[VN#8] Beast in Heat (1977)

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Devido a problemas técnicos tive que me ausentar dos VN por algum tempo, finalmente esta semana consegui voltar ao ritmo normal.

Se havia VN’s que me estava a deixar preocupado em assistir são aquele que envolvem o género “Nazisploitation“, assuntos demasiado sérios mesmo para filmes de qualidade duvidosa.

The Beast in Heat chegou a lista final dos video nasties e ainda hoje esta proibido na Inglaterra, Austrália e provavelmente em mais meia dúzia de países.  O filme encontra-se banido não pela sua violência, pois existem filmes nos dias hoje bem mais violentos que este mas sim por levar as experiências nazis e todas as suas atitudes de uma maneira demasiado branda e erótica, não deixa de ser uma decisão estranha pois nos dias de hoje o termo “nazi” parece ser levado de forma leve, filmes como Iron Sky ou mesmo a mais recente adaptação do livro “Look Who’s Back”  parecem querer dar aquele ar de comédia.

Ora bem mas em 1977 o diretor Luigi Batzella (assinou o filme como Ivan Kathansky) pois estava com vergonha de ver o seu nome associado a este titulo,atitude partilhada por todos os restantes participantes incluído actores e actrizes.

Mas vamos então passar para a historia do filme onde tudo fará mais sentido.. ou não. Uma doutora que pertence as SS cria uma besta, meio homem meio mutante, este ser tem uma fome por sexo, para saciar esses vícios a doutora decide enviar as suas tropas para as aldeias mais próximas para trazer novas vitimas.

Esta seria a historia principal, mas para não parecer uma historia demasiado vazia(seria possível??) temos também aqui a resistência italiana que tenta a todo o custo salvar e matar esta doutora.

O filme não pode ser levado a serio, no seu começo as tropas parecem não ter mais de 16 anos, as imagens de arquivo e roubadas as outros filmes são constantes. Mas este nastie tem cenas hilariantes em compensação com as mais chocantes, destaque para uma idosa que e morta pelos nazis, que ressuscita sem lenço para matar um soldado, ou mesmo a parte que um soldado rouba um bebe atira-o ao ar para o matar com uma rajada de metralhadora, simplesmente cinema de qualidade.

As torturas também são casos serio, temos hamsters a fazerem de ratos, temos choques elétricos,temos então a nossa “besta” e temos o clássico arrancar de unhas.

Mas para mim o melhor será as mensagens anti-guerra que o nosso herói “Drago” tem para dizer. Deixo para vocês descobrirem.

Filme demasiado amador para ser levado a serio, mas também chocante saber que existe alguém capaz de fazer um filme sobre estas torturas e experiências Nazis.

Próximo VN: Axe

 

[VN #4] La casa sperduta nel parco (1980)

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Quando se fala em video nasties temos que obrigatoriamente falar de Ruggero Deodato. Ele e provavelmente Fulci devem ter a maior parte dos filmes nessa lista. Hilariante que se fosse nos dias de hoje, haveria mil e uma maneiras de fazer filmes de este tipo sem cortes ou censuras.

Este versão da Shameless ainda hoje não se encontra completa! Mas nada comparado com as mutilações que o filme tinha sofrido anteriormente. Começou logo por ser rejeitado em 1981, após os “loucos” anos da lista dos nasties em 2002 foi finalmente lançado em Inglaterra mas com 11 minutos e 43 segundos cortados!! Ou seja qualquer acção de violência física e sexual foi retirada do filme, em 2011 quase que passou finalmente sem censura mas ainda não é possível ver um mamilo a ser cortado o que equivale a 42segundos do filme.

Ruggero Deodato quando teve o acesso ao argumento escrito por Gianfranco Clerici & Vincenzo Manino achou que o filme era demasiado violento, algo estranho visto que ele próprio estava habituado a este tipo de filmes.

O argumento pode-se considerar um cópia do filme do Wes Craven The Last House on the Left, usando até por exemplo o mesmo vilão David Hess, ele que até defende o filme acabou por dizer algo que acho que assenta que nem uma luva nesta discussão que pode surgir se estamos a assistir a um cópia barata ou um remake, ele disse que o The Last House on the Left seria mais um filme mais baseado num grande espaço numa floresta, num espaço mais amplo, enquanto esta versão estamos mais a olhar para o terror na cidade, um terror urbano.

Existem algumas diferenças de argumentos entre eles, mesmo que pouco me lembro do filme de Craven, neste filme os nossos vilões são convidados para uma festa de alta sociedade. Ao contrário do filme do Craven que os nossos vilões acabam na casa da família da vitima por mero acaso.

