Lo squartatore di New York [1982]

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Conheci Lucio Fulci com o filme “…E tu vivrai nel terrore! L’aldilà”, terror acima da média, qualidade de efeitos especiais de fazer inveja para a época, e aquando o seu lançamento foi banido em alguns países.

Coincidência ou talvez não Lo squartatore di New York encontrou o mesmo destino, banido em vários países, com algum extremismo clássico da época, como por exemplo do Reino Unido em que as cópias foram aprendidas e “escoltadas” pela policia até ao aeroporto para serem “deportadas”.

Curiosidades deixadas de lado vamos ao filme em si. Lo squartatore di New York conta-nos a história de um assassino com “voz” de pato [talvez a parte que menos me entusiasma no filme,mesmo sendo justificada no final] que vai assassinado mulheres bonitas e com uma sensualidade(ou um libido altíssimo se assim o quiserem), após as primeiras vitimas um policia junta-se a um psicólogo para tentar descobrir o estripador de Nova Iorque.

Fulci leva-nos para um submundo de Nova Iorque a fazer lembrar vários filmes de essa altura, em que vamos seguindo pelo mundo da prostituição, perversão e sexo.

O gore que encontramos no filme, arruma num canto muito dos filmes actuais, pois as suas cenas deixam sequelas para os olhos mais sensíveis. Basta-me lembrar me do assassinato da prostituta favorita da nossa policia em que o nosso estripador corta um olho, entre outras coisas com uma lâmina de barbear.

Lo squartatore di New York não é um filme de fácil visualização, nem tem actores dignos de grandes prémios do cinema. É um filme que usa e abusa da sensualidade feminina e claro do gore característico de Fulci. Sem dúvida um must see!

Nota: 7/10

Chocolate [2008]

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O destino é algo interessante principalmente quando realmente acontece algo que nos faz acreditar nele.

Passo a explicar, Prachya Pinkaew em 2003 apresentou-me o Ong Bak, filme de artes marciais que trouxe uma lufada de ar fresco a esse género que parecia estar morto desde que o JCVD entrara na reforma. Após muito burburinho em 2005 chega Tom yum goong que na altura foi-me publicitado como “Ong Bak 2”, se havia dúvidas que estava perante o meu novo action hero favorito este filme veio acabar com elas, Tony Jaa estava em alta. Os seus combates, os seus golpes, as suas coreografias parecia que tinha voltado a minha infância, logo quando recentemente descobre que Tom yum goong 2 estava para sair a minha felicidade foi imensa. Enquanto esperava por esse filme, apareceu “The Raid” que tive oportunidade até de falar aqui no blogue, novamente um filme acima da média e a mostrar que filmes de acção, também podem ser bons filmes.

Logo a pergunta colocava-se, como iria Prachya Pinkaew e o seu “discípulo” Tony Jaa responder a um filme que facilmente competia, ou chegava mesmo a retira-lo do trono de melhor filme de artes marciais dos últimos 10 anos. A resposta foi má, demasiada má que até me rejeito a falar de esse filme aqui e aqui finalmente entra o destino, após 1h50m de sofrimento a ver Tom yum goong 2 queria limpar a cabeça de um filme tão mau, o The Raid 2 ainda não saiu logo não era candidato, não tinha mais nenhum filme de artes marciais sem ser o Chocolate então decidi arriscar.

Chocolate conta-nos a história de uma menina autista com habilidades para as artes marciais. Um dia para ajudar a sua mãe que se encontra em dificuldades decidi ir com o seu amigo aos gangues que devem dinheiro a mesma, aqui já se sabe para onde o filme caminha, lutas sem fim, com alguns bons momentos, mesmo nunca chegando a um “The Raid” ou um Ong Bak mas sem dúvida melhor que o TYG 2.

JeeJa Yanin [Zen a rapariga autista] mostra ter qualidades de luta, e não se deixa intimidar nunca durante o filme, realizado algumas boas coreografias e acima de tudo, deixa-nos com um excelente filme de artes marciais.

Não deixa de ser engraçado ver a promoção que Prachya Pinkaew faz aos seus próprios filmes, e ver uma cena a fazer lembrar totalmente o Kill Bill 1.

Depois de tanta conversa chega finalmente a conclusão do destino, quando acabei de ver o filme fui ver quem o tinha realizado, para minha surpresa tinha sido.. Prachya Pinkaew espero que aprenda com os seus erros e volte a demonstrar todo o seu talento.

Nota: 6.5/10

Cani arrabbiati [1974]

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Mario Bava realizador italiano que não necessita de qualquer apresentação volta ao meu blogue, e como seria de esperar pela porta grande.

