A Estranha Hospedaria dos Prazeres [1976]

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Depois de dois filmes sem contar com a presença de Zé ele finalmente reaparecer para criar uma pensão de prazeres, isto ajudou a tornar o filme mais interessante.

José Mojica volta a trazer a sua icónica personagem há vida para mais um capitulo bizarro. Os primeiros 10 minutos de filme aproveitam novamente momentos que tinha sido utilizados no filme anterior, interessante que é algo que tem sido constante nos últimos filmes.

Zé do Caixão é ressuscitado e decide abrir uma pensão dos prazeres, onde só algumas pessoas são aceites a ficar, e é aqui que o filme tem a sua magia mesmo que como tem acontecido nos filmes anteriores temos uma variedade de  imagens soltas e algum sexo a mistura.

É impossível não falar sobre o resto do filme sem acabar por abrir toda a verdade do mesmo, logo deixo aqui uma critica pequena, porque mesmo com todos os seus defeitos. A Estranha Hospedaria dos Prazeres merece ser visto, óbvio que só aconselho a quem esteja familiarizado com os filmes do Zé do Caixão.

Nota: 5.7/10

Finis Hominis [1971]

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Marins volta a deixar Zé do Caixão sentado no banco de suplentes para nos apresentar outra personagem em mais um filme que novamente deixa muito a desejar.

Não consigo encontrar razão para uma queda tão grande de qualidade nos filmes de Marins, um começo prometedor com o primeiro filme do Zé, o segundo filme a manter o nível, mas os últimos exemplares são maus demais para se encontrarem uma justificação credível.

Finis Hominis é a estreia de Marins nos filmes a cores, não estou a contar com o inferno no “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” pois foram simplesmente alguns minutos, aqui o filme é todo a cores, e talvez seja o único ponto a favor pois por momentos dá-lhe uns toques “Argento” as suas imagens.

A história de Finis Hominis tem uma certa originalidade, um homem aparece nas ruas de Santos vindo do mar profundo. Começa aparecer nos momentos certos para ajudar pessoas em momentos críticos, ajudando assim a criar o mito que é Jesus renascido. Os episódios por vezes parecer ser tirados de situações da bíblia, mas isto é somente a minha interpretação. A parte que deixa o filme aquém das expectativas são os momento que parecem estar no filme só para encher minutos e que pouco ou nada têm de conteúdo, algumas partes completamente sem nexo, já para não falar no teor sexual  que começa a subir de uma forma ridícula, algo que já vem no filme anterior.

Finis Hominis acaba por provocar a sua própria morte devido a ser pouco ambicioso e perder-se demasiado em imagens fúteis, por outro lado o baixo orçamento e os tempos dificies que o Brasil viva na altura em que o filme foi realizado talvez ajude na sua defesa, mas existem filmes feitos em tempos difíceis que ainda hoje sobrevivem ao tempo, Finis Hominis não o faz.

Nota: 5/10

O Ritual dos Sádicos [1970]

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Foram necessários quatro longos dias para conseguir ver o Ritual dos Sádicos, não porque o filme tivesse cinco horas de duração, mas sim porque todo o filme é uma manta de retalhos de surrealismo e experimentalismo de baixo nível.

Admito que ao ver um filme espaçado e não de seguida acaba por influenciar a minha opinião final, mas penso que mesmo que o tivesse visualizado de seguida continuava a ter a mesma opinião.

Durante um debate de jornalistas com o psiquiatra Dr. Sérgio e José Mojica Marins[Zé do Caixão] o Dr. Sérgio apresenta vários casos de sexo bizarro e orgias associada ao uso de drogas. Os jornalistas defendem que os casos estão relacionados com pervertidos e criminosos, mas o Dr. Sérgio acusa a influência de drogas para a violência. Em seguida, o Dr. Sérgio convida quatro pessoas de diferentes classes de usar LSD e analisar o efeito de Zé do Caixão em filmes de suas mentes deturpadas, para provar sua teoria.

Aqui encontra-se a verdadeira razão para o filme ser uma manta de retalhos de imagens sem nexo, usa a ideia da droga para provocar a sensação de confusão aos espectadores.

Após os primeiros 40 minutos, entramos na segunda parte do filme. A parte em que Dr. Sérgio decide usar quatro cobaias para usarem o LSD e visualizarem um filme do Zé do Caixão, aqui entra uma massagem ao ego de Marins que acaba por roçar o ridículo.

