror sem precisar de esforçar muito, a forma como consegue reinventar os o género de terror é algo que me deixa sem dúvida impressionado.

Shivers é a sua primeira longa “oficial” depois de vários filmes para TV e um esquecido “Stereo” em 69. Escrito e realizado pelo próprio e com fortes influencias do mundo zombie de Romero, Shivers mistura tudo o que caracterizou mais tarde as suas obras, gore visceral, erotismo e terror de qualidade.

Os primeiros 10 minutos de Shivers mostra-nos logo que Cronenberg não deseja criar um ambiente clássico dos filmes de zombies, ele passa logo ao ataque para deixar o espectador logo surpreendido, a morte inicial de uma jovem seguida do suicido do assassino sem qualquer explicação inicial corta logo aquele momento de acomodação, em que ainda nos estamos habituar ao nosso lugar.

A partir daqui descobrimos que um cientista andava a criar parasitas para ajudar no transplante de órgãos ou pelo menos era o que se julgava ao inicio. Esses mesmo parasitas ao apoderam-se do seu “hospedeiro” neste caso de um ser humano, e as consequências são a libertação de um desejo sexual incontrolável, e é mesmo neste ponto que o filme consegue surpreender, pegar num mundo zombie e dar-lhe um toque diferente.

O gore visceral que Cronenberg nos habitou acaba por aparecer mais tarde, quando os parasitas em questão se começam a manifestar, não consegui deixar de me lembrar do “Alien” em vários momentos que acabaria por sair 4 anos mais tarde.

Se não basta-se tudo o que disse anteriormente ainda temos a belíssima Barbara Steele em cena, mesmo com pouco protagonismo é sempre uma lufada de ar fresco em qualquer filme.

Shivers surpreende mesmo sem grandes artifícios mostra mais uma vez, que com força de vontade e com alguma imaginação é possível fazer um bom filme de terror sem voltarmos a bater na mesma tecla vezes sem fim.

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Antiviral [2012]

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Antiviral é realizado e escrito por Brandon Cronenberg filho de David Cronenberg. Admito que se não fosse realizado pelo filho de um grande realizador como é o Sr. David Cronenberg provavelmente nunca conheceria este filme.

Antiviral conta-nos a história de Syd March um empregado de uma clínica que vende injecções de vírus de personalidades famosas por um preço. Para ganhar mais algum dinheiro Syd também vende essas mesmas doenças ao mercado negro. Mas na ânsia de bater a sua concorrência e na colheita de um vírus da super estrela Hannah Geist acaba por descobrir que está na posse de uma doença mortal.Então entra numa batalha entre a sobrevivência há doença e a a fuga da colheita da mesma por fãs e coleccionadores raivosos.

Brandon tem aqui a sua estreia de uma forma completamente soberba, mantém sempre um cenário minimalista durante toda o filme ficando assim toda a atenção virada para os actores que participam no filme. Aqui Syd que é interpretado por Caleb Landry Jones acaba por ser preponderante pois tem uma interpretação completamente sinistra mas eficaz.

A história do filme também é um ponto forte muito interessante. Será este o próximo passo para uma sociedade que vive intensamente todos o mundo das celebridades, e procuram sempre forma de estar cada vez mais próximos dos seus ídolos?

Com uma mistura de quase todos os filmes do seu pai, Brandon dá-lhe uma reciclagem, coloca-lhe uma roupa nova e dá-lhe um toque de excelência.

Felizmente este filme é para todos os públicos. Mesmo para quem não conheça o trabalho de David Cronenberg. Sem dúvida uma pequena pérola. Espero ansiosamente por mais trabalhos de Cronenberg Jr.

Nota: 8/10