Top 2014

Estive para terminar o ano a falar-vos do novo filme de Kenshin, mas como o filme está dividido em duas partes e como não sei quanto vou ter acesso a segunda, decidi passar já para o top 2014 de este ano. Como nos anos anteriores vou só colocar filmes que tiver a oportunidade de ver e falar no blogue, talvez antes do fim do ano ainda fale de um filme de natal, depende do meu espirito natalicio…

TOP 2014 – Alucard’s Corner:

1. Zombi 2 / Zombie Flesh Eaters – Isolado no primeiro lugar, violento, sanguinário, brilhante, lutas de tubarões com zombies mas acima de tudo Fulci. Obrigatório sempre, para fãs de terror ou de qualquer outro estilo, Fulci criou um filme que pode ser apreciado por qualquer pessoa. Magnifico!

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2. Cani Arrabbiati – Facilmente cheguei ao primeiro lugar no meu top, admito que o segundo e o terceiro foram lutas renhidas, pensamentos e lembranças dos filmes a lutar entre si por um lugar neste top de tanto prestigio. Cani Arrabbiati acabou por vencer a luta, este filme é sufocante desde o primeiro minuto até ao seu final, a acção quase passada toda dentro de um carro deixa-nos num ambiente claustrofóbico como não sinto a muito tempo, os “vilões” são simplesmente “feios, porcos e maus” sem escrúpulos e bondade. Se Fulci foi o Mestre do Gore, Argento o Maestro do “Giallo”, Bava foi um génio.

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3. À Meia noite levarei a sua Alma – Admito que estive para dar o terceiro lugar a Bay of Blood, mas quando me lembro da minha segunda visualização da obra prima de Marins decidi fechar o pódio com Zé do Caixão.

Zé do Caixão pode não ter sido bem sucedido nos filmes que se seguiram como cheguei a falar durante a minha maratona, mas o primeiro filme da sua personagem tem um toque mágico, toda a ideia do anti-Cristo e da crença no homem é mais que suficientemente tresloucada para fazer um filme de respeito.

Marins pode quase ter assassinado Zé do Caixão com alguns dos seus filmes, mas À Meia noite levarei a sua Alma estará sempre entre nós para o salvar.

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4. The Devils – Então não era o Bay of Blood em quarto lugar está vocês a questionar-se ? Era para ser sim, até percorrer o meu blogue e ver “The Devils” e as imagens das freiras, os crucifixos, terços, profanações e a Vanessa Redgrave vieram novamente a cabeça, aquele filme que nos choca e nos persegue, aquele filme que não tenta se esconder em rótulos, aquele filme que nos deixa indispostos mas ao mesmo tempo com vontade de rever, a obra prima de Russell merece este ano, o próximo e daqui a 30 anos um lugar no meu top.

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5. Bay of Blood (Reazione a Catena) Pronto aqui está ele, Slasher a moda antiga como nós gostamos, pilhas de cadáveres sem razões aparentes, plágio ou homenagens no Sexta Feira 13, e um final pouco ortodoxo, Bava mostra a sua versatilidade e a razão porque é um génio. Obrigado Bava Lives!

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6. Cold Fish / Tsumetai nettaigyo – Já aconteceu a todos, vemos aquele filme que adoramos e queremos mostrar a toda a nossa família, amigos, inimigos, cão e gato e quando acabamos de ver pensamos “que bela porcaria de filme afinal..” é o perigo da segunda visualização muitos deles não vão ao encontro daquele impacto inicial. Cold Fish funciona exactamente ao contrário, vemos uma primeira vez e ele fica no “limbo”, aquela sensação em que o filme fica “entalado” entre a obra prima e o lixo, damos uma segunda oportunidade e levamos um murro no estômago que nos ajuda a engoli-lo. Cold Fish define-se assim engolimos e fica-nos na pele, ou simplesmente vamos vomita-lo porque não aguentamos a sua brutalidade. Sono não é um director convencional..

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7. Shivers – Cronenberg entra sempre directamente para o meu top,  aprendi a gostar de David com o eXistenZ , passei a venera-lo com o “The Fly”, duvidei dele quando vi o “Crash” no Estoril Film Festival onde tive o privilégio de estar no Q&A onde ele nos presenteou com a sua simpatia e humildade, e recordei-o este ano com Shivers. Cronenberg é um caso de estudo, é um realizador que se soltou das amarras do terror para se dedicar a algo diferente, mesmo que não concorde com a sua decisão pois penso que ainda tinha muito para dar, acabo sempre por o perdoar, e quando estou quase a esquecer-me que ele já não se dedica ao terror, vou buscar o Rabid ou Shivers e tudo volta ao normal.

