Ddongpari [2008]

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O cinema permite-nos viajar rapidamente entre países sem sairmos do nosso sofá, se ainda a uns dias me maravilhava com Bava ou mesmo com Scola, ou mesmo com outro filme polaco, hoje posso visualizar um filme coreano realizado,escrito e interpretado por Ik-Joon Yang.

Ddongpari[Breathless] conta-nos a história de Sang-Hoon um homem que trabalha como “colector” de dívidas de uma forma pouco convencional, em bom português “Pagas ou parto-te todo”.

Sang-Hoon é um homem atormentado pela violência, desde pequeno que se habitou a conviver com ela, e absorveu todos os demónios que advêm dela, até que um dia conhece Yeon-Hue uma estudante que não mostra medo ou qualquer receio de Sang-Hoon. Juntam-se assim duas almas melancólicas com uma vida que nada de bom tem para oferecer.

Ik-Joon Yang leva o tema da violência domestica mais além, não nos oferece uma visão bonita da mesma, a sua forma fotografia de ar mais “urbano” assim como a sua violência sem artificialismos só tem um objectivo deixar o espectador desconfortável e consegue logo passado os primeiros 25 minutos de filme onde já estava seriamente a pensar parar o filme e respirar 10 minutos antes de voltar aquele mundo onde a esperança morreu logo a nascença.

Obviamente que também posso acusar o filme de por vezes tentar impingir demasiada carga dramática e algum exagero para obrigar o espectador a puxar da lágrima mas a vida infelizmente não é perfeita como nos livros ou os filmes, é isso que Ik-Joon Yang nos oferece uma vida sem artificialidades, uma realidade pura e dura.

P.s. – A partir de hoje deixo de atribuir notas aos filmes, penso que alguns filmes acabam por ser “prejudicados” pelas mesmas, por vezes numa segunda visualização aquele filme que tanto odiamos pode nos mostrar uma versão completamente nova e isso obrigava-me a ir aos arquivos andar a “retocar” os artigos todos logo prefiro deixar de dar notas aos filmes e deixar cada um decidir por si.

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Reazione a catena [1971]

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“I make horror movies. My aim is to scare people yet I’m a fainthearted coward. Maybe that’s why my movies turn out to be so good at scaring people”

Mestre Mario Bava

Mais um filme de Bava que aterrou na minha caixa do correio no principio de este mês, quis o destino que só o consegui-se ver no final do mesmo, mas como na vida mais vale tarde que nunca e por Reazione a Catena valeu a espera e demora.

Antes de falar sobre o filme quero só deixar aqui uma palavra de apreço ao artwork que a Arrow Video apresenta neste Blu-Ray simplesmente genial, numa única imagem consegue inserir vários elementos no filme.

Reazione a catena é conhecido por ser provavelmente o pai do “slasher” e foi com essa ideia que comecei a ver o filme, mas nos primeiros cinco minutos parecia que se ia tornar num “giallo” mas Bava surpreende novamente e apresenta-nos logo o assassino para o matar de seguida.

Se nos slashers convencionais temos um assassino que mata e desbrava tudo que lhe aparece pelo caminho, Reazione a catena consegue sobressair-se de uma forma genial.

Para tal conta com um argumento maravilhoso Dardano Sacchetti que junta a ideia de várias personagens que por motivos diferentes desejam ser donos da “baía” que pertencia a condessa assassinada no inicio do filme e para chegarem a tal objectivo não se importam de matar quem lhes aparecer a frente.

Reazione a catena tem todos os elementos de um bom “slasher”, mortes em massa, são 13 em menos de 85 minutos uma delas ficou marcada por ter sido “copiada” para o filme Sexta Feira 13 II, jovens inocentes com o libido em alta para termos a rapariga que corre semi-nua a fugir de um dos nossos assassinos, até ao final mais surpreendente que tive oportunidade de ver recentemente em filmes de terror.

Neste filme como em todos que tive oportunidade, é possível  ver todo o talento que  Bava usava atrás das câmaras,os close ups, as cores algo que é explicado de uma forma muito interessante por Gianlorenzo Battaglia que também merece o seu destaque.

