Finis Hominis [1971]

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Marins volta a deixar Zé do Caixão sentado no banco de suplentes para nos apresentar outra personagem em mais um filme que novamente deixa muito a desejar.

Não consigo encontrar razão para uma queda tão grande de qualidade nos filmes de Marins, um começo prometedor com o primeiro filme do Zé, o segundo filme a manter o nível, mas os últimos exemplares são maus demais para se encontrarem uma justificação credível.

Finis Hominis é a estreia de Marins nos filmes a cores, não estou a contar com o inferno no “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” pois foram simplesmente alguns minutos, aqui o filme é todo a cores, e talvez seja o único ponto a favor pois por momentos dá-lhe uns toques “Argento” as suas imagens.

A história de Finis Hominis tem uma certa originalidade, um homem aparece nas ruas de Santos vindo do mar profundo. Começa aparecer nos momentos certos para ajudar pessoas em momentos críticos, ajudando assim a criar o mito que é Jesus renascido. Os episódios por vezes parecer ser tirados de situações da bíblia, mas isto é somente a minha interpretação. A parte que deixa o filme aquém das expectativas são os momento que parecem estar no filme só para encher minutos e que pouco ou nada têm de conteúdo, algumas partes completamente sem nexo, já para não falar no teor sexual  que começa a subir de uma forma ridícula, algo que já vem no filme anterior.

Finis Hominis acaba por provocar a sua própria morte devido a ser pouco ambicioso e perder-se demasiado em imagens fúteis, por outro lado o baixo orçamento e os tempos dificies que o Brasil viva na altura em que o filme foi realizado talvez ajude na sua defesa, mas existem filmes feitos em tempos difíceis que ainda hoje sobrevivem ao tempo, Finis Hominis não o faz.

Nota: 5/10

O Ritual dos Sádicos [1970]

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Foram necessários quatro longos dias para conseguir ver o Ritual dos Sádicos, não porque o filme tivesse cinco horas de duração, mas sim porque todo o filme é uma manta de retalhos de surrealismo e experimentalismo de baixo nível.

Admito que ao ver um filme espaçado e não de seguida acaba por influenciar a minha opinião final, mas penso que mesmo que o tivesse visualizado de seguida continuava a ter a mesma opinião.

Durante um debate de jornalistas com o psiquiatra Dr. Sérgio e José Mojica Marins[Zé do Caixão] o Dr. Sérgio apresenta vários casos de sexo bizarro e orgias associada ao uso de drogas. Os jornalistas defendem que os casos estão relacionados com pervertidos e criminosos, mas o Dr. Sérgio acusa a influência de drogas para a violência. Em seguida, o Dr. Sérgio convida quatro pessoas de diferentes classes de usar LSD e analisar o efeito de Zé do Caixão em filmes de suas mentes deturpadas, para provar sua teoria.

Aqui encontra-se a verdadeira razão para o filme ser uma manta de retalhos de imagens sem nexo, usa a ideia da droga para provocar a sensação de confusão aos espectadores.

Após os primeiros 40 minutos, entramos na segunda parte do filme. A parte em que Dr. Sérgio decide usar quatro cobaias para usarem o LSD e visualizarem um filme do Zé do Caixão, aqui entra uma massagem ao ego de Marins que acaba por roçar o ridículo.

O Ritual dos Sádicos por vezes mais parece uma promoção a personagem Zé do Caixão que uma tentativa de fazer um filme com história, é pena que tal aconteça pois não esperava que Marins precisa-se de entrar nesse tipo de jogos.

Espero que o próximo filme consiga voltar a qualidade que prometeu no inicio do primeiro filme.

Nota: 5/10