Cani Arrabbiati[Kidnapped] foi um filme que por momentos quase se perdeu.Realizado em 1974 esteve guardado na gaveta até 1998 devido a problemas financeiros, jurídicos e talvez algo mais.Infelizmente Bava não viu esta obra prima ver a luz do dia, mas segundo o seu filho Lamberto Bava ele mesmo o considerou-o o melhor filme da sua carreira.

Cani Arrabbiati conta-nos a história de 3 assaltantes que depois de verem o seu condutor de fuga ser morto são obrigados a usar o plano B. Perseguidos pela policia raptam Maria[Lea Lander] para fugir as autoridades, mais tarde apoderam-se do carro de Ricardo [Riccardo Cucciolla] onde se encontra uma criança. A partir daqui o filme desenrola-se quase sempre dentro do veiculo, onde os assaltantes vão usando e abusando das suas vitimas, e como não se podem movimentar muito dentro do carro ficamos sempre com aquela sensação de sufoco e claustrofobia.

Os 3 assaltantes tem personalidades diferentes o que traz outra luz ao filme, se todos fossem iguais talvez se torna-se demasiado fácil e chato.Sendo assim temos o Dottore [Maurice Poli] cabecilha do bando que tenta sempre manter a calma e organiza sempre as fugas e os planos, Bisturi [Don Backy] sádico não tem qualquer problema em assassinar uma refém para fugir a policia logo no inicio do filme talvez seja a personagem com maior transformação durante o filme, e claro Trentadue [George Eastman]  o mais inconsistente, sádico e psicopata do gang que não se faz rogado em atormentar as vitimas durante todo o filme.

Cani Arrabbiati nunca se chega a tornar monótono mesmo que se toda a acção seja quase toda passada dentro de um veiculo.O final também é sem dúvida uma bomba para todos os que conseguirem aguentar o terror psicológico que Trentadue imprime durante o filme.

Bava será imortal e certamente que voltará aqui ao pasquim, pois certamente que pérolas será algo que nunca faltará na sua filmo grafia.

Nota: 7/10

Tsumetai nettaigyo [2010]

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O que leva um homem normal virar um assassino é a pergunta no poster. Algo que me deixou curioso mas para saber a resposta tive que digerir duas horas de filme, com um espectáculo de gore, sangue, mulheres nuas e sexo.

Nobuyuki Syamoto é um homem que não tem grande expectativas de vida, pai de uma filha rebelde e casado com uma mulher que não lhe dá o amor que ele procura leva uma vida casual na sua loja de peixes. Até que um dia recebe uma chamada de um supermercado a dizer que a sua filha foi apanhada a roubar,chegando lá conhece Yukio Murata[que excelente representação durante o filme inteiro] um homem cheio de confiança, simpático e acessível que ao ver a situação em que Syamoto se encontra oferece um emprego a sua filha da loja de peixes.

Aos poucos Yukio Murata começa aproximar-se mais de Syamoto oferecendo-lhe oportunidades de negócio, e quando menos se espera Syamoto descobre o segredo mais obscuro de Murata, ele e a sua esposa matam pessoas.

Quando descobrimos finalmente o maior segredo que o filme esconde, entramos numa espiral de violência e humor negro um pouco fora do normal. Conseguimos nos meter facilmente no papel de Syamoto e pensar até onde um homem pode aguentar até finalmente quebrar, quando isso acontece Syamoto torna-se simplesmente um homem devastador.

Admito que não conhecia o trabalho de Shion Sono mas este é sem dúvida um excelente cartão de visita. Provocador, violento e com um humor negro acima da média esta é a imagem de marca de Cold Fish.

Nota: 6.9/10

Pintu terlarang [2009]

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Foi necessário ir a Indonésia para encontrar um novo filme de terror que me enche-se as medidas. Pintu terlarang [The Forbidden Door] mostra-nos que não é preciso ter um orçamento gigante, ou actores de renome para se apresentar um bom filme. Basta sim uma boa história e o resto é facilmente esquecido, a montagem um pouco amadora ou mesmo o elenco que não são precisamente actores/actrizes para ser nomeados para prémios internacionais conseguem fazer o que se lhe pede, manter um filme num nível completamente aceitável.

Pintu terlarang é um filme difícil de falar sem acabarmos por revelar um pouco da sua história. Gambir é um escultor de mulheres grávidas que contem um segredo macabro,mas não é por ai que o filme se vai desenvolver. Alias é exactamente por essa razão que este filme nos mantém presos ao ecrã até aos créditos finais, pois vão-se lançado pequenas histórias para distrair o espectador do final assombroso.

Gambir é um filme de 2009, esteve em exibição numas das edições do Motelx e o seu realizador Joko Anwar consegui-o ganhar um prémio com ele, é sem dúvida um filme que merece ser descoberto. Tem momentos de surrealismo extremo, mas nunca chega atingir o inexplicável.Pérola!