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No inicio do filme parece que vamos ter uma sátira as classes sociais, onde os ricos aproveitam-se dos pobres para seu próprio entretenimento, mas Alex (David A. Hess) mas Alex tem uma diferente ideia para diversão. E a partir daqui começa um jogo de violência e perversão, onde se consegue perceber facilmente porque este filme acabou numa lista de “nasties.”

David Hess acaba por fazer um papel quase igual ao do filme do Wes Craven mas por vezes as caras exageradas dele tiram um pouco a tensão ao filme, Deodato  consegue construir um filme claustrofóbico em diversas situações, mas também situações completamente hilariantes. Os diálogos do filme por vezes parecem saídos de um porn movie dos anos 70.

Destaque para a cena entra Alex (David Hess) e a belíssima Lisa  (Annie Belle) que na altura fique com a impressão que aquilo não seria representação, e numa entrevista David acabou por confirmar as minhas suspeitas.

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O filme acaba com um twist final agradável que admito que não estava a espera.

Nos dias de hoje este filme facilmente passaria sem censura, aliás depois de filmes como Serbian Movie/Hostel ou o Human Centipede acho que todas as portas foram abertas e não há mais espaço para tal censuras.

The House on the Edge of the Park é sem dúvida até ao momento o melhor nastie, mas a lista é longa, muitas surpresas ainda podem aparecer.

Próximo VN: Don’t go in the House

Bronx Warriors

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Enquanto toda a gente se anda a babar com o novo Mad Max [eu espero ter essa sorte também brevemente] eu decidi finalmente comprar esta box da Shameless e fazer uma maratona com estas pérolas do cinema italiano.

Se existe algo que os diretores italianos são surpreendentes é na sua versatilidade, acompanham os tempos e adaptam as suas histórias[ou cópias se assim o preferirem], para o momento da moda. Neste caso em concreto os futuros apocalípticos após a destruição nuclear, Enzo G. Castellari soube apresentar 3 filmes com as suas “influencias” (vamos ser simpáticos e chamar-lhe influencias) com uma qualidade que hoje é difícil de encontrar, a qualidade de entreter.

Ora começando pelo Bronx Warriors a história é uma mistura de Escape from New York de Carpenter com os The Warriors de Walter Hill, eu mesmo conhecendo estes dois filmes e gostado de ambos consegui “ultrapassar” a cópia fácil e adorar este filme.

1990 Bronx é uma cidade sem lei e esquecida pelo governo americano, governada por diferentes gangues, desde os Zombies ou os Riders esta paz podre acaba por mudar quando Ann filha de um político poderoso e futuro líder da famosa multinacional “Manhattan Corporation”, foge de casa sem uma razão aparente e quase que acaba por ser raptada pelos Zombies, mas o nosso herói Trash com o seu estilo de metaleiro dos anos 80 com calças até a testa salva o dia.

Com personagens icónicas como o já referido Trash, Hot Dog! ou o The Ogre  representado pelo sempre grande actor Fred Williamson o filme vai desde lutas contras palhaços (outro gangue) a momentos de insanidade mental, até chegar a anarquia final, claro que a personagem que ganha o Óscar para melhor actor dentro do Bronx Warriors será Vic Morrow e a sua personagem “Hammer” que entre outras grandes pérolas de situações, a minha favorita será sempre este monologo: “I work for nobody. I don’t care about the Manhattan Corporation! I don’t care about the girl, I don’t care about politics, I don’t care about anything! I believe in nothing. I’m Hammer – The Exterminator! ” pura magia.

Não havia melhor maneira de abrir esta saga, pena que o filme a seguir Escape from the Bronx acabe por cortar um pouco a qualidade que restava do filme anterior, repetindo um pouca a formula acrescentado só um pouco mais de fogo (literalmente..) vejam os filmes vão perceber esta referencia, nesta segunda aventura de Trash pelo Bronx acaba por ser um pouco mais fraquinha, parece que tentaram fazer uma história mais complexa, mas acabaram por lhe tirar um pouco daquela mística do primeiro filme, claro que Trash continua no seu melhor, o seu estilo pouco muda do filme anterior acrescentado só agora um momento dramático de fazer ir as lágrimas de tanto rir, ou chorar para os mais sensíveis.