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8. Ddongpari – O cinema está cheio de “anti-heróis”, aquelas personagens que são maus por natureza mas como uma bondade escondida, ultimamente o cinema coreano tem nos oferecido anti heróis aos pontapés, em 10 filmes que saem pelo menos um deles certamente que vai ter uma nessas personagens. Mas Ddongpari é outro nível, eu lembro-me de quando vi este filme pensei que ele abusava do drama, ele puxa-nos ao extremos, ele leva-nos com ele para o mundo de Sang-Hoon e quando saímos de lá trazemos cicatrizes profundas. Ddongpari já faz parte da minha colecção de DVD/Blu Ray e hoje tem um lugar no meu top.

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9. Pintu terlarang – A lista está quase no fim, admito que este ano a minha tarefa foi mais fácil que os anos anteriores, não pela fraca qualidade de filmes mas sim porque o blogue esteve a meio gás, mesmo com a chegada dos filmes da Arrow o tempo não se estendeu, e por vezes a preguiça esse pecado mortal também ganha pontos.

Na nona posição está este filme da Indonésia, se na altura disse que o filme era estranho e surreal, hoje a minha opinião não muda, ele continua a ser surreal e com um final surpreendente, vale a pena a sua visualização nem que seja pela curiosidade.

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10. You’re Next – Admito que na minha lista final tinha doze filme para dez lugares, se até ao sexto lugar as coisas estavam mais ou menos definidas daí para baixo as coisas azedaram, tive que fazer prós e contras, tive que puxar pela cabeça para me lembrar das cenas mais marcantes de alguns deles, mas no final You’re Next ganhou o lugar final. Porque? Não por ser original, não por ter uma história digna da Óscar, não porque tem um realizador que adoro. Simplesmente porque é um filme eficaz e vai directo ao assunto, não inventa espíritos, não temos fantasmas, não temos exorcismos, temos assassinos, temos sangue e temos violência. Querem um slasher ? You’re Next é o vosso filme.

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Obrigado a todos pela visitas, comentários, sugestões e criticas. Se alguém que acompanha o meu blogue quiser deixar nos comentários o seu top de este ano é mais que bem vindo!

P.S. – Um grande obrigado ao meu grande amigo K. que me fez umas barras novas para o meu blogue! És o Maior!!

Até 2015 ou talvez mais cedo!

 

 

 

The Texas Chainsaw Massacre 2 [1986]

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Há imenso tempo falei daqueles filmes que nós adoramos, mas toda a gente odeia. O meu como já referi milhões de vezes é o Scream, adoro todos! Mesmo o 3.

Hoje pego no exemplo contrário, aquele filme que toda a gente adora e quer-te fazer acreditar que o filme é mesmo bom! The Texas Chainsaw Massacre 1 foi uma das minhas maiores desilusões em termos de cinema, entrei cheio de expectativas e acabei a chorar o tempo que perdi no mesmo.

Foi preciso passar quase 10 anos, e ver mais uma mão cheia de remakes manhosos do TCM [deve ser a saga de filmes de terror mais mal tratada de sempre], para dar uma oportunidade ao seu segundo filme.

Tobe Hooper podia ter vivido dos “louros” que o TCM 1 lhe deu, mas decidiu não sei bem porque fazer um segundo filme.Se fosse fazer uma comparação entre os dois The Texas Chainsaw Massacre 1 ganhava o troféu sem ter que suar.

Onde falha esta segunda incursão de Hooper pelo Texas? Mais fácil seria dizer onde é que não falha, o filme é penoso desde o primeiro minuto, não tem qualquer suspense/terror em nenhuma parte do mesmo, tenta ser uma comédia de terror mas acaba por falhar redondamente. Leatherface é retratado como um atrasado mental da pior espécie,não que no primeiro filme não o fosse mas aqui tentam fazer dele um “atrasado engraçado”, Dennis Hooper que supostamente é a personagem principal de todo o filme, acaba por ter um papel menor, só acaba por ganhar protagonismo numa luta de moto serras [talvez a única parte do filme que se aproveita],para finalizar a nossa “scream queen” Stretch [Caroline Williams] é simplesmente irritante, desejamos-lhe uma morte lenta e cheia de sofrimento,

A melhor parte o filme é o seu final, quando acaba o nosso sofrimento e podemos ir descansados dormir e esquecer que um dia vimos o Leatherface “apaixonado”..

[Especial Anos 80] Dèmoni [1985] & De Lift [1983]

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Anos 80 onde tudo era possivel, as ideias fervilhavam em todos os países do mundo e o cinema de terror estava em alta, hoje trago dois exemplares que merecem ser vistos e revistos.

Dèmoni

“They will make cemeteries their cathedrals and the cities will be your tombs”

O que pode acontecer quando Argento e Lamberto Bava filho do magnifico Mario Bava e ainda Dardano Sacchetti se juntam? Só pode dar uma pérola para o género de terror em todos os sentidos.

