[VN #4] La casa sperduta nel parco (1980)

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Quando se fala em video nasties temos que obrigatoriamente falar de Ruggero Deodato. Ele e provavelmente Fulci devem ter a maior parte dos filmes nessa lista. Hilariante que se fosse nos dias de hoje, haveria mil e uma maneiras de fazer filmes de este tipo sem cortes ou censuras.

Este versão da Shameless ainda hoje não se encontra completa! Mas nada comparado com as mutilações que o filme tinha sofrido anteriormente. Começou logo por ser rejeitado em 1981, após os “loucos” anos da lista dos nasties em 2002 foi finalmente lançado em Inglaterra mas com 11 minutos e 43 segundos cortados!! Ou seja qualquer acção de violência física e sexual foi retirada do filme, em 2011 quase que passou finalmente sem censura mas ainda não é possível ver um mamilo a ser cortado o que equivale a 42segundos do filme.

Ruggero Deodato quando teve o acesso ao argumento escrito por Gianfranco Clerici & Vincenzo Manino achou que o filme era demasiado violento, algo estranho visto que ele próprio estava habituado a este tipo de filmes.

O argumento pode-se considerar um cópia do filme do Wes Craven The Last House on the Left, usando até por exemplo o mesmo vilão David Hess, ele que até defende o filme acabou por dizer algo que acho que assenta que nem uma luva nesta discussão que pode surgir se estamos a assistir a um cópia barata ou um remake, ele disse que o The Last House on the Left seria mais um filme mais baseado num grande espaço numa floresta, num espaço mais amplo, enquanto esta versão estamos mais a olhar para o terror na cidade, um terror urbano.

Existem algumas diferenças de argumentos entre eles, mesmo que pouco me lembro do filme de Craven, neste filme os nossos vilões são convidados para uma festa de alta sociedade. Ao contrário do filme do Craven que os nossos vilões acabam na casa da família da vitima por mero acaso.

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No inicio do filme parece que vamos ter uma sátira as classes sociais, onde os ricos aproveitam-se dos pobres para seu próprio entretenimento, mas Alex (David A. Hess) mas Alex tem uma diferente ideia para diversão. E a partir daqui começa um jogo de violência e perversão, onde se consegue perceber facilmente porque este filme acabou numa lista de “nasties.”

David Hess acaba por fazer um papel quase igual ao do filme do Wes Craven mas por vezes as caras exageradas dele tiram um pouco a tensão ao filme, Deodato  consegue construir um filme claustrofóbico em diversas situações, mas também situações completamente hilariantes. Os diálogos do filme por vezes parecem saídos de um porn movie dos anos 70.

Destaque para a cena entra Alex (David Hess) e a belíssima Lisa  (Annie Belle) que na altura fique com a impressão que aquilo não seria representação, e numa entrevista David acabou por confirmar as minhas suspeitas.

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O filme acaba com um twist final agradável que admito que não estava a espera.

Nos dias de hoje este filme facilmente passaria sem censura, aliás depois de filmes como Serbian Movie/Hostel ou o Human Centipede acho que todas as portas foram abertas e não há mais espaço para tal censuras.

The House on the Edge of the Park é sem dúvida até ao momento o melhor nastie, mas a lista é longa, muitas surpresas ainda podem aparecer.

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[VN #3] Eaten Alive – 1977

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Amigos e amiguinhas aqui voltamos nós para mais um video nastie. Este foi particularmente perseguido por Mary Whitehouse uma das grandes vozes por trás de esse movimento que foi os “Video Nasties”.

Eaten Alive ou Death Trap é o nome pelo que este filme é mais conhecido, mas numa pré-visualização ao público foram sugeridos os seguintes nomes, Hotel Psycho, Croc, Jaws of Death ou para mim o melhor de sempre “Bored to Death”.

Hooper não é o meu realizador favorito, aliás penso que já deixei várias vezes aqui vincado que tenho um ódio de estimação por este realizador, não sei de onde vem esta implicância mas sei que pode por vezes toldar-me o julgamento sempre que vejo um filme dele. Mas penso que este Eaten Alive nem mesmo o fã mais acérrimo de Hooper é capaz de dizer que isto é um bom filme sem se penitenciar três vezes.

A história(?) gira a volta de um de um sem ninguém que tem um hotel no Texas e como animal de estimação tem um crocodilo, ao longo do filme ele vai matando pessoas e atira-as ao crocodilo, e acabou! Podia-se resumir a isto este filme de tão pouco conteúdo que tem. Tenho tanta pena de ter visto este filme que demorei quase um mês só para escrever algo sobre ele.

Mas desenvolvendo um pouco mais, temos Buck representado por Robert Englund o eterno Freddy Kruguer com a frase mais emblemática do filme “Name’s Buck… and I’m rarin’ to fuck.” Temos um ou outra atriz que não se inibem de mostrar os seus dotes mais artísticos, e temos uma banda sonora estranha mais que funciona de alguma forma.

O filme no final torna-se um pouco mais violento mas já é tarde para salva-lo, mais uma vez imagino que este filme tenha sido banido pela sua violência final e talvez por ser um pouco misógino.

Em termos de algo diferente e para encher texto os extras do bluray da arrow são sempre agradáveis incluindo então um documentário, entrevistas com o Hooper onde ele tenta justificar a porcaria que fez, entre outros.

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