Mas a saga termina com o meu filme favorito, aqui sim temos uma cópia do Mad Max, o orçamento minúsculo com que Castellari teve que trabalhar podia meter pena, mas acaba por ser uma vitória. Este realizador italiano que tantas vezes é referenciado por Tarantino como a sua maior inspiração mostra como se faz bom com pouco, ao contrário do que se vê atualmente que grandes orçamentos não significam grande filmes.

Mas vamos ao filme.. I Nuovi Barbari (The New Barbarians) passa-se em 2019 um guerra nuclear arrasou o planeta, os poucos que sobreviveram tentam-se esconder do gangue “Templars” que tem como único objetivo acabar com qualquer ser vivo na Terra e pelo meio ter relações homossexuais (mas isso é outra história..) que o seu melhor momento será novamente a grande frase do seu líder “One” : “The world is dead. It raped itself. But I’ll purify it with blood! No one is innocent! But only we, the Templars, are the ministers of revenge!”.

Num de esses ataques os Templars acabam por se envolver numa rixa com Scorpion um ex-membro ou nunca aceite membro, fica a vossa escolha. Ele acaba por salvar Alma(a mais que belíssima Anna Kanakis que foi Miss Itália em 77),

Não vale a pena falar muito sobre este filmes sem estragarmos o produto final, mas entre os pormenores mais deliciosos para mim serão os carros cobertos de esferovite, os efeitos sonoros disparados pelas armas são de outra dimensão, já para não falar do pequeno actor Giovanni Frezza aqui trabalha como mecânico mas, mais tarde acabou por fazer filmes com Fulci e do Lamberto Bava.

Como não podia deixar de ser Fred Williamson também entra no filme desta vez é um arqueiro impressionante, o filme tem novamente entre explosões e perseguições e uma banda sonora de fazer inveja a muitos filmes, Castellari fecha a sua saga com chave de ouro. Do meu lado só me falta fechar a caixa e colocar na prateleira, sei que brevemente voltarei a rever estás pérolas, e aqui está a diferença dos filmes que nos marcam.. e os filmes que facilmente esquecemos.

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Quella villa accanto al cimitero [1981]

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“No one will ever know whether children are monsters or monsters are children.”

by Henry James

Sentimentos mistos quando finalmente chego ao último filme da saga não oficial “Gates of Hell”. Por um lado contente por chegar ao fim de mais uma “maratona” não oficial, porque quando vi o ” …E tu vivrai nel terrore! L’aldilà” já faz hoje quase um ano não fazia a mínima ideia pertencia a saga “Gates of Hell”. Por outro fico triste pois daqui para a frente sei que a qualidade de Fulci vai diminuir.

Antes de começar a divagar quero falar sobre o Quella villa accanto al cimitero o filme que fecha a trilogia. O ambiente de este filme é totalmente diferente dos filmes anteriormente mencionados aqui no “tasco”, além da abertura que transpira por todo o lado ao “City of the Living Death”, o primeiros minutos onde a câmara vai passado pelo cemitério que está a frente da casa onde vai passar a maior parte da acção, faz lembrar a cena de abertura do filme anterior.

Mais uma vez o argumento é escrito por Fulci em conjunto Dardano Sacchetti e mais um ou outro nome conhecido do circuito italiano. A história novamente não será o melhor convite para o filme, mas como nos filmes anteriores é eficaz e chega para fazer um filme interessante .

Em Nova York, o Dr. Norman Boyle assume a investigação sobre o Dr. Freudstein do seu colega Dr. Petersen, que cometeu suicídio depois de matar sua amante. Norman vai para Boston com sua esposa Lucy Boyle e seu filho Bob para viver em uma casa isolada na floresta que pertenciam ao Dr. PetersenBob faz amizade com a garota Mae que só ele pode ver e ela avisa-o para sair daquela casa.

Este foi até agora o filme com mais ambiente de terror que vi de Fulci, toda a atmosfera durante o filme é pesada e por momentos faz-me lembrar o “Pet Sematary” provavelmente Mary Lambert foi “beber” influências a esta obra, mas aqui sou eu novamente a divagar.

Interessante também ver a versatilidade de Catriona MacColl que aqui apresenta-se como uma dona de casa desesperada que por vezes chega a ser um pouco irritante, por falar em personagens irritantes o que dizer de Bob o nosso protagonista? Como uma cara inocente ficamos a torcer para que morra o mais depressa possível, eu vi a versão italiana mas li que a dobragem para inglês foi tão mal feita que muitas pessoas desejavam também lhe desejavam o mesmo destino.

Ao contrário dos seus antecessores Quella villa accanto al cimitero demora na construção da sua história, claro que o “gore” característico de Fulci não fica esquecido e temos imagens chocantes que cheguem para envergonhar muitos filmes actuais.

