Zombi 2 [1979]

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“The boat can leave now. Tell the crew. “

Dr. Menard

Respira fundo, prepara-te bem e vais conseguir. Tu serás capaz de falar sobre o Zombi 2 já viste o filme há mais de um mês, chegou a altura de dar a conhecer ao mundo aquilo que toda a gente já deve conhecer.

Zombie Flesh Eaters, Zombie 2, Zombie, Woodoo, L’Enfer des Zombies são os vários títulos que existem para o filme de maior sucesso de Lucio Fulci.

Zombi 2 é um filme cheio de polémica, qualquer fã de terror provavelmente está mais que ciente da mesma mas nunca é demais recordar.

Em Setembro de 1978 chega a Itália o filme Dawn of the Dead de George Romero, Dario Argento que tinha ajudado a financiar o filme de Romero com a condição de ficar com os direitos de distribuição fora dos Estados Unidos onde podia cortar e editar o filme a sua maneira, Romero concordou que ele o fizesse somente em países onde inglês não era a língua oficial. Assim sendo Argento cortou o filme deixando agora só com 119 minutos e alterou a sua banda sonora colocando a sua banda fetiche Goblin, o nome do filme em Itália ficou  Zombi: L’alba dei Morti Viventi e como seria de esperar teve um sucesso estrondoso.

Em  Julho de 1978 Sachetti o homem que está por trás da maior parte dos filmes italianos de essa altura, tinha escrito um argumento chamado “Nightmare Island”, esboço que serviu mais tarde para o Zombi 2. Como um dia já referi aqui os Italianos faziam mais de 360 filmes por ano, muitas vezes simplesmente copiavam as ideias dos filmes americanos e dava-lhe uma roupagem totalmente amadora, dentro de este panorama Fabrizio de Angelis viu aqui uma oportunidade de fazer dinheiro e aproveitou o argumento de Sachetti.

Sendo assim em Dezembro de 1978 De Angelis compra o argumento de Sachetti e no inicio escolhe Castellari para realizar o filme, mas o mesmo não mostra qualquer interesse em fazê-lo. Procura-se um alternativa que chega em Fevereiro de 1979 onde Lucio Fulci fica com o “papel” de director.  O filme é filmado em Roma, Republica Dominicana e em Nova Iorque e vê finalmente a luz do dia em Agosto de 1979. Óbvio que o nome então é mudado para Zombi 2 para dar a ideia que seria uma sequela ao filme de Romero, a ideia de mudar o nome do filme foi de Ugo Tucci outro dos produtores do filme.

Agora perdoem-me a heresia mas para mim Zombi 2 dá uma goleada a Dawn of the Dead em termos de todos os aspectos, mas já lá vamos. A história do filme começa com um barco a deriva em Nova Iorque, a policia intercepta o barco, ao investigar o mesmo acaba por sair de lá o nosso primeiro zombie. Mais tarde vimos a descobrir que o barco pertencia ao pai de Anne Bowles[Tisa Farrow] que ao tentar descobrir mais sobre o paradeiro do seu pai, acaba por ir ao encontro de Peter West [Ian McCullough] que também está a investigar o caso. Juntam então esforços para irem procurar o pai de Anne, assim sendo precisam de um barco para chegar a ilha aqui acabam por fazer amizade com Brian e Susan um casal que está de férias por aquelas partes, aqui a “equipa” fica completa podemos então zarpar para a ilha.

No caminho da ilha temos então a parte que provavelmente toda a gente conhece, a luta entre o Zombie e o tubarão branco, nos extras de este blu ray, um dos entrevistados finalmente dá-nos a conhecer a verdadeira razão por trás de este momento emblemático, Tucci tinha comprado 20minutos de vídeo com um tubarão no México, sendo assim “obrigou” Fulci a integrar o tubarão do filme, e em boa hora o fez pois sem dúvida que é uma cena mítica, acrescentado a excelente banda sonora de Fabio Tezzi ficamos com um marco do cinema de terror.

Chegando a ilha o festival gore que Fulci sabe nos oferecer chega finalmente, mas não é só sobre violência que este filme vive, o próprio argumento por muito que não seja digno de Óscar[se bem que actualmente qualquer coisa vale] consegue levar o filme a um bom porto e ser consistente até ao seu final.