Em termos de curiosidades o Blu-Ray traz alguns extras interessantes, a entrevista com Gianlorenzo Battaglia algo que já referi em cima e também uma entrevista com Dardano Sacchetti argumentista que teve a oportunidade de trabalhar com os três grandes realizadores de terror italianos: Argento , Bava e Fulci deixando pequenas curiosidades sobre os mesmos.

Também fiquei a descobrir que Bava nunca se desejou “internacionalizar” ficando sempre por Itália, rejeitando sempre propostas tentadoras mesmo vindas por exemplo do produtor Dino De Laurentiis que por diversas vezes o quis levar para os Estados Unidos da América.

Bava Lives!

P.S. – Última nota para a banda sonora, Stelvio Cipriani fez um excelente trabalho deixo aqui um “pequena” amostra para se maravilharem, foi-me impossível não “cantar” a primeira música durante o dia todo..

Nota: 8/10

Movie Quote – Giù la testa [1971]

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Juan Miranda: I know what I am talking about when I am talking about the revolutions. The people who read the books go to the people who can’t read the books, the poor people, and say, “We have to have a change.” So, the poor people make the change, ah? And then, the people who read the books, they all sit around the big polished tables, and they talk and talk and talk and eat and eat and eat, eh? But what has happened to the poor people? They’re dead! That’s your revolution. Shhh… So, please, don’t tell me about revolutions! And what happens afterwards? The same fucking thing starts all over again!

[Extra] Encarnação do Demónio [2008]

Fotografia0035Demorou o seu tempo mas chegou o “extra” prometido, nada mais nada menos que o filme Encarnação do Demónio  a conclusão da trilogia do Zé do Caixão  que chegou aos cinemas quase 40 anos depois e  finalmente aterrou em 2008.

Tal como o Maestro Argento demorou a concluir a trilogia das “Três Mães” também o nosso coveiro favorito demorou cerca de 40 anos para finalizar a sua obra. Entre problemas técnicos e entre 5/6 vezes tentativas frustradas finalmente temos o produto final.

A pergunta que se coloca logo ao colocar o Blu-Ray no leitor é “Será que Mojica ainda está em boa forma para fazer um bom filme de terror?”, após os primeiros 10 minutos todas as dúvidas se dissipam.

Mojica com a sua habilidade e claro com ajuda externa apresenta-nos um trabalho competente, consegue até promover os seus filmes mais antigos sem precisar de grandes artifícios.

A história do filme é a seguinte, passado 40 anos Zé do Caixão é finalmente solto do seu cativeiro, a sua espera está Bruno o seu fiel “empregado” que nos foi apresentado no “Esta Noite Encarnarei no seu Cadáver”. Ao chegar a sua residência Zé do Caixão não esquece o sonho de ter um filho que lhe conceda a imortalidade através do seu sangue.

Mojica adapta-se bem a nova onda do cinema de terror . Se os seus filmes mais antigos tínhamos Zé em grandes diálogos filosóficos a roubar todas a cenas do filme, aqui Zé do Caixão divide os seus diálogos sobre a vida e a morte,  com sangue e violência gratuita. Algumas torturas para agradar os novos fãs de terror,agora com mais liberdade sem problemas com a censura militar por isso podem esperar violência de fazer inveja alguns filmes americanos mas também usa e abusa de mulheres nuas, Mas para mim o mais importante é que mantém a sua matriz e não se esquece dos seus fãs mais antigos ao ponto de fazer pequenas homenagens aos seus filmes sem parecer pretensioso.

Mais interessante é o pequeno making off (o único extra que o blu-ray traz) onde vemos um Mojica a tentar adaptar-se as novas tecnologias como por exemplo a obrigação de filmar com som, algo que ele não estava habituado e ficamos também a saber que a maldição dos actores que morrem ao participar nos filmes do Zé do Caixão ainda são verdadeiras.

O Coveiro em 2008 arrumou a sua capa e cartola, mas tenho a certeza que não será por muito tempo. Pois o público merece mais Zé, e tenho a certeza que Mojica também assim o deseja.

Obrigado Zé! Até logo.

Nota: 7/10

 

Maldito – O Estranho Mundo de José Mojica Marins [2001]

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Para finalizar a minha maratona do Zé do Caixão a Anchor Bay empresa responsavel por esta box apresenta-nos um documentário de 2001 realizado por André Barcinski e Ivan Finotti.