O Ritual dos Sádicos por vezes mais parece uma promoção a personagem Zé do Caixão que uma tentativa de fazer um filme com história, é pena que tal aconteça pois não esperava que Marins precisa-se de entrar nesse tipo de jogos.

Espero que o próximo filme consiga voltar a qualidade que prometeu no inicio do primeiro filme.

Nota: 5/10

O Estranho Mundo de Zé do Caixão [1968]

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Ao terceiro dia[filme] o Zé do Caixão descansou, ou simplesmente encarnou outra personagem.

O Estranho Mundo de Zé do Caixão conta-nos três histórias distintas entre si, usado ainda imagens dos filmes anteriores a demonstrar  que o orçamento sem dúvida é muito baixo, e por isso merece o meu apreço.

A primeira história chama-se “O Fabricante de Bonecas”, conta-nos a história de um velho senhor que tem uma técnica muito particular para criar a suas bonecas, com a ajuda das suas 4 filhas consegue arranjar um elemento mais humano que as torna sem dúvida mais reais. Filme banal, sem grande motivo de interesse mas que cumpre o seu objectivo é simples e vai direito ao ponto.

Tara é o nome da segunda história, um filme corajoso sobre a necrofilia que não tem um único diálogo deixa as imagens falar por si, longe do choque que alguns filmes mais tarde provocaram sobre o mesmo tema mas novamente eficaz. E se formos a pensar que este filme é de 68 o choque deve ter sido muito.

Para o final temos Ideologia, depois de um debate em um programa de TV com o jornalista Alfredo sobre a inexistência de amor, Professor Oaxiac Odez[Zé do Caixão “disfarçado” por outra personagem] convida Alfredo e sua esposa Wilma para visitá-lo. Professor Odez oferece-se para provar a Alfredo que o instinto prevalece sobre a razão, aqui temos novamente a filosofia da vida, os monólogos de Zé do Caixão.

O filme torna-se um pouco mais violento, temos direito até a momentos de canibalismo, e consegue-se provar sem dúvida que o instinto prevalece sobre a razão.

Os 3 filmes em conjunto são eficazes, não são originais no tempo que correm mas ainda podem envergonhar alguns filmes de terror actualmente.

Nota: 6/10

Nota de rodapé: Ontem Mojica fez 76 anos, fica aqui os meus Parabéns! E que brevemente nos volte a maravilhar com uma obra do Zé!

Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver [1967]

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Continua a minha maratona pelos filmes de Mojica, neste segundo capitulo da saga Zé do Caixão ele continua exactamente onde o primeiro filme nos deixou.

Zé do Caixão muda-se para outra cidade onde continua a procurar a mulher perfeita para ser a portadora do seu filho perfeito, aquele que vai ser o espécime perfeito neste mundo imperfeito.

O filme anterior deixou-me com água na boca para os restantes filmes, e talvez tenha influenciado o resultado final sobre este, a história aqui não é nova, os momentos mais marcantes do “Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver” são os seu primeiros 15minutos onde Zé do Caixão reúne seis raparigas para ver se alguma dela será capaz de ser a escolhida e a parte em que o Zé tem alucinações com o inferno, um momento totalmente surrealista com toques fazer lembrar-me o fantástico filme japonês “Hausu”.

Outro problema do filme é a sua longevidade demasiado longo para uma história que infelizmente já se viu no filme anterior, mesmo que agora consiga ir um pouco mais além.

Não deixa de ser um filme interessante mas fica uns furos abaixo da primeira investida, mesmo assim o meu entusiasmo não arrefeceu e continuo a percorrer a minha box com uma curiosidade.. mórbida!

Nota: 6/10

À Meia-Noite Levarei Sua Alma [1964]

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A Internet é uma ferramenta poderosa, com ela podemos encontrar milhões de filmes que por vezes infelizmente estão inacessíveis, perdidos ou esquecidos numa estante qualquer. Mas também serve para encontrar maravilhas como esta colecção do Zé do Caixão.

Decidi recentemente começar oficialmente a minha colecção de filmes de terror. Podia ter começado por qualquer director conceituado ou mesmo com os clássicos do género, mas decidi arriscar e comprar esta box do Zé do Caixão por 11 libras e pouco na Amazon.