Nota: 7.5/10

Deadgirl [2008]

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Sou fã de filmes de terror assumido, filmes de gore, espíritos, fantasmas,exorcismos tudo o que vier mau ou bom estarei sempre na fila da frente para ver, mas só um tema me deixa com um pé atrás, a necrofilia. Por essa razão nunca ganhei coragem de ver o Nekromantik sendo um clássico de terror que aborda esse tema, por essa mesma razão adiei a visualização de este filme por 2 anos! Sim tinha este filme à mais de 2 anos para ver.

Ontem ganhei coragem finalmente para o ver, com um pensamento sempre em mente. “Mesmo que as cenas sejam demasiado pesadas ou brutais lembra-te, é só um filme!”

Infelizmente ou felizmente dependendo do ponto de vista não foi preciso chegar a esse ponto,pois Deadgirl não trata do tema da necrofilia. Simplesmente conta-nos a história de dois jovens que encontram uma rapariga que não consegue morrer, amarrada numa maca num antigo hospício abandonado.

Deadgirl sofre do mesmo problema que muitos filmes sofrem actualmente, uma boa ideia que é estragada pela interpretação plástica dos seus protagonistas, e pela falta de qualidade dos diálogos que são simplesmente horrorosos, já para não falar das cenas sem sentido que por vezes acabam por cair de para-quedas no meio do filme.

Mas comecemos pelo inicio, como disse anteriormente dois jovens decidem faltar as aulas, e ir para um hospício abandonado beber umas cervejas, enquanto exploram o mesmo acaba por descobrir uma rapariga amarrada a uma cama, totalmente nua e abandona. Aqui começa a beleza do filme, se por um lado Richie tenta ir pelo bom senso de chamar a policia, ou leva-la ao hospital, JT que supostamente seria o grande vilão do filme sai-se com a ideia genial de violar, e abusar da rapariga, em dois minutos ele decide todo o rumo do filme, vamos ficar aqui dentro de esta cave a passar o tempo todo a violar a rapariga, e chamar uns amigos para fazer o mesmo.

As interpretações plásticas dos dois jovens principais são más demais,nunca chegam a convencer logo não existe forma de o filme ser levado a sério. Os ataques de fúria de Richie então são sem dúvida o ponto alto.Quando ele rasga um desenho que tem no quarto em mais um dos seu 30 ataques de fúrias que tem durante o filme é algo mágico e merecido ser visto e revisto por toda a gente que gosta de se rir um pouco.

Passado uma hora de filme onde parece que não existe qualquer rumo o realizador decide começar a inventar algo novo, e chega-se a um final que de novidade não tem nenhuma, que podia ter sido a sua salvação, mas novamente os diálogos e a forma como o final é conduzido parece não ter qualquer chama.

Um filme com imenso potencial que acaba por morrer devido aos seus próprios erros primários.

Nota: 5/10

Open Grave [2013]

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Quando começa um novo ano fazemos sempre imensas promessas que no fim do mês de Janeiro metade delas já foram pelo cano abaixo. Eu em termos pessoais decidi finalmente não fazer nenhuma promessa, tirando a clássica “Este ano vou-me dedicar mais ao blogue,música e literatura”, por enquanto ao blogue estou com algo tempo livre logo dá para ir actualizando com frequência, mas claro que não será por muito tempo.

Acabando o monologo para encher texto vamos ao que interessa, Open Grave filme que esteve na abertura do Motelx do ano passado, tem uma primeira meia hora forte e cheia de mistério. Um homem acorda numa vala cheia de corpos, não sabe quem é o que ali faz, ou o que simplesmente aconteceu. Acaba por ir ao encontro de uma casa onde estão outras pessoas na mesma situação que ele, tirando que não acordaram numa vala cheia de mortos, só por essa razão estão em vantagem em relação ao nosso anónimo pois tem todas as razões para não confiar nele.

Open Grave é mais um filme que usa a amnésia como prato forte para o seu argumento, após a primeira meia hora de visualização lembrei-me logo de um filme que vi há uns anos atrás, Unknown de 2006 em que também 5 pessoas acordavam numa garagem sem se lembrarem do que tinha acontecido, até os actores estão parecidos se no primeiro temos Jim Caviezel no segundo está Sharlto Copley.

Mas a história é diferente do filme que estava a referir, mas como é óbvio não original. Pragas, mortes, vírus desconhecidos já os vimos em diversas ocasiões, mas penso que este filme tem argumento suficiente para nos deixar agarrado a cadeira a espera da grande conclusão, que por muito óbvia que seja é sempre satisfatória.

Gonzalo López-Gallego realizador espanhol está a dar os primeiros passos em Hollywood, primeiro apresentou o Apollo 18 agora o Open Grave se continuar a dar passos pequenos como até agora pode ser que consiga finalmente atingir todo o seu potencial, por enquanto vai-me agradando com esta pequenas obras.

Nota: 6.7/10