Um documentário que não tem mais de 1 hora que tenta de um forma bem leve e resumida passar em revista toda a carreira cinematográfica de Marins, focando vários filmes do mesmo mas claro com um maior ênfase a personagem Zé do Caixão.

Ao fim da curta duração do documentário ficamos a conhecer um lado mais humano de Marins, os seus gostos pessoais, a sua paixão pelo cinema, a “fonte” para muitas ideias dos seus filmes, a dificuldade de aprovação dos seus filmes pela censura brasileira e a obrigação de “cair” para o mundo porno para sobreviver.

Interessante ver Marins num lado mais intimo depois de uma maratona de filmes e finalmente perceber a origem da personagem Zé do Caixão. Ficamos também a conhecer a razão pela qual a sua personagem encontra-se tão desligada da igreja católica.

As histórias de bastidores dos filmes de Marins são sem dúvida a parte mais interessante de todo o documentário, quero só deixar novamente como ponto negativo a duração do documentário mas acima de tudo penso que faltou falar mais sobre a  influência que Marins teve no cinema de terror brasileiro, assim ficamos só com uma ideia muito superficial do seu trabalho e da sua marca.

Nota:7/10

P.s. – Como esta box não traz qualquer extra eu próprio decidi arranjar um “extra” para finalizar esta maratona. Brevemente aqui no blogue.

A Meia Noite Levarei a sua ALMA! 

Delírios de um Anormal [1978]

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Corria o ano de 1994 Wes Craven decidia ressuscitar o seu vilão mais ícone de sempre,Freddy Krueger e como o faz? Transporta-o para a realidade e assim cria o filme New Nightmare.. E corta pois estamos aqui para falar de Delírios de um Anormal.

A ideia de Delírios de um anormal é exactamente a mesma do “New Nightmare”. O Dr. Hammilton começa a ser perseguido pelo Zé do Caixão nos seus sonhos, e acreditar que ele quer raptar a sua noiva para fazer dela a sua mulher para a criação do filho perfeito.

Novamente como já em outros filmes que passaram por aqui Marins mostra-se um argumentista brilhante, com ideias que podiam resultar melhor se na altura tivesse tido um orçamento mais modesto, assim com falta de melhor Marins simplesmente debita imagens de todos os seus filmes anteriores até a exaustão, ao ponto de chegarmos a uma fase que estamos a passar a frente os minutos de filme só para chegarmos as partes que existe algo novo.

Surrealismo, peitos de fora e Zé do Caixão é a imagem de marca de Delírios de um anormal, se já tiveram oportunidade de ver os filmes falados anteriormente no blogue não vale a pena perderem muito tempo com este, vejam só por curiosidade ou por masoquismo.

Nota: 5/10

Inferno Carnal [1977]

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Em 1990 havia de sair Darkman, filme realizado por Sam Raimi, conta-nos a história de um cientista que é queimado vivo,após essa tentativa de assassinato ele renasce “sem rosto” e procura vingar-se das pessoas que o tentaram matar.

Marins teve exactamente a mesma ideia anos antes, em 1977 mostra novamente que quando deixa os seus experimentalismos de fora, consegue realizar e escrever um filme digno de seu nome.

Inferno Carnal conta-nos a história de José Medeiros um excelente cientista que toma mais atenção ao seu trabalho que há própria esposa, ela que entretanto se encontra num caso amoroso com um amigo do Dr. Medeiros. Juntos decidem mata-lo para assim ficarem com a sua fortuna.

O plano acaba por não resultar pois Dr. Medeiros acaba por sobreviver ao ataque de ácido e a uma operação muito complicada, onde temos até agora talvez uma das cenas mais marcantes de todos os filmes que vi de Marins, a operação ao olho parece demasiado real.

O filme após a operação, entra num loop repetitivo até chegarmos ao final do mesmo, onde a surpresa é alguma. Mesmo que não seja algo já visto anteriormente,

Marins volta a mostrar capacidade para mais o grande problema é que por vezes perde-se em momentos repetitivos e desnecessários e acaba por deixar que os seus filmes percam a velocidade inicial, para entrar numa penosa marcha lenta.

Nota: 6/10