Faz hoje talvez 2 anos e pouco que vi pela primeira vez um filme do Zé do Caixão, este mesmo que vou falar hoje, interessante que na altura achei-o fraco, sem chama e sei qualquer elemento de surpresa.

A diferença de há 2 anos atrás para ontem é que vi o filme sem sono, sem pressão e com vontade mesmo de explorar a filmo-grafia do Mestre José Mojica Marins.

À Meia-Noite Levarei Sua Alma é um filme simples, conta-nos a história de Zé do Caixão um agente funerário/coveiro que procura uma mulher que lhe possa dar um filho, que continue a sua linhagem, a sua esposa Lenita não pode satisfazer essa vontade pois não pode ter filhos, sendo assim Zé do Caixão procura por uma mulher que o possa fazer.

A escolhida é Terezinha que infelizmente está noiva do seu melhor amigo António, mas isso não vai impedir Zé de a conquistar nem que para isso tenha que matar o seu amigo.

Zé do Caixão logo na sua primeira aparição deixa a sua marca, uma personagem anti-religisosa, provocante e sem escrúpulos. José Mojica Marins cria aqui um “monstro” que ganhou logo um lugar no meu top de vilões favoritos.

Mojica não consegue que o filme tenha diálogos consistentes, as interpretações dos restantes elementos do filme são fracas os efeitos especiais são de baixo orçamento mas acima de todo competente mas a verdadeira força do filmes está em Zé. Ele é a alma do filme, os seu monólogos sobre a vida e a morte são simplesmente geniais. Sem qualquer complexo em atingir a fé cátolica num pais conhecido pelo seu fanatismo religioso Mojica deixa a sua marca bem vincada.

O cinema brasileiro em 64 já mostrava capacidade para surpreender o mundo, vamos ver se Mojica consegui-o manter o nível ao longo dos próximos 8 filmes que a box contêm.

Nota: 7.5/10

The Devils [1971]

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Existem muitos filmes com capacidade de chocar nos tempos de hoje. Temos os “torture porn”, os “Serbian Movie’s” entre outros, mas como o objectivo é provocar só choque usando imagens violentas, quantidades de sangue industrial, ou mesmo por vezes imagens a roçar a pornografia algo que me passa completamente ao lado.

The Devils é um filme que ao contrário do que referi anteriormente é capaz de chocar, enjoar e deixar nos perturbados. Ao chegar ao fim do filme fiquei com um rasto de imagens que me perseguiram-me, atormentaram-me mas acima de tudo deixaram-me satisfeito por ver que não tentou ser um filme choque por o ser, tem razões para o fazer e mostra-se capaz de construir uma história acima da média e ainda deixar traços de genialidade que pouco se encontra nos dias de hoje.

The Devil passa-se na idade média, mais precisamente em França. O cardeal Richelieu deseja “conquistar” a cidade de Loudun, mas o padre Urbain Grandier mostra-se relutante em aceitar esse desfecho, então tudo faz para impedir que tal se suceda.

Sendo assim estrutura-se um plano maquiavélico para levar a população a crer que Grandier venerava o Diabo. Contam com a “ajuda” involuntária da freira Jeanne que vive enclausurada num convento e tem desejos carnais pelo padre. Quando descobre que o padre se casou com Madeleine uma rapariga que antes se imaginava a viver no convento, Jeanne deixa-se levar pela ciúme e acusa Grandier de a possuir e vê-lo a fazer acordos com o diabo.

A anarquia total que o filme apresenta ao fim de um hora é simplesmente marcante, a igreja onde o julgamento toma lugar vê as freiras a profanar todos os seus símbolos católicos,sem qualquer misericórdia, aqui as imagens são fortes mas necessárias, pois ao contrário do filme Subconscious Cruelty[falei aqui no blogue sobre ele] o filme não ataca igreja católica porque sim. É por esta razão que Ken Russell e a sua obra prima The Devils se destaca, não profana por divertimento ou para chocar, mesmo que por vezes seja impossível não o fazer. Provoca e choca mas ao menos tem uma razão para o fazer.

Ken Russell apresentou-me uma obra prima que ficará sem dúvida no meu top de 2014, e ainda o ano vai a começar.

The Devils é sem dúvida um filme de visualização obrigatória, e merece uma atenção mais mediática.

Nota: 8.5/10