O filme está cheio de parte míticas como a cena do tubarão, gostaria só de realçar a parte em que a belíssima Olga Karlatos [Mrs. Menard] é morta por Zombies, ou mesmo a parte do cemitério espanhol que para mim será um dos melhores momentos de zombies que vi até hoje. Óbvio que isto não era possível sem a mestria de Gianneto de Rossi que novamente apresenta uns efeitos especiais simplesmente geniais. São partes como estas que fazem a diferença entre o filme do Romero e o de Fulci, ambos são bons a sua maneira mas a minha escolha acaba por ser o filme de Fulci,

Zombi 2 além de toda a polémica que ficou envolvido acabou por ser um sucesso estrondoso acabando por ter diversas sequelas, Fulci começou a trabalhar no Zombi 3 mas acabou por deixar o filme a meio.

Devido a forte carga de violência que o filme apresenta obviamente que foi censurado,cortado e colocado nos video nasties no Reino Unido,entre outros países aconteceu o mesmo, penso eu que talvez estas sejam as principais razões para que Fulci nunca tenha tidoo reconhecimento mundial que merecia, hoje ainda existe censura em alguns filmes, e ainda fazem alguns cortes, a minha questão é para que? Tudo acaba por ser acessível mais tarde ou mais cedo.

Hoje termino com Fulci e por enquanto deixo aqui por curiosidade o meu top 5 por enquanto serão estes pois espero brevemente adquirir um box que a Shameless lançou onde inclui os filmes que ele lançou após a trilogia do “Gates of Hell” e pode ser que o mesmo acabe por mudar.

TOP 5:

  1. The Beyond

  2. Zombie Flesh Eaters

  3. The House of the Cemitery

  4. Don’t Torture a Duckling

  5. City of the Living Death

 

The Purge: Anarchy [2014]

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Existem alguns filmes que quando acabamos de ver a sequela pensamos sempre “porque é que não ficaram só pelo primeiro?”, ou mesmo aqueles que são no inicio uma trilogia e que acabam por se tornar um franchise sem fim. Quantas pessoas desejaram que o Saw tivesse terminado no primeiro ? Ou mesmo no terceiro. Quantas vezes dei por mim a perguntar porque saiu o Scream IV. Ou porque é que não deixaram descansar o Jason, ou mesmo o Leatherface.  Mas no mundo cinematográfico quem se preocupa com os espectadores? Ninguém, o filme faz sucesso das bilheteiras vamos então fazer mais e mais até rebentar com a ideia.

The Purge já rebentou, se ainda o ano passado eu falava do primeiro que estava a ir por um bom caminho mas se perdeu no final, a sua sequela infelizmente perde-se logo no inicio e a pouca originalidade do argumento é gritante.

James DeMonaco provavelmente foi pressionado a fazer a sequela, os fãs pediram, os estúdios pediram e o dinheiro acaba sempre por falar mais alto.

Então o que sobra no meio de tanta critica negativa sobre este filme? Primeiro a história se no primeiro filme a acção passava-se quase basicamente dentro de uma casa a fazer lembrar um pouco os “home invasions” clássicos com um toque de violência, aqui temos menos violência mas uma cidade inteira a matar tudo o que se mexe. Óbvio que também temos o herói que vai salvar o dia [neste caso a noite], e claro a mensagem clássica dos “ricos são maus, os pobres são uns desgraçados”.

DeMonaco critica novamente de forma explicita o abuso de armas, e o amor das mesmas pelos americanos, desta vez pisca o olho aos oprimidos pelas lutas de classes com os ricos a serem sempre mostrados como o bicho papão do mundo actual algo que já está saturado e já nada de novo acrescenta.

The Purge: Anarchy não é um mau filme, cumpre aquilo que promete, mas também não acrescenta nada de novo, se o primeiro ainda se lhe dava o beneficio da dúvida por ter ido buscar uma ideia quase original, este infelizmente junta-se facilmente aqueles filmes que vemos e no dia a seguir já nem nos lembramos do que aconteceu, tirando claro o “corpse paint” versão black metal.