12. Zeder [1983]

-Zeder

Pupi Avati foi o realizador que durante este ciclo me deixou melhor impressionado com o filme La casa dalle finestre che ridono que já falei aqui a uns posts atrás. Devido a essa situação foi com enorme expectativa que comecei a ver Zeder. Mas o sentimento final sobre este filme é algo que fica no morno, este é daqueles tipo de filmes que não são maus, mas também não nos enchem as medidas de forma que aconselhe ou vá já para a rua gritar em altos berros “Vejam o Zeder”.

Passo a explicar o porque de ficar com sentimento morno perante mais um filme de Avati. O filme conta-nos a história de um escritor que depois de receber uma velha maquina de escrever, presente da sua esposa descobre que ela contem um texto sobre a morte e a ressurreição numa fita dentro da velha maquina.

Começa a partir daqui uma investigação sobre esse texto que o leva a um antigo cientista Paulo Zeder que acreditava ter descoberto um lugar onde era possível regressar dos mortos. Não será pela história que o filme peca porque nunca a deixa cair no ridículo, desde o inicio da investigação até ao seu final estamos sempre agarrados ao ecrã, pois ela está bem construída e consegue manter o seu suspense até ao fim. Para mim a parte que mais me leva a ficar com um sabor amargo é a tentativa de uma cópia/tributo da obra prima de Fulci […E tu vivrai nel terrore! L’aldilà] e existem filmes que estão bons como estão não precisam de ninguém a contar-nos novamente ou a mostra-nos que também o sabem fazer. O final tem toques de Pet Sematary mas neste caso o filme saiu anos mais tarde.

Talvez seja por esta razão que Avati não está ao lado dos grandes nomes de terror do cinema italiano, mas também por não desiludir provavelmente um dia voltarei a falar sobre ele aqui no meu blog.

Nota: 6.5/10

Próximo filme: La sorella di Ursula

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11. Riti, magie nere e segrete orge nel trecento… [1973]

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Recentemente vi um filme do Rob Zombie de seu nome “Lords of Salem”, um filme que tinha uma história acima da média e que começou da melhor forma, mas após os primeiros 30 minutos o filme foi para uma miséria tão grande que foi provavelmente um dos  piores filmes de terror/horror dos últimos anos.  Mas infelizmente nos anos 70’s também se fazia maus filmes e Riti, magie nere e segrete orge nel trecento é um exemplo mais que flagrante de tal situação.

Recentemente alguém me disse que pelos primeiros 15 minutos de um filme consegue-se perceber se vamos ter um bom ou mau filme. Eu se tivesse seguido esse conselho nunca tinha acabado de ver esta película. Riti tenta juntar tudo o que se via nos filmes de terror dos anos 70’s com mais umas novidades, vai desde rituais satânicos, passando por vampiros, ainda com algumas raparigas nuas e para terminar as cores e as movimentações de câmara que o maestro Dario Argento tanto usou nos seu filmes. Mas Renato Polselli não é nenhum maestro, nem consegue que toda aquela mistura faça um bom filme, a história do filme se é que alguma vez chega a existir gira a volta de uma tentativa de ressuscitar Isabelle o grande amor de umas das nossas personagens, mas para isso é necessário sangue virgem. A partir dai tudo se torna numa confusão que vai desde o acompanhamento musical, as representações abaixo da média até ao clímax final que parece mais uma má viagem sobre efeitos de drogas alucinogénas. Ritti, não consegue nem chegar ao patamar “isto é tão mau que até consegue ser bom”, para mim nunca chega a sair da zona onde estão os maus filmes.

Nota: 4/10

Próximo filme: Zeder

10. La notte che Evelyn uscì dalla tomba [1971]

La notte che Evelyn uscì dalla tomba 1971 poster

Depois de um tiro ao lado com o filme anterior, o terror italiano de qualidade está de volta aqui ao meu cantinho. La notte che Evelyn uscì dalla tomba é realizado por Emilio Miraglia que no seu currículo só tem 4 filmes(se um dia quiser fazer uma maratona por este realizador já tenho meio caminho andado), conta-nos a história de um milionário playboy [o Lorde Alan Cunningham] que após a morte da sua esposa Evelyn tem uma depressão, e leva-o a procurar prostitutas ruivas e obriga-as a vir para o seu castelo onde acaba por as torturar até a morte. Ao fim de uns 4o minutos a acompanhar-mos a nossa personagem em momentos de desespero, assassinatos, solidão e sonhos sobre a sua falecida esposa, o nosso milionário volta a encontrar o amor e casa-se com a belíssima Gladys Cunningham [interpretada por Marina Malfatti] e quando esta personagem entra em cena o “giallo” começa a ganhar forma. De todos os “giallos” que passaram por aqui talvez este seja o que tem uma “razão” mais lógica e com um final acima da média. Quero deixar também um último apontamento para a banda sonora que acompanha bem o ritmo do filme. Um bom regresso ao cinema de terror italiano.