Dèmoni chegou a minha caixa de correio talvez há um mês, com pouco tempo para ver filmes, e para não correr o risco de ver o filme aos “soluços” só recentemente tive oportunidade de lhe dar a devida atenção.

A Arrow volta a brindar todos os fãs de terror e não só, com mais um excelente Blu-Ray, com a particularidade de trazer o primeiro filme e o segundo, os extras para variar não ficam atrás de outras edições que já falei por aqui.

Dèmoni nos primeiros minutos mostra logo que não vai ser um filme convencional, passado na Alemanha do Leste a nossa personagem principal encontra-se no metro e levamos logo com alguns “demónios”, mas estes são diferentes são caricaturas da juventude dos anos 80 simplesmente hilariante no bom sentido,

Na saída do metro a nossa personagem principal ganha bilhetes para um filme no mítico cinema Metropol, quando passamos para dentro do cinema é que o filme começa a ganhar forma e percebemos de onde vão começar aparecer os tais Demónios,

Lamberto tem um talento limitado, infelizmente nesse sentido não saiu ao pai, mas a ideia de fazer um dois em um é de se lhe tirar o chapéu, o que acontece no cinema acontece na realidade é simplesmente fantástico, depois de esse pormenor temos os outros aqueles que não fazem qualquer sentido e que lhe dão um certo charme como por exemplo um cego no cinema ou mesmo um chulo com estilo de “Shaft” !

Como estamos a falar de um filme Italiano obviamente que a masturbação de sangue e tripas não tem limite, o argumento em si não ia justificar 1hora e meia de filme por isso somos brindados com muito mas muito sangue, mas também era isso que chocava nos anos 80s logo é normal,

O filme para mim divide-se em dois actos, no final do primeiro acto somos brindados com um grupo de delinquentes que na tentativa de fugir a policia acaba por entrar no cinema, a melhor parte que envolve os delinquentes será quando estão no carro a snifar por uma lata de coca cola, e a parte do mamilo provavelmente um tributo a Fulci [New York Ripper?], fica a ideia no ar.

O filme acaba por ter um final meio “abrupto” mas também engraçado ao vermos George a tomar as rédeas do filme e a torna-se um assassino de demónios sem dó nem piedade, mesmo que para isso tenha que conduzir uma mota com uma espada samurai!

Entre os extras que o Blu-Ray traz ficamos a saber que Lamberto sempre quis fazer um filme de fantasia e terror, que a sequela já estava preparada ainda antes de Dèmoni sair no cinema.

Argento nos dias de hoje tenta realizar o filme Sandman, Lamberto Bava infelizmente desapareceu sendo o mais recente trabalho uma série de televisão.

Dèmoni não é uma obra prima do terror, mas tem boas mortes, ambiente macabro e sangue suficiente para merecer pelo menos ser visto uma vez.

Para último destaque fica a banda sonora cheia de bandas de heavy metal a piscar o olho ao mercado norte-americano.

De Lift

“Take the stairs..take the stairs.. For God’s Sake take the Stairs!!!”

Dick Maas o que seria o mundo sem a tua genialidade ? Admito que comecei com o pé esquerdo contigo, quando vi o Sint fiquei desiludido mas para esse filme deves ter tido um orçamento gigante e todos nós sabemos que tu és realizador para poucos recursos, quando alguém te dá muito dinheiro acabas por te perder.

De Lift tem que ter um lugar especial dos filmes de terror dos anos 80. Um elevador assassino é algo que não se encontra todos os dias, se Carpenter deu-nos um carro assassino [Christine], Spielberg deu-nos o tubarão, Maas entregou-nos o elevador.

A história obviamente que é simples, um elevador começa a ganhar vontade própria e a matar pessoas, Maas aqui já se mostrava preocupado com o avanço da tecnologia. Interessante que ainda nos dias de hoje não sabemos até quando isso não pode acontecer, os avanços tecnológicos são cada dias mais maravilhosos mas também perigosos.

O filme foi filmado em 30 dias, não houve qualquer duplo os actores fizeram todas as cenas mesmo as mais perigosas, logo imagino o medo que Huub Stapel deve ter sentido na parte final do filme, como uma das melhores sequências de luta entre a maquina e o homem,

Mesmo com algumas partes simplesmente ridículas que não podemos evitar de rir, De Lift consegue criar uma atmosfera sufocante na partes em que estamos “sozinhos” no elevador.

Maas espero me poder encontrar contigo brevemente, e que um dia alguém tenha a decência de dar ao De Lift uma edição em Blu-Ray merecida, eu certamente que adicionarei a minha colecção,