Quella villa accanto al cimitero também tem os seus defeitos, ao contrário dos outros filmes que mesmo com os defeitos se tornam virtudes, este infelizmente não posso deixar passar ao lado. A mítica cena do morcego é um pouco ridícula, numa das entrevistas que acompanha o blur-ray Catriona MacColl admite que tem mesmo pavor a morcegos na vida real logo não lhe foi difícil “interpretar” essa cena em particular, mas se essa ainda podemos ver sangue aos litros, a parte em que Ann a belíssima Ania Pieroni está a limpar uma poça de sangue enorme do chão e é interrompida por Lucy é de bradar ao céus.

Nos extras do Blu-ray novamente é destacada a personalidade difícil de Fulci, e após desejar a morte a Bob [Giovanni Frezza] durante o filme todo fiquei maravilhado com a simplicidade do actor actualmente, deixou de fazer cinema aos 14 anos pois não via qualquer futuro no mesmo, saiu cedo talvez porque estivesse a prever que o descalabro estive-se a chegar.

Fulci vai continuar vivo por este lado, pois no mesmo pacote de este filme veio o “Zombi 2”, e brevemente espero ter tempo para o ver.

14. Cosa avete fatto a Solange [1972]

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Quase 3 meses depois de começar esta mini maratona de filmes italianos chego ao fim da mesma. Fecho esta saga de tantos filmes com chave de ouro.

Cosa avete fatto a solange é realizado por Massimo Dallamano e conta-nos a história de um professor de italiano que vive em Inglaterra e tem um caso amoroso com uma aluna que estuda num colégio só para raparigas.

Logo no inicio do filme assistimos a um assassinato e começa a partir dai toda a história do filme. Uma história cheia de pequenas surpresas que ao contrário de outros “giallos” que passaram por aqui, este deixou-me até ao fim na expectativa de descobrir quem seria o assassino e quais as razões que o levavam a cometer  mortes de um forma tão violenta e atroz.

Destaque para a excelente prestação de Fabio Testi que aqui representa o professor Enrico Rosseni, e  também para a senhora Karin Ball que faz o papel de esposa do nosso professor. Além de ser uma mulher lindíssima ainda tem uma boa prestação a frente das câmaras. Já a banda sonora fica a cargo de Ennio Morricone e daqui não será preciso dizer mais nada.

Nota: 7.0/10

Como nas maratonas anteriores deixo aqui uma pequena conclusão. O cinema italiano de terror dos anos 60/70’s foi sem dúvida um época dourada. Sei que deixei de fora grandes obras e que havia espaço para muito mais, mas também senti que estar constantemente a cingir me a um género acabou por me influenciar nas minhas pseudo criticas. Provavelmente voltarei a falar de filmes italianos de terror pois com esta maratona fiquei a conhecer muitos realizadores que merecem uma procura exaustiva por toda a sua carreira. Claro que deixo o destaque para o Sr. Mario Bava e o Sr.Pupi Avati.

E brevemente voltarei com mais uma maratona de terror, tenho alguns já em lista de espera mas ainda não me decidi por onde começar.

13. La sorella di Ursula [1978]

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Quando os créditos finais apareceram no final de La Sorella di Ursula ainda estava em choque, não tinha a certeza se tinha visto um filme de “giallo” ou um filme erótico ou mesmo um filme pornográfico dos anos 70’s.

Recentemente tentei abrir mais a mente para filmes diferentes já percorri os filmes trash os de série B e até os míticos filmes do estúdio  Troma, mas nada me preparou para este filme.

La sorealla di ursula conta-nos a história de duas irmãs que viajam até Itália para procurar a mãe que esta desaparecida e basicamente fico por aqui pois não existe mais nada acrescentar. A partir daqui temos um assassino que vai matando as suas vitimas com …. um dildo! ou algo parecido com isso. E temos um filme de soft porn em que conseguimos ver tudo, incluído aquilo que não queríamos ver em qualquer ocasião.

O final é mais que óbvio e acabei a rir-me pois fiquei a pensar como é possível conseguir fazer-se um filme de 1h30 com uma história tão má. A banda sonora é outro momento completamente surreal e talvez também umas das piores coisas que ouvi até hoje.

Em geral La sorealla di ursula é mau, não temos um momento que se aproveite e infelizmente não posso voltar a ter a minha 1h30 de volta.

Nota: 3/10

Próximo filme: Cosa avete fatto a solange?