Nota:6.5/10

Próximo filme: Riti, magie nere e segrete orge nel trecento…

9. Nude… si muore [1968]

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Depois de uma pausa para ver os velhos actions heroes em acção [Willis e Stallone] nos seu mais recentes filmes, voltei para o cinema de terror italiano.

Nude.. Si muore é realizado por Antonio Margheriti e por enquanto é o filme mais fraco de esta maratona. A história passa-se num colégio interno feminino onde começa por desaparecer/morrer uma estudante. Logo aqui sabemos que estamos perante mais um “giallo”, mas ao contrário do que mandam as regras este filme tenta colocar comédia junto com o suspense e o terror, e é por essa razão que ele acaba por se perder. Pois um “giallo” tem que ser um filme sério que mantenha o suspense do principio ao fim, algo que este não consegue fazer nem por 5 minutos, e  o final do filme é demasiado previsível para os espectadores mais atentos ao fim dos primeiros 10 minutos já sabemos quem é o principal culpado.

Nota: 5/10

Próximo filme: La notte che Evelyn uscì dalla tomba

8. I Vampiri [1956]

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I Vampiri tem logo como particularidade ser realizado por 2 directores distintos, primeiro o trabalho foi entregue a Ricardo Freda que também escreveu o argumento, mas após 12 dias de filmagens ainda só tinha metade do filme feito os produtores não contentes com essa situação deram a cadeira de realizador ao mestre Mario Bava para terminar o filme.

I Vampiri é mais um terror gótico que volta a estar de passagem aqui pelo blog. A história passa-se em Paris e jovens começam a desaparecer misteriosamente aparecendo mais tarde os seus corpos sem um pingo de sangue.

Este filme sofre de um síndrome que pode atacar qualquer filme que passe por aqui, não é uma história totalmente original, mas também não desilude pois estava bem construída. Sendo filmado a preto e branco dá sempre outro ar a qualquer filme. O terror gótico funciona melhor assim. Mas por ser assim tão óbvio acaba por se tornar só mais um filme que passa para os vistos e é facilmente esquecido. Se não tivesse um “dedo” de Mario Bava o filme passava completamente ao lado, assim fica a curiosidade para quem for fã do director.

Nota: 6.2/10

Próximo filme: Nude… si muore

7. La casa dalle finestre che ridono [1976]

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Depois de uma pausa forçada e estar basicamente 8 dias sem ver o único filme, voltei finalmente ontem a minha maratona. E que regresso espectacular.

La casa dalle finestre che ridono tem realização e argumento de Pupi Avati, e está num nível superior, comparado com os filmes de terror actuais.

Stefano[Lino Capolicchio] é contrato pelo presidente de uma pequena aldeia para fazer uma restauração a uma pintura de uma igreja, pintada por Buono Legnani conhecido por o “pintor das agonias”, pois gostava de pintar as pessoas no seu leito da morte. Conforme o trabalho vai avançado os segredos da pequena aldeia começam a vir ao de cima. Um filme que envolve suspense e terror em vários momentos e só não atinge a perfeição, porque peca pela sua longevidade e cenas que existem um pouco só para encher tempo. Com um final simplesmente impressionante La casa dalle finestre che ridono é uma pequena pérola que deve ser descoberta sem falta.

Nota: 7.5/10

Próximo filme:  I vampiri

6. Danza Macabra [1964]

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Danza Macabra volta a mostrar que o terror gótico é talvez umas das melhores fases que o cinema de terror teve durante a sua história. A beleza de este filme é demasiado grande para se descrever em poucas palavras, se tal tivesse que acontecer diria só “Vejam já!”.

Realizado segundo o imdb.com por Sergio Corbucci[o senhor que está por trás de Django] e Antonio Margheriti este filme conta-nos a história de um jornalista que após fazer um entrevista a Edgar Allan Poe recebe uma proposta tentadora do Lord Thomas Blackwood, que aposta com ele que não consegue passar uma noite no seu castelo na “Noite dos Mortos”, como qualquer curioso aceita sem qualquer problema.

Ao inicio o filme vai avançado calmamente deixando sempre o espectador sobre aviso para o que pode vir acontecer, quando a bela  Elisabeth Blackwood[Barbara Steele] aparece ao nosso jornalista Alan Foster começas-se a desvendar um pouco da história, que nos conduz para uma espiral de paixão, vingança e acima de tudo de muito suspense.

A minha cultura cinematográfica em relação ao terror gótico não é enorme, mas sem dúvida que este filme deixa uma importante marca.E talvez seja um dos melhores que vi até hoje.

Nota: 8/10

Próximo filme:La casa dalle